domingo, 5 de maio de 2019

Temas Poéticos: MÃE - XVI




DA GENTE E DA VIDA
(De Ghiaroni)

ANA MARIA
(1971)

Mãe! Eu volto a te ver na antiga sala
onde, uma noite, te deixei sem fala,
dizendo adeus como quem vai, morrer.
E me viste sumir pela neblina,
porque a sina das mães é esta sina,
amar, cuidar, criar, depois perecer.

Perder o filho é como achar a morte!
Perder o filho, quando grande e forte,
já podia ampará-la e compensá-la.
Mas nesse instante, uma mulher bonita,
sorrindo o rouba... E a velha mãe aflita
ainda se volta para abençoá-la!

Assim parti e nos abençoaste!
Fui esquecer o bem que me ensinaste;
fui para o mundo me deseducar.
E tu ficaste, num silêncio frio,
olhando o leito que eu deixei vazio,
cantando uma cantiga de ninar!

Hoje volto coberto de poeira
e te encontro quietinha na cadeira,
a cabeça pendida sobre o peito.
Quero beijar-te a fronte... e não me atrevo!
Quero acordar-te, mas não sei se devo!
Não sinto que me cabe esse direito!

O direito de dar esse desgosto
de te mostrar, nas rugas do meu rosto,
toda a miséria que me aconteceu!
E quando vires a expressão horrível
da minha máscara irreconhecível
minha voz rouca murmurar: Sou eu!

Eu bebi nas tavernas dos cretinos!
Eu brandi o punhal dos assassinos!
Eu andei pelo braço dos canalhas!
Eu fui jogral em todas as comédias!
Eu fui vilão em todas as tragédias!
Eu fui covarde em todas as batalhas!

Eu te esqueci! As mães São esquecidas!
Vivi a vida, vivi muitas vidas.
E só agora, quando chego ao fim,
traído pela última esperança;
e só agora, quando a dor me alcança,
lembro quem nunca se esqueceu de mim.

Não! Eu devo voltar, ser esquecido.
Mas... que foi? De repente ouço um ruído!
A cadeira rangeu! É tarde agora!
Minha mãe se levanta, abrindo os braços!
E me envolvendo num milhão de abraços,
rendendo graças, diz: “Meu filho”... e chora!

E chora! E treme, como fala e ri!
E parece que Deus entrou aqui,
em vez do último dos condenados!
E o seu pranto, rolando em minha face,
quase é como se o Céu me perdoasse,
me limpasse de todos os pecados!

Mãe, nos teus braços eu me transfiguro!
Lembro que fui criança, que fui puro!
Sim! Tenho mãe! E esta ventura é tanta
que eu compreendo o que significa.
O filho é pobre, mas a mãe é rica!
O filho é homem, mas a mãe é santa!

Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,
mas que me beijas, como agradecendo
toda a dor que par mim te foi causada!
Dos mundos onde andei, nada te trouxe!
Mas tu me olhas num olhar tão doce
que, nada tendo, não te falta nada.

 ***

MINHA MÃE

CLAREL GAVIRAGHI
(1979)

Sentado na soleira da porta
Neste entardecer calmo de melancolia
Recordo-te mamãe com saudades
Do carinho e ternura de passados dias.

Lembro do que me ensinaste
Da verdade, do amor e bom exemplo
Me indicaste sempre o caminho certo
Quando íamos juntos orar no templo.

Mãe és refúgio de bondade e afeição
Não te esqueço nem sequer um segundo
Por seres dedicada, terna e amável
E possuíres o coração maior do mundo.

Recebe a homenagem neste dia
Deste a quem lhe deste a vida
Que no seio do convívio familiar
Continuarás sendo sempre a mais querida.

***

MINHA MÃE

ÚRSULA TRAPP
(1978)

Com três letrinhas apenas
se escreve a palavra MÃE:
E das palavras pequenas
A maior que o mundo tem.

Mãe — sinônimo perfeito
De sacrifício e de amor
Tendes espinhos no peito
E aos vossos filhos dais flor.

Ó Mãe, canta-me as cantigas,
Com que outrora me mimavas!
Quero que alegres meu túmulo
com o riso que ao berço davas.

Mãe! Acima de tudo, acima
do céu, te devemos pois
O teu nome não tem rima
Nem limite o teu amor.

*** 

DIA DAS MÃES

ÚRSULA TRAPP
(1978)

Mãe! A primeira palavra
Que pronuncia a criança;
São as letras de seu nome:
Martírio — Amor — Esperança

Mãe! Palavrinha que encanta;
Com três letrinhas somente,
Lembra o nome de uma santa,
Louvado por toda a gente.

Você me chamou de pobre,
No que disse, pense bem.
Sou mais rico que você,
Tenho mãe, você não tem.

***

MÃE, MINHA MÃE! MAMÃE!

MARTINS FONTES

Beijo o teu nome quando o leio, quando
O escuto, e, por milagre, ao seu solfejo,
Com os olhos ouço a sílaba cantando,
Ou, pelo ouvido, iluminante, a vejo!

Sinto, ao seu surdinar, límpido e brando
Qualquer coisa ideal, como o branquejo
De uma chuva de pétalas, em bando,
De milhares de pombos, em voejo!

Mãe! Minha mãe! Mamãe! Beijo-te a face,
Mas sem nunca te amar, quando desejo,
Quanto me amas, por muito que sonhasse!

Tenho sempre a ilusão, se te festejo,
De que é o teu beijo que beijasse
O meu beijo, beijando-se em teu beijo!

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