sábado, 4 de maio de 2019

Poesia Maranhense - A Atenas Renascida (Ensaio)


Poesia Maranhense: A Atenas Renascida

Autoria: Salomão Rovedo


INTRODUÇÃO

Em geral na maioria das vezes tenho reproduzido meus escritos antigos – da era pré-internet – deixando-os como saiu na publicação original. Neste caso, porém, me dediquei a fazer a revisão devido às implicações de ordem cronológica. Revisei datas, confirmei nomes e – seguindo ensinamento de Gabriel García Márquez – excluí a maioria das palavras terminadas em “mente”. O fantasma de Gabo me persegue: todas as vezes que chego nessa encruzilhada ouço a voz sepulcral me alertando sobre a expressão “mente”, até que – por fim – se tornou um ótimo exercício para este escrevinhador. Tenho muito cuidado com as traições que arrastam consigo “um”, “uma”, “meu”, “minha”, “os”, “as” – possessivos na extrema acepção do termo, que insistem invadir a cabeça dos escritores: por isso o receio de deixar pra trás qualquer escorregadela – esse negócio de citar nomes, datas, excertos de obras é trabalhoso e merece cuidados. De qualquer modo, sou grato a Gabriel García Márquez pelo conselho e por deixar à disposição o seu fantasma: que me persiga para sempre, amém.

O exemplar do D. O. Leitura que este artigo foi publicado já se encontra amarelado e podre. Urgia digitalizá-lo antes que se esfarelasse – fui à luta, pois... Publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP), sob a regência de Wladimir Araújo (Editoria) e Ionaldo Cavalcanti (Arte), o D. O. Leitura provocou reviravolta nas edições culturais, tendo como foco a liberdade de expressão, aberta a todos os pensamentos. Ora, direis, não deveria ser sempre assim? Deveria, mas não é. Nas vinte páginas do exemplar citado – D. O. Leitura, São Paulo 5(49) jun. 1986 – a variedade de publicados abrange grande parte dos temas culturais:

“Carlos Gomes: 150 anos”, de Juvenal Fernandes. Neste artigo Juvenal Fernandes não só resume a vida e a obra de Antônio Carlos Gomes (Obra completa e quadro cronológico), como dá a conhecer José Pedro de Sant’Anna Gomes, irmão mais velho, virtuose em violino, viola e clarineta, ele mesmo compositor de duas óperas. Sant'Anna Gomes deixou herdeiros musicais nas figuras dos filhos Alfredo Gomes, violoncelista com bolsa e prêmios em Bruxelas e Alice Gomes Grosso, pianista. Alice deu sequência à família de Maneco Gomes – o patriarca: é mãe de Iberê Gomes Grosso (cello), Alda Grosso Borgeth (violino) e Ilara Gomes Grosso (piano). E por aí vai...

“Cana-de-açúcar x Café”, de Ernani Silva Bruno, trata da disputa entre as duas importantes agriculturas em terras paulistas, cavoucando suas raízes a partir do Século XVIII.

“O dialeto crioulo e a literatura em Cabo Verde”, de João Alves das Neves, artigo em que especula sobre o avanço da fala cabo-verdiana, cuja amplitude literária e gramatical deixa margem a interrogações se já não é uma língua. Em quadro o autor enfeixa pequena antologia da poesia de Cabo Verde escritas em dialeto crioulo.

Audálio Dantas escreve “Gil Passarelli, caçador de imagens”, em que ressalta, ilustrado pelas próprias imagens do fotógrafo, a qualidade da fotorreportagem na imprensa.

Anita Leocádia Prestes, em “A coluna Prestes, uma nova visão”, a filha de Luiz Carlos Prestes busca respostas para a pergunta: – Então, por que a Coluna?

“O Alienista: tese, antítese e síntese”, de Eduardo Maffei, escritor e médico, tenta escapar do labirinto “entre o trágico da loucura e a comédia da normalidade", analisando a obra-prima de Machado de Assis. “Talvez o Dr. Simão Bacamarte ainda esteja recolhido aos seus livros na Casa Verde de Itaguaí, à sua procura”.

“A lepra e a cobra”, de Lycurgo de Castro, trilha o caminho da lepra antes de tornar-se hanseníase, em época que eram atribuídas à doença as causas mais extravagantes, ocasionando tratamentos mais extravagantes ainda.

“O budismo japonês em São Paulo”, de Yukyo Ponce, descobre que existe pontos de atritos entre os budistas brasileiros e a vertente nipônica. Quem diria!

“A literatura de cordel em São Paulo”, no qual Franklin Maxado, ele mesmo cordelista paulistano, desvenda a produção da poesia popular nordestina em pleno coração de São Paulo, na Praça da República e bairros onde a presença do nordestino é prevalente.

Afora tantos artigos, o D. O. Leitura reserva duas páginas para resenha de livros, concursos e prêmios literários, coisa rara hoje em dia. É ou não é uma publicação de peso? Por isso e por essas é que não me canso de elogiar o trabalho árduo de Wladimir Araújo e Ionaldo Cavalcanti nos idos em que tínhamos nos esquecido de como fazer cultura com liberdade.

Rio de Janeiro, Cachambi, 22 de julho de 2014.

***

Quem chega a São Luís depois de demorada ausência de mais de vinte anos se surpreende com a dinâmica de uma cidade anciã que ressurge em tentáculos modernos. As velhas ladeiras ainda estão lá, calçadas com as mesmas pedrarias, cada vez mais escorregadiças, entressachadas de limo e lodo após as sempre abundantes chuvaradas de abril. Os velhos casarões ainda se mantêm de pé, orgulhosos do vigor com que foram erguidos.

Apesar das paredes encobertas ora de cartazes publicitários, ora de propaganda eleitoral, conservam os mesmos azulejos seculares que fizeram a cidade famosa. Os telhados de outrora servem de jardineira natural onde o lodo acumulado é adubo para as sementes plantadas pelas andorinhas, bem-te-vis, pipiras e rolinhas que por ali transitam e se aninham.

Pois, desde as telhas coloniais – que da borda das coberturas muitas vezes ofuscam com sua beleza a azulejaria – até o pé das paredes úmidas, vasadas, com a rebocadura ferida a mostrar pedaços de cantarias estereotomizadas, tudo, tudo ainda recende a passado, um passado que a São Luís moderna, que cresce distante, mas às vezes se infiltra, não consegue sufocar. Alvíssaras!

Da necessidade de recolher migalhas do passado recente (pois lá se vão apenas algumas poucas décadas de ausência), do satisfazer-se com o hálito do chão umedecido pelas constantes chuvas, do saciar-se com os sabores singulares das frutas tropicais – e haja sapota, pequi, pitomba, juçara, murici, cupuaçu, buriti – de matar a fome e a sede de temperos bem são-luisenses, desde o cachorro-quente de carne moída picante, até iguarias finas como o arroz-de-cuxá, sururu ao leite-de-coco, torta de caranguejo, camaroadas e o mais, tudo bem acompanhado do molho de pimenta-de-cheiro e de uma abrideira de tiquira na moringa – só poderia se consumar com a cata de idênticas informações poéticas, capaz de fartar a  ânsia devoradora de um lítero maníaco fervoroso e juramentado.

Eia, pois, sigamos excitados  pelos camarões  secos da Praia Grande e pela refrescante infusão de pega-pinto em busca dos redutos onde se escondem os contemporâneos daqueles escrevedores que conseguiram em priscas eras o memorável feito de se fazer batizar a terra maranhão de Atenas Brasileira.

Pior foi depois, quando o cognome elogioso terminou, com o tempo, por se transformar em pesado fardo, uma fantasiosa alegoria para muitos, pior, em seguida virou terrível apodo – Apenas Brasileira – fazendo com que aqueles que ousaram trilhar os espaços literários tivessem que carregá-lo estoicamente ou então o abominá-lo para todo o sempre.

Os verdadeiros amantes das letras, porém, aqueles indefectíveis visitadores das livrarias e dedilógrafos notívagos, poucos ligam para os xingadores que transfiguraram o Atenas Brasileira em Apenas Brasileira, mantendo o ritmo construtivo da sua participação na história literária do país, mesmo ilhados por sua própria gente.

Com efeito, é extremoso e difícil se fazer arte com tantos eflúvios negativos, mas em nenhum momento a literatura maranhense apresentou sinais de fraqueza ou esmaecimento. Isolamento sim, e, por ser ilha, necessitada de volta e meia liberar tufos de elementos dos quais é formada; e estes, por sua vez, atracando-se em terras alheias ali vingam, florescem, frutificam.

Do mesmo modo que a liberdade no Brasil passa obrigatória pelo maranhense Manuel Bequimão, a História da Literatura há de passar por Antônio Pereira (1641-1702), autor de um primoroso “Vocabulário da língua brasílica”; pelo padre Gabriel Malagrida (1689-1761), estrangulado e sacrificado pelas infernais labaredas da Inquisição lusitana.

Mas só a partir do Século XVIII a literatura maranhense cresceu de tal forma que passou a se igualar com escolas europeias tradicionais. Nomes da terra se destacaram no cenário das letras e das ciências. Historiadores, poetas, romancistas, oriundos de cursos e estudos nas universidades estrangeiras elevavam o nome das letras maranhenses.

Odorico  Mendes  (1799-1864),  João  Francisco  Lisboa (1812-1863), grande recuperador da História do Maranhão, Cândido Mendes de Almeida (1818-1881), patriarca de um clã de pensadores cuja influência chega aos dias de hoje, Gonçalves Dias (1823-1864), poeta do indianismo, Henriques Leal (1828-1885), são nomes perenes.

Joaquim de Sousândrade (1833-1902), heroico autor de “O Guesa Errante”, pré-história do Modernismo; Joaquim Serra (1838-1888), multifacetado que necessita uma revisão e reedições; os irmãos Arthur (1855-1908), Aluísio (1857-1913) e Américo Azevedo (1863-1900), este último cedo desaparecido, mas como os irmãos, talentoso literato; Raimundo Correia (1859-1911), Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), o poeta sertanejo que teve a ousadia de cantar serestas nos salões sociais da época (uma heresia!); Nina Rodrigues (1862-1906), cientista de renome cujas descobertas levaram o nome do Brasil à respeitável comunidade científica mundial, precursor de estudos antropológicos sobre o negro brasileiro.

Coelho Neto (1864-1934) e Graça Aranha (1868-1931), o coroa que teve o desplante de romper com a senhoraça Academia Brasileira de Letras para apoiar um grupo de rebeldes que estabeleceram os fundamentos do Modernismo em 1922; Dunshee de Abranches (1867-1941), outro historiador cujo trabalho até hoje é altamente considerado; Vespasiano Ramos (1844-1916), Viriato Correia (1884-1967), Humberto de Campos (1886-1934), Fran Paxeco (1894-1952), lusitano  de  nascimento  e  maranhense  de  coração,  Astolfo Serra (1900-1979).

Com tantos nomes célebres no costado, a responsabilidade do escritor maranhense se multiplica ao desespero. Os contemporâneos, pelo que se vê, sequer tomaram conhecimento de tal dificuldade, donde se deduz que o talento literário do maranhense é inato.

Nomes vários mais recentes continuam contribuindo para manter a Atenas Brasileira em constante destaque: Oswaldino Marques (1916-2003), Manoel Caetano Bandeira de Melo (1918-2008), Ribamar Galiza (1915-1987), Josué Montello (1917-2006), Franklin de Oliveira (1916-2000), Odylo Costa filho (1914-1979), são, entre outros, grandes nomes da literatura maranhense que repercutiram no país.

Alguns deles sequer necessitaram sair de sua terra natal para apontar como nomes literários de expressão. É o caso de João Mohana (1925-1995), sacerdote de comprovada vocação para as letras, Domingos Vieira Filho (1924-1981), folclorista, autor do único “A linguagem popular do Maranhão”, vocabulário de expressões moderno e de Bandeira Tribuzi (1927-1977), pilar da moderna poesia de seu Estado.

Carlos Cunha (1933-2007), que mantém na crítica literária o permanente exercício da escrita; Jomar Moraes (1938), cuja trajetória nas letras lembra o paciente trabalho musical de um Saint-Saëns, além do trabalho quase braçal de recapitulação dos valores esquecidos, reconstrução mais que necessária para que as gerações atuais reciclem seus conhecimentos (ocupou a presidência da Academia Maranhense de Letras e a Secretaria de Cultura); Ribamar Carvalho (1923-1972), José Chagas (1924-2014), Nauro Machado (1935) e Joaquim Itapary (1936), nomes vivos e atuantes da poesia maranhense, contemporâneos do mesmo grupo que saiu de São Luís para o Sul, mantendo elevado o nível de representatividade e a força da literatura maranhense.

Lago Burnett (1929-1995), José Sarney (1930), que, optando da vida política, o fez sem detrimento da literatura; Ferreira Gullar (1930), o poeta exilado que jamais se afastou de suas origens (autor do consagrado “Poema sujo”, de 1976); José Louzeiro (1932), romancista, repórter, fundador do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, toda uma geração, enfim, situada num espaço bem claro do tempo.

Não fosse a memória mais pródiga em esquecimentos, a literatura maranhense teria maior expressividade. O trabalho de recuperação dessa lembrança e do passado coube mais uma vez a Jomar Moraes e essa continuidade (já que suas novas ocupações não permitem continuar), deve ser encetada pelos mais jovens, eis que muitos nomes ainda andam esquecidos, mas têm lugar certo na literatura brasileira. Frederico José

Correia (1817-1881), Sabbas da Costa (1829-1874), romancista que merece reavaliação da sua obra, Maria Firmina dos Reis (1825-1917), que deve ter reestudada sua posição na literatura feminina, Marques Rodrigues (1826-1873), Euclides Faria (1846-1911), Celso Magalhães (1849-1879), precursor dos estudos sobre o folclore brasileiro com o amigo e companheiro Silvio Romero.

Gentil Homem de Almeida Braga (1835-1876), Franco de Sá (1836-1856), falecido bem jovem, promessa tão vigorosa quanto Casimiro de Abreu; Dias Carneiro (1837-1896), Ribeiro do Amaral (1853-1927), Adelino Fontoura (1855-1884), Hugo Leal (1857-1883), filho do famoso Henriques Leal, romancista talentoso já aos 26 anos; Teófilo Dias (1857-1889), parnasiano de mão cheia, João de Deus (1867-1902), Tasso Fragoso (1869-1945), uma lista enorme e cansativa, mas continuemos...

Antônio Lobo (1870-1916), Xavier de Carvalho (1871-1944), Inácio Raposo (1875-1944), Raul de Azevedo (1875-1957), que tem uma biografia de Dona Beja ainda inédita, Astolfo Marques (1876-1918), Maranhão Sobrinho (1879-1915), jornalista que brilhou na Capital Federa, Luso Torres (1879-1960).

Entre os escritores do fim do Século XIX cuja importância deva ser ressaltada, encontramos Costa Gomes (1880-1916), Domingos Barbosa (1880-1946), contista, romancista e cronista de peso, Laura Rosa (1884-1946), cujo nome é uma legenda na educação, Correia de Araújo (1885-1951), Teixeira Mendes (1885-1927), outro educador de renome, Antônio Lopes (1889-1950), José Silvestre Fernandes (1889-?), Clarindo Santiago (1893-1941), Joaquim Luz (1893-1945), Oliveira Roma (1894-1944), Raimundo Lopes (1894-1941), os irmãos Otoniel (1896) e Newton Beleza (1899), Carlos Alberto Nunes (1897) e Assis Garrido (1899-1971).

Novo século à vista, mas a memória continua farta de olvidos, curta, curtíssima. Aí vem Ribamar Viana (1904-1984), Mário Meirelles (1915), Bernardo de Almeida (1896-1979), professor emérito, romancista que enriqueceu a bibliografia de Manuel Bequimão com um belo romance; Wolney Milhomem (1927), Rodrigues Marques (1929), Luís Costa Lima (1937) e ademais tantos, tantos nomes, que daria para fundar mais de uma “Academia dos Esquecidos”.

A poesia maranhense, então, merece um capítulo a parte, pois que com Bandeira Tribuzi – poeta da cabeça ao dedão do pé – recuperou a identidade poética sufocada por expoentes pré-românticos, românticos, simbolistas, parnasianos e outros “ismos” antes citados, resumindo no seu modo de versificar uma espécie de Pós-Tudo.

Sem me deixar subornar pelas unhas de caranguejo gratinadas, acompanhadas do sabor bávaro da Cerma Pilsen estupidamente gelada, lembro os nomes atualíssimos de Nauro Machado e de José Chagas (para mencionar só os expoentes que permanecem em São Luís). En passant, cito ainda Ferreira Gullar, Lago Burnett, Manoel Caetano Bandeira de Mello, que de fora sustentam com um ritmo alucinante de publicações a presença constante nas livrarias e colunas literárias.

O resultado dessa poesia atuante consolidada a partir de Bandeira Tribuzi resulta no aparecimento de valores novos, mais comprometidos com a arte poética, entre os quais se destaca Bacelar Viana (1938-1982), poeta de enorme sentimento e paixão pela terra, demonstrados de vez por todas após a publicação póstuma de “Clamor de São Luís”.

Outro nome que se firma em definitivo na poesia de hoje é o de Luiz Augusto Cassas. Após a saída de “A paixão segundo Alcântara”, a crítica, que já havia se pronunciado favorável em trabalhos anteriores, aponta-o não como promessa, mas consagrada realidade, mercê da qualidade de sua poesia, que mereceu amplos elogios da comunidade literária do Maranhão e algures.

De Bandeira Tribuzi as Edições Sioge promovem a editoração esperada das obras completas, ajuntando o que estava disperso. Na novela “Da conveniência de fazer-se um deputado conveniente”, se revela o lado desconhecido do poeta: o prosador e arguto comentarista político que faz da província o cenário microcósmico do coronelismo crônico que subsiste no interior do Brasil.

Este poeta, que sempre manteve o prosador na obscuridade, aparece mais sólido na peça “Rosamonde – O touro da morte”, faceta de um mundo que a ele não era totalmente desconhecido: o teatro. Também um terceiro volume desse lançamento reúne as poesias que compõem “Tropicália – Consumo & Dor”, cuja unidade temática dá mais aparência de um longo poema, posto que em todo o volume o poeta em plena forma aparece inquirindo e questionando a modernidade de tudo, em confronto com elementos líricos marcados já pela perenidade.

O choque do homem com o agressivo presente e o incognoscível futuro encontra o apaziguamento possível na voz do poeta.

A vasta e volumosa produção de Nauro Machado não interfere, em absoluto, na qualidade da alta poesia que exerce.

Em plena maturação, humana e poética, os mecanismos construtivos de seu trabalho (aquilo que alguns antiquados insistem em chamar “inspiração”), obedecem a rigorosos critérios e conceitos que norteiam toda a sua obra.

“Antologia Poética” (1980), “O calcanhar do humano” (1981), “Apicerum da clausura” (1985), são exemplos magistrais que confirmam, de maneira singela, mas sólida, o labor poético para o qual Nauro Machado vem concentrando todas as teclas da sua sensibilidade.

Joaquim Itapary, poeta e cronista semanal no Estado do Maranhão, membro da Academia Maranhense de Letras, publicou inúmeros livros, entre os quais, “Do Incerto Ócio” (poesia); “A falência do ilusório” (ensaio); “Sob o sol” e “Crônicas tapuiranas” (crônicas) e a novela “Hitler no Maranhão”, de cunho fantástico-realista, seguindo as pegadas de García Márquez e Vargas Llosa.

Contrição

Eu pecador contrito me confesso
de joelhos sobre lisas cantarias
bato no peito e pecados meço
cometidos em ti noites e dias.
Cubro a cabeça e em solenidade
busco o perdão de ruas e janelas
lavo o espírito nas fontes da cidade
virgem de cal azeite e pedras belas.

(in: Do incerto ócio)


Vida

Onde está a densa tristeza
que tanto em mim demorava,
ígneo punhal do peito dentro,
qual noite de negro ônix?

Levou-a da madrugada a chuva,
tornou-a orvalho nos rebentos verdes,
pérolas de prata na bruma da manhã,
colorindo flores no jardim do dia.

Lavar-me nesse orvalho devo agora,
banhar meu rosto nas gotas do relvado,
plantar mil árvores para proteger-me
do duro sol da humana iniquidade.

Ao fim do dia à casa regressar,
íntegro, integral alegre,
do despropósito da tristeza certo,
que apesar da vida a vida vale
e vale mais que o pesar da vida.

(in: Do incerto ócio)

Do poeta José Chagas a Sioge promoveu o lançamento de alentado volume contendo a “Poesia reunida (1955-1979)” desse importante escritor maranhense por adoção. Um volume imperdível para aqueles que amam a poesia! Na sequência cronológica, que somente o tempo implacável pode determinar com sua irreversibilidade trágica, ressurge vigoroso o José Chagas panfletário, cordelista, humorista fino e satírico em “O discurso da ponte” (1959) e “O caso da ponte de São Francisco” (1964), agora mais comprometido com o fazer poético-político. O poeta social. O poeta do palanque. O poeta do discurso.

O rio parte em duas

O rio parte em duas
a cidade com seu povo
e a ponte liga as ruas
e as conversas de novo.

É o rio posto entre
pernas pelas anáguas
como se de humano ventre
corressem suas águas

e o rio entre esbeltas
coxas e saias
perseguindo deltas
e obscuras praias.

(A ponte em função do pecado, in: O discurso da ponte)

Difícil o poeta repetir em produções iguais aos volumes em pauta, eis que novos rumos ditados pelo consequente exercício poético raras vezes darão chance de o autor (re)pisar suas próprias pegadas.

e até que o rio
se revele raso
a água é um desafio
contra rocha e acaso.

(O rio visto da ponte, id. ibid.)

Um rio que banha
de ouro uma ilha
mas que fere a entranha
da terra e a humilha.

(in: O caso da ponte de São Francisco – III)

A ponte foi caso de política e de polícia. Pegou-se a verba para construí-la e a única coisa que se fez foi o esqueleto de madeira e algumas fundações das pilastras. A ponte? Babau!

– Papai para ver a ponte
de São Francisco, como é?
– É fácil, meu filho, aponte
para longe e tenha fé,

que a ponte sai do infinito
como em sonho ou pesadelo.
Mas seu olho estaria fito
no monstro sem percebê-lo.

Ela surge de repente,
mas de repente se esvai.
Ela é presente e ausente...
– Eu não entendo, papai.

– Meu filho, você é novo
para entender os mistérios,
as sutilezas de um povo
com seus múltiplos critérios.

A ponte surge de tudo.
Às vezes surge de nada.
Mas, meu filho, eu não o iludo
com essa história atrapalhada.

Surge a ponte até do centro
de nossa alma tristonha.
Nós temos a ponte dentro
da nossa própria vergonha.

Nós todos a arquitetamos
com omissão ou apoio,
porque nunca separamos,
na vida, o trigo do joio.

Cada um de nós fez um pouco
dessa ponte inexistente,
permitindo a um mundo louco
dominar a nossa gente.

O Maranhão tinha outrora
só gente honesta e capaz.
Mas hoje apenas vigora
a lei do que rouba mais.

Nem mais se segue o evangelho
que ainda agora se apregoa:
o “rouba mas faz” do velho
lá da terra da garoa.

Fazer qualquer coisa é crime.
Roubar não é nenhum mal.
O próprio tempo redime
toda lunfa nacional.

Basta apenas que ele esteja
do lado forte, no instante
de começar a peleja
da pulga contra o elefante.

(Duas gerações conversam em torno da ponte, in: O caso da ponte)

Claríssimo exemplo de um veio poético / satírico / político, explorado até as últimas consequências com extrema propriedade. Note-se como José Chagas domina com maestria insuperável o verso curto e o contínuo namoro com as rimas sem arestas, redondas.

Mais maduro, mais voltado às revelações íntimas e intimistas, é esse o José Chagas de “Cem anos de infância” ou “O poeta e o rio”, último opúsculo publicado. Rasgando a roupagem dos oito aos oitenta anos, desde a infância imperdida até a madureza que ora vive, o poeta resolve revelar a alma, mostrar o coração, num memorialismo infinito que todos um dia teremos de fazer.

O que parece mistério é o tema, a volta do rio como personagem importante, os elementos perdidos nos intrincados labirintos da memória, anos e anos a fio, até que um dia se materialize na alvura do papel.

O Rio é real
sua água é dura
tão dura que fez a ponte
sua água alicerça um navio
supre as raízes da vida.

(in: O rio visto da ponte)

Nos 48 sonetos que compõem “Cem anos de infância” o rio corre não pelo lento rumo que o leva ao mar, mas pelo leito que enfeita a entrada da vida – mais precisa – de uma vida específica, clara, existida. É o rio, a “água de paciência refletida”, água “cheia de fé, [que] toda manhã sussurra aos ventos, a rogar por nós”. O poeta se incorpora às águas como parte que dela é, como “irmão das águas” e nas águas do rio busca desesperada resposta para as inquirições fantásticas que a infância passada e presente insistem em fazer.

Rio em lirismo, rio onde flutua
a barca que conduz a poesia.
...
Quanto mistério rola sobre a tua
lâmina aberta ao sonho que te guia.

(in: A água concebida)

“Teu poeta bebe desta água pura”, para poder cantar de como as formas do rio se transfiguram em ente misterioso, lendário, que nem o ser humano mesmo, que nem a gente viva, dessa que passa diariamente ante nós. A vida passa e repassa, “cem anos passam como um rio passa, / pois que o tempo é também água corrente” – e o poeta vai navegando nas profundas águas do rio para ter a medida do tempo-espaço, do curto tempo de vida. O rio não morre, o rio é perene em contraste com a temporalidade humana, “o poeta morre em São Luís, / triste por não morrer como queria”.

Inebriado pela poesia e pelo generoso licor de jenipapo, degustando picantes casquinhas de siri recheadas, prossigo no amável labor de revisitar os encantados versos são-luisenses que fluem como as águas que circundam a cidade.

(...)
e sob ela passam as águas
e o rio fica. passo-me em águas
e rio fico. E, de repente,
é como se num espelho mágico
(mágica lanterna) com as águas
fossem transcorrendo as coisas,. As pessoas,
pedaços de mim e alheios,
coisas pessoas, eu, eles havidos
mas estranhamente combinados
em outras formas de ser (mos)
pessoas, coisas, eu, eles.

(Meditação da ponte, in: Tropicália – Consumo & Dor)

Apesar do discurso afim, aparentado tal e qual os demais, não é desta vez a voz de Carlos Chagas que se faz ouvir e sim a de Bandeira Tribuzi. Falar da poesia de Bandeira Tribuzi, do que ela representa para a literatura maranhense, é cair no vasto mundo do lugar-comum.

A poesia lá em São Luís não seria a mesma sem o importante aporte concedido em vida e pela vida desse poeta. Ainda hoje se procura reunir seus trabalhos esparsos e depois dessa juntada é que poderá se fazer uma avaliação mais ampliada de tudo que representou a existência literária de Bandeira Tribuzi para o Maranhão e por extensão para a literatura de língua portuguesa.

É como se o poeta se mantivesse circulando pela redondeza em carne e osso, tal a influência que inda hoje tem o seu trabalho. Essa vigorosa influência – que é forte porque a poesia de Bandeira Tribuzi também é forte – acaba por se consolidar com o tempo e, se perenizando, dificilmente desfará a aura de mito que já cerca o poeta.

Daí sua importância para a literatura maranhense, talvez mais importante que os grandes nomes , por exemplo, de Josué Montello e Odylo Costa filho, que estes não se cogita mais da naturalidade, nomes nacionais que são. Tribuzi criou raízes e quanto mais distante estiver em matéria, mais arraigada estará à influência do seu dizer poético no contexto literário da terra em que nasceu, viveu, morreu.

E fez-se em rio e transformou-se em prado
o que desfeito no prado e no rio
transformou o pesadelo em sonho alado
e transformou a matéria em puro cio.

(Soneto, in: Apicerum da clausura, 1985)

O título do último livro de Nauro Machado (Apicerum da Clausura, 1985) já havia sido nome de poema saído em O calcanhar do humano (1981). Que mistério cerca o poema que deu título ao livro?

A vida espreita sua angústia laica,
seu catecismo de volúpia e treva...

Que mistério é esse que cerca o poeta e o obriga a tematizá-lo em noventa alentados sonhos soneteados?

Quem saberá na treva a luz da chama,
quem ganhará da luz essa vitória?

Caminha-se pelas páginas de todo o volume e não se vislumbra a solução que explicaria o mistério. Não se desfaz e permanecerá o segredo mesmo após ter o poeta “vomitado” em todas as direções as discrepâncias que o tema estimulou.

torna-me em natureza, ó natureza,
capaz de guardar, na última dureza,
a flexibilidade da emoção.

(Soneto, in: Apicerum da clausura)

O poeta percorre a trajetória cometária, apesar de tudo intimista, dentro de si mesmo, como se estivesse pisando pisadas calcadas nas escorregadias calçadas de São Luís após um longo dia,. Até que a tarde chegue anunciando a boca da noite.

“Cheira a morte o crepúsculo de São Luís”.

Arrastando-me aos tropeções pelas areias sagradas da praia de Olho D’água, depois de enxugar garrafa e meia da miraculosa tiquira de Turiaçu, tirando gosto com postas de pescada frita e farinha d’água de Carema, medito sobre a parecença entre os vários discursos poéticos aqui amostrados. Afinidade que serve também para demonstrar o estreito parentesco que existe entre aqueles que exercitam a poesia no Maranhão, a partir de Bandeira Tribuzi.

Óbvia seria a temeridade ao se falar em escola, talvez sequer se deva falar em grupo, mas decerto trata-se de um conjunto de voz uníssono e como tal se expande em áreas de influência entre os contemporâneos estreantes. Bom sinal.

O legado de Bandeira Tribuzi – sem temer que essa palavra possa causar emparedamento (mumificação) do grande poeta – foi o pleno culto às estruturas poéticas cujas fronteiras, tanto entre si quanto com relação à própria arte, não as preservando de propósito, ao invés, ainda mais as alargou abrindo perspectivas ilimitadas no fazer poesia.

Se na prática a poesia é assim: ampla, geral, irrestrita, quando o poeta assume essa consciência em geral termina por se enredar nas teias que delimitam suas próprias limitações – seja ela de foro pessoal, seja ditada pelo mundo que o cerca, seja resultante da fiscalização individual (essa censura que campeia em todos nós), seja pela cobrança exigente imposta pela crítica literária.

Para Bandeira Tribuzi, enfim, quaisquer objeções que convivem parasitaria com a criação, devem ser eliminadas para que, reeducado, possa o poeta exercer plena sua atividade, livre de barreiras, algemas, pronto para esse “pós-tudo” que o desafia. Para isso serviu Bandeira Tribuzi na poesia maranhense.

Esse posicionamento serviu para nivelar a poesia maranhense ao caráter nacional, também com a praticada por autores de outras regiões, como por exemplo, à de Ledo Ivo, Moacyr Félix e Affonso Romano de Sant'Anna, para citar somente alguns.

Uma linguagem que trespassa límpida, dando um grande salto para a escuridão, foi a colaboração que a poesia continental deu, contrapondo-se ao cerceamento da liberdade (de várias liberdades, inclusive literária), ocorrido em várias nações latino-americanas, mormente no Brasil. Esse grande vácuo que se formou então foi ocupado pela “geração mimeógrafo” e pelos alternativos. Tornar-se literato era se tornar marginal.

Em consequência se formou um verdadeiro cu-de-boi (para usar expressão bem maranhense) na poesia. Mas, passado o pesadelo, retomadas as premissas democráticas, entre elas a liberdade de pensar (ainda que precária), também a poesia tornou aos eixos: quem resistiu à malha fina da história passou no vestibular poético, quem não passou teve o seu momento de glória efêmera e ora repousa no famoso “limbo do esquecimento”.

Pois quando o céu clareou, passada a turbulência, os poetas maranhenses surgiram incólumes do desastre com uma elevada poesia de fala clara, límpida, cristalina – uma oração que vara o tempo sem arranhões atropelando todos os ismos acadêmicos mais elaborados. Esse mesmíssimo exemplo vai passando, assimilado pelas gerações que chegam, para ir aos poucos tomando conta do espaço deixado por aqueles que – missão cumprida – viajam novos rumos.

Antes de falar em Luís Augusto Cassas e seu “A Paixão segundo Alcântara”, umas poucas linhas exige o livro póstumo de Bacelar Viana (1938-1982), médico que, segundo aparenta, escrevia poesia de gaveta – mostrada só a alguns privilegiados e/ou publicada esparsa, como as nuvens de São Luís (dois volumes publicados: “Elogio da rosa” e “Três evocações” – nada mais).

Porém o que mais impressiona nesse ajuntamento de versos espontâneos é justo a primeira parte do pequeno volume que, afinal, acabou por enriquecer a obra “Poemas de São Luís”. São dez poemas que, pela unidade temática, só eles poderiam formar um único volume, denso, crítico. A poesia de Bacelar Viana é simples, direta. Os artifícios que usa como recursos poéticos são capazes de ser reconhecidos por qualquer leitor de ônibus. O poeta clama pela cidade tombada, luta contra a violência, as contradições que as mudanças trazem a reboque. E apela:

São Luís, São Luís, faze um confiteor, Princesa,
Para um pouco para pensar.
Não te enredes na trama
Dos que te querem mudar.
Mantém tua alma intocada
Não te deixes conspurcar.
Tens de crescer para todos,
Não te deixes enganar.

(in: Clamor de São Luís)

O diálogo, mais que um colóquio, é pedido de socorro em prol dos mais desvalidos. Àqueles que sobrevivem à margem, nos alagados, nos beirais do mangue, aonde é difícil ou impossível à literatura chegar, Bacelar Viana canta:

Circundam a velha ilha qual estranho
E pegajento colar de figas e bentinhos.

(...)

Já viram, vocês já viram
O Candido sorriso das crianças,
Alegres, descontraídas,
Cheias de vermes, desnutridas.

(...)

São pálidas, enfermiças, mas não tombam,
Mourejam dia e noite, indômitas e frias.
São humanos restos inidentificáveis
Que atendem – oh! paradoxo! – por nomes, como nós.

(in: A saga das palafitas)

Nesse diapasão peculiar o poeta segue o ritual da denúncia: “O Evangelho da cidade”; “O sombrio bazar do meretrício”; “Um rio diferente do Bacanga”. Toda a cidade feia perpassa pela palavra do poeta. São Luís tem essa magia: ninguém faz poesia impune, sem escalavrar suas ruas, sua gente, seus modismos de cidade única. Com Bacelar Viana também assim foi, profética:

Ah! Cidade querida, teu Poeta
Cantou-te tanto que o canto é sua mortalha.

(in: Louvação de São Luís)

De Luís Augusto Cassas, desde o aparecimento de “República dos becos” (1982) a crítica teve preocupação de ressaltar que se tratava mesmo de revelação poética, não apenas promessa. Sobre “A paixão segundo Alcântara”, Antônio Houaiss observa que (o livro) “parece provir de unidades heterodóditas, que tratam de matérias divinas e humanas como se nada tivesse com a paixão”.

Realmente, se quanto à unidade se pode levantar alguma objeção e questionar se a mesma foi conseguida, no restante se mostra edifício de perenidade garantida. Aqui e ali um poema provoca um interregno, um respiro, para depois voltar ao tema com a mesma gana.

O poeta Luís Augusto Cassas faz o necrológio de Alcântara”. As palavras acuradas de Nonato Masson deixam a constatação de que “a poesia de Cassas (repercute) como nênia da cidade morta”.

Mas não só a cidade morre: tudo morre em Alcântara, os sentimentos fenecem, as pedras seculares desmoronam, a história se desfaz em pó, até o amor morre:

Quando o amor acaba
desmorona-se a casa.
Inútil tentar restaurá-la:

(...)

Inútil o amor e a casa
Quando um dos dois desaba.

(in: Área tombada)
  
Entre roedores e predadores o poeta se faz presente, se intromete para identificar o arrasamento material e imaterial, a ruína da alma. Remoendo o passado, roendo o presente e o futuro.

(...)

Já roemos nossa esperança
livros tradições museus
memórias lembranças retratos
pés-de-cama caibros ratos

amanha roeremos
vossos ossos.

(in: Manifesto dos cupins)

A “nênia da cidade morta” a que alude Nonato Masson na orelha é na verdade um retrato da destruição, destroços do que se pretende salvar.

Oh Verônica
enxágua o alvo sudário em tuas lágrimas cristalinas
para que desapareçam os espinhos
cravos estampados
a última gota de sangue
o semblante ferido
crucificado
desta cidade.

Oh Verônica
rasga o alvo sudário
que nem as lagrimas copiosas ou as águas do Atlântico
conseguirão enxaguar o sangue
a dor estampada
o semblante ferido
o calvário
desta cidade.

(in: Poster)

Impedindo, pois, que a poesia se transforme em coisa, num estereótipo globalizado, ode pasteurizada, igual a tantas epopeias no mundo, os poetas de São Luís fincam o pé na terra querida e – daí sim – partem para universalizar seu ritmo.

Exemplo dessa riqueza é Odylo Costa filho, que, mesmo deixando a terra natal rumo ao sucesso da cidade grande jamais a esqueceu. São dele estes últimos versos:

Não cantarei telhados impossíveis,
telhados de ar erguidos no ar vazio
mas humanas feituras, elegíveis
contra a chuva, o sol quente e o vento frio.

(in: Os telhados)


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BIBLIOGRAFIA
  •  Cassas, Luís Augusto: A paixão segundo Alcântara. Roswhitha Kempf Editores, 1985;
  •  Chagas, José. Poesia reunida Sioge, 1980: Cem anos de infância ou O poeta e o rio  Secma/Sioge, 1985;
  •  Costa (Filho), Odylo:  Boca da noite Salamandra, 1979;
  • Itapary, Joaquim: Do incerto ócio. Edições AML 1989;
  •  Machado, Nauro: Antologia poética Quíron, 1980. O calcanhar do humano Func/Sioge, 1981. Apicerum da clausura. Cátedra/INL, 1985;
  • Tribuzi, Bandeira: Poesias completas. Cátedra/INL, 1979. - Rosamonde – O touro da morte Sioge, 1985; Tropicália – Consumo & Dor Sioge, 1985.
  •  Viana, Bacelar: Clamor de São Luís. Sioge, 1984.

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