segunda-feira, 3 de junho de 2019

Os galos (Fábula), de Ana de Castro Osório



Os galos

Uma família abastada, que vivia no campo, tinha três galos na capoeira.

O primeiro era um lindo animal, destes que têm espora no pé, crista refolhada, lindas penas de cores e cantam como reis absolutos.

O segundo, mais novo, era também bonito galo de estimação — para o futuro.

E o terceiro, ainda franganito, mal esganiçava o canto atrevido.

Houve uma grande festa na terra, e para casa da tal família veio hospedar-se um Fidalgo de cerimônia.

Mal esta novidade chegou às capoeiras, pôs-se o galo mais velho a cantar de cima de uma árvore, sabendo por experiência que haveria degola de inocentes.

— Có-que-ró-có, Fidalgo na casa! Responde o outro, mais abaixo:

— Cá-que-rá-cá, qual de nós será?!

E o pequenino, muito triste, por se considerar perdido, cantou, lamentoso:

— Qui-que-ri-qui, ai de mim!!

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