domingo, 16 de junho de 2019

A lenda da Romã (Lenda), de Eduardo Sequeira


A romã simboliza a fecundidade e a riqueza pelo grande número de sementes que em si contém. Foi um fruto muito apreciado pelos antigos que o tinham em especial estima.
Dario, o grande rei asiático, repetia frequentemente que só desejava possuir tantos amigos fiéis como de sementes tem uma romã.
Era também frequente, naqueles bons remotos tempos os povos presentearem os reis que os visitavam com romãs, significando assim que lhes desejavam tão numerosos e felizes anos de vida, como as sementes contidas nos frutos.
Na Turquia, as noivas, após a cerimônia do casamento, atiram violentamente com uma romã ao chão; se o fruto não rebentar é sinal que não terão filhos, e rebentando terão tantos quantas forem as sementes que dele se espalharem pelo solo.
A romãzeira era também árvore fálica por excelência, fato confirmado pela seguinte e antiquíssima lenda narrada por Opiano.
Um homem viúvo namorou-se tão furiosamente de uma filha por nome Sida, que esta teve de suicidar-se para escapar à infame perseguição do pai. Os deuses condoídos transformaram Sida em romãzeira e o pai em falcão, e é por isso — diz Opiano — que estas aves nunca pousam na romãzeira, evitando-a cuidadosamente.

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Eduardo Sequeira - (Lenda dos Vegetais, 1892)
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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