domingo, 5 de maio de 2019

Temas Poéticos: MÃE - XVII




MÃE!

BASTOS TIGRE

Mãe! Que nome haverá de igual doçura
Assim, tão breve e de harmonia tanta!
É a primeira oração que se murmura,
Vêm-nos do coração para a garganta.

Ao dizê-lo, a nossa alma se levanta
Em demanda dos céus, de infinita altura.
Mãe! Palavra tão leve, etérea e pura
Que ao próprio Deus ouvi-la apraz e encanta.

Mãe! Beija-flor, se a criança balbucia;
Depois é auxílio, proteção, confiança,
Como a estrela polar que aos nautas guia.

E sempre amor, que de sofrer não cansa;
Mãe! Nome-luz que a Mãe das mães-maria,
Na terra nos deixou coro lembrança.

 ***

SONETO PARA MINHA MÃE

CORREIA JÚNIOR

Quero beijar-lhe o rosto, bem de leve,
assim como no altar se beija a santa;
afagar-lhe os cabelos cor de neve;
ouvir-lhe a voz brotando da garganta.

Quero dizer-lhe, num momento breve,
que o seu amor de mãe o meu suplanta.
E então minha alma ao seu olhar se eleve,
como a estrela na tarde se levanta!

Quero gozar o amor puro e materno,
e ao sol poente dos seus olhos baços,
aquecer as manhãs do meu inverno.

Quero, livre de mágoas e fadiga,
adormecer chorando nos seus braços,
como quem reza numa igreja antiga.

 ***

ACALANTO

JOSÉ LANNES

Sobre alvo berço num coração palpita,
Para o seu amorzinho adormecer,
a mãe lhe conta a história mais bonita,
de Jesus, que só as mães sabem dizer.

Mas o filho, ao final, todo se agita
numa curiosidade, por saber
Se alguma vez Nosso Senhor visita
as crianças que muito o querem ver.

E a mãe: — “Jesus tem um trabalho enorme,
Só alta noite, quando tudo dorme,
pôde Ele vir... Então, envolto em luz,

Nos sonhos das crianças resplandece
Dorme... Daqui a pouco ele aparece.
Dorme, filhinho, que verás Jesus.

***

MÃE E FILHO

JOÃO DE DEUS
"Campo de Flores" (1896)

Primícias do meu amor!
Meu filhinho do meu seio
Tenro fruto que à luz veio
Como à luz da aurora a flor!

Na tua face inocente,
De teu pai a face beijo,
E em teus olhos, filho, vejo
Como Deus é providente;

Via em lâmina dourada
O meu rosto todo o dia,
E a minha alma não havia
De a ver nunca retratada?

Quando o pai me unia à face
E em seus braços me apertava,
Pomba ou anjo nos faltava
Que ambos juntos abraçasse!

Felizmente Deus que o centro
Vê da Terra e vê do abismo,
Que bem sabe no que eu cismo,
Na minha alma um altar viu dentro:

Mas com lâmpada sem brilho,
Sem o deus a que era feito...
Bafeja-me um dia o peito,
E eis feito o meu gosto, filho!

Como em lágrimas se espalma
Dor íntima e se esvaece
De alma o resto quem pudesse
Vazar todo na tua alma!

Mas em ti minha alma habita!
Mas teu riso a vida furta...
Mas que importa! (morte curta!)
Se um teu beijo ressuscita!

***

AS MÃES

MÚCIO TEIXEIRA

Ó Mães! da Mãe de Deus vós despertais lembranças,
Nessa augusta missão — tão cheia de poesia;
Quando embalais ao colo as tímidas crianças,
Eu penso ver Jesus nos braços de Maria!

Vós sois uns anjos bons! de amor e de piedade
Tendes um ninho em flor nos seios virtuosos;
— Nos filhos refletis a vossa felicidade,
Como em límpido espelho os corpos luminosos.

Vós sois a inspiração primeira dos poetas,
Vós sois o pensamento extremo dos doentes.
Quem antes osculou a fronte dos profetas,
Vindo a cerrar mais tarde os olhos dos videntes?...

Ó Mães! de minha Mãe vós me trazeis lembranças...
Encheis-me de saudades!... Eu amo-vos por isto,
Quando embalais, cantando, aos seios as crianças,
Eu sonho ver Maria acalentando o Cristo!...

Meu Deus! não sei dizer o que há de mais ungido
De bálsamos do céu, se há mais sublime coisa
Que a Mãe que embala ao berço o filho adormecido,
Ou se o filho que reza ante a materna lousa!...

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