domingo, 5 de maio de 2019

Temas Poéticos: MÃE - XIX




MINHA MÃE

MARIA CÂNDIDA DE JESUS
(1958)


No rútilo santuário da memória
Vejo de minha Mãe o doce vulto,
Narrando-me, sereno, a fiel história
De sua vida, e ao recordá-la exulto:

— Extrema singeleza, em vanglória
De homenagens do mundo. Ardente culto
As leis divinas igualando a glória
A caridade em exercício oculto.

Em tais lições os filhos instruía
Com bondade, ternura e complacência
Sob o encanto intangível da poesia;

E, se amava o labor prezando a ciência,
Julgava a religião — sol que a alma guia,
Sublime graça — a paz da consciência.

 ***

SONETO À MAMÃE

GONZAGA DA FONSECA

Mamãe! embora estejas tão distante,
penso e imagino ver-te a toda hora:
vejo sempre ante mim o teu semblante,
numa doce expressão comovedora...

Mãe! vejo aquela unção impressionante
de quando o pranto tua face irrora,
gota a gota, por mim, e a cada instante:
de ti saudoso, em versos choro agora!

E sabes, Mãe, que é que, gradualmente,
deste teu filho o coração definha?
— É o medo de perder-te agora ausente...

É o medo de que, um dia, a fala minha
sobre um túmulo, embalde te lamente:
como viver sem ti, doce Mãezinha?!

***

OH, DOCE OLHAR DE MÃE!

CORREA JÚNIOR
(1958)

Oh, doce olhar de Mãe!
Olhar que nunca ilude!
Meigo e piedoso olhar que,
Sempre ao bem nos guia!
Brilham sóis —se ele ri —
Em nossa solicitude;
Sucumbe —ao choro seu —
Toda a nossa alegria.
Olhar que tem do Céu
A profunda quietude,
Quando no imenso azul
Desponta a flor do dia.
Olhar de cuja luz mal,
Nesta vida, pude
Sentir a suave unção
A ternura, a Magia
Oh, doce olhar de Mãe!
A quantos —loucos, poetas,
Condenados e heróis,
Desleixados e estetas —
Dá ela a calma, o bem,
A harmonia, a coroa!...
Oh, doce olhar que foi
Na angústia do calvário,
O supremo consolo
O grito extraordinário,
Daquela que, a sofrer, ainda
Em pranto perdoa!

 ***

SAUDADE MATERNAL...

MANOEL GREGÓRIO
(1930)

I
Minha mãe,
És o anjo que mais adoro,
Por quem vivo e por quem choro
Neste mundo de ilusão!
Minha mãe.
De ti não me esquecerei,
Pois teu nome eu guardarei
Dentro do meu coração!

II
Minha mãe tão carinhosa
Eu te adoro com fervor!
Pois tua alma dadivosa,
Cheia de amor e ventura,
É tão pura e tão bondosa,
Que seu verdadeiro amor,
Cheio de tanta doçura,
É um amor ideal,
Porque não tem rival!

III
Minha mãe,
O teu lar é tão sagrado,
Que se eu vivesse a teu lado,
Oh! como feliz seria!
Minha mãe,
Teu regaço é um paraíso,
Onde eu com prazer diviso
Meu refúgio de alegria!...

 ***

QUEM AMO
(À minha mãe)

ISMAEL COSTA
(1930)

A mulher mais formosa idealizada,
Que é para mim a imagem da candura,
Que a sorrir desabrocha uma alvorada,
Que é toda divinal, — santa criatura!

Que nos olhos minh'alma desenhada
Tem na retina casta que fulgura,
Que a voz é poesia bem ritmada
Ao som da lira encantadora e pura...

A mulher que me prende e me cativa,
Que me devota o mais sincero amor,
Que vejo quase sempre pensativa,

Por mim entregue a firme adoração,
É minha mãe, a melindrosa flor
Que tenho no jardim do coração.

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