domingo, 22 de dezembro de 2019

Nicolau Tolentino, resumo biográfico




Nicolau Tolentino, resumo biográfico

Nicolau Tolentino de Almeida, 4º filho do Dr. José de Almeida Soares, nasceu na casa onde então moravam seus pais, à Calçada de Santo André em Lisboa, alguns minutos depois da meia-noite do dia 9 de setembro do ano de 1740 e foi batizado na igreja paroquial dos Anjos a 15 do mesmo mês e ano, sendo seu padrinho o filho primogênito dos Condes de Villa Flor.

Foi terminar os seus estudos preparatórios em Coimbra, e ao contar vinte anos e vinte dias de idade, matriculou-se, pela primeira vez, na Universidade, na faculdade de leis, em 1 de outubro de 1760, continuando a fazê-lo no mesmo dia e mês dos anos 1761, 1762, 1763, 1765 e 1769.

Tolentino confessa nas suas obras, que frequentara a dita Universidade sete anos, mas o que verdadeiramente consta dos livros competentes, é que foram tão somente seis, havendo o intervalo de um em 1764 e a ausência de três em 1766, 1767 e 1768. Pode ser que o poeta somasse sobre os referidos seis um de preparatórios.

Em 20 de agosto de 1767 obteve carta de professor régio de retórica e poética, com o ordenado, avultado para aquele tempo.

Não podemos colher certeza se o poeta completou, ou não, a sua formatura, mas é de crer que sim, visto ter ido matricular-se pela sexta vez em 1769, depois de ter estado durante dois anos a exercer o professorado em Lisboa.

Em 19 de janeiro de 1780 é nomeado sócio supranumerário da Academia Real das Ciências de Lisboa; e, em 21 de julho de 1781 é nomeado oficial praticante da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, sem nenhum vencimento.

Em 29 de abril de 1793, por ocasião do nascimento da princesa da Beira a Sra. D. Maria Tereza, foi agraciado com o hábito de Cristo. Em 1801 obteve imprimir gratuitamente na oficina régia a 1ª edição das suas obras, que a generosidade dos subscritores fez render uns doze mil cruzados. Por decreto de 31 de outubro de 1803, teve a aposentação de professor régio.

Em 22 de junho de 1811 faleceu na casa à rua dos Cardais de Jesus.
O poeta Tolentino era de estatura alta, cheio de corpo, de rosto redondo, pele clara e rosada, olhos pardos, nariz regular, boca larga e engraçadíssima, dentes belos, andar nobre e pausado.

Era taful no trajar e assas prendado.

Exercitado no jogo das armas brancas, tinha franco acesso nas casas de toda a juvenil nobreza do seu tempo, onde tais exercícios eram quase exclusivo passatempo.

Durante a sua frequência na Universidade de Coimbra, portou-se como bom estudante, mas um pouco cabula, e não havia mesada que lhe chegasse. Foi ali, o que mais tarde confirmou, um grande gastador.

Pela morte de sua mãe em 1767 interrompeu os seus estudos universitários, já por ser amicíssimo dela, já porque seu pai caiu num estado tal de angústia, pelo mesmo motivo, que descurou completamente o seu mister de advogado, minguando-lhe assim e por algum tempo os necessários recursos.

Tolentino, nesse apertado lance, tratou de obter emprego e é desse tempo que datam as suas exageradas choradeiras. Nunca foi jogador de profissão, como alguém interpretou pelos seus versos; jogava sim, por mera distração, como era uso em geral jogar-se na sociedade lisboeta. Cremos mesmo, que esse entretenimento, para ele, era um meio de captar simpatias entre os fidalgos, expondo praticamente o seu finíssimo trato à  prova dos que lhe poderiam ser úteis.

Logo que foi despachado professor de retórica, alugou casa na rua da Rosa e mais tarde na dos Fanqueiros, mas com a capacidade estritamente indispensável para dar aula, porque a sua assistência permanente foi, até 1780, em casa de seu pai.

Conviveu dentro e fora da Academia com seu primo, o Dr. José Bonifácio de Andrada e Silva — o patriarca da independência do Brasil, onde se lhe levantou uma estátua.

Não teve relações íntimas com Bocage, porque quando este veio pela primeira vez a Lisboa em 1782, contando apenas 16 anos de idade, já Tolentino passava dos 42 e achava-se colocado numa posição séria demais, para entrar em camaradagem com as verduras que levaram aquele poeta a seguir o caminho da Índia.

Em 1783, logo que teve a efetividade na secretaria de estado, foi morar para a Junqueira, montando desde logo carruagem, como usavam os do mesmo ofício, e vivendo largamente em companhia de sua irmã D. Ana e de seu sobrinho, o beneficiado Gonçalo José Maria, filho da dita senhora. Nenhum dos outros irmãos do poeta viveu em sua companhia.

A maior proteção e amizade que teve Nicolau Tolentino e sua família, foi a da dos viscondes de Vila Nova da Cerveira.

Foi, desde a entrada dos franceses em Portugal, que Tolentino perdeu a galhofa e se tornou taciturno; mas o que sobretudo o acabrunhou, e por assim dizer lhe abriu a cova, foi a morte de sua irmã D. Ana, em o dia 1º de março de 1811, essa, que havia sido a sua constante companheira durante 31 anos! Este golpe foi deveras o mais profundo; não lhe pôde resistir mais que 113 dias! Assim faleceu Tolentino, como já dissemos, na casa à rua dos Cardais de Jesus, para onde tinha vindo da Junqueira em 1808, e apenas ali residiu 3 anos. Foi sepultado não pobremente, mas como o eram as pessoas abastadas, em carneiro dentro da igreja das Mercês.

Do seu testamento, fechado em 2 de julho de 1808, consta que legara aos sobrinhos e a uma sua criada a soma de 350 mil réis.

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VISCONDE DE SANCHES DE BAENA
"Memórias de Tolentino" (1866)
Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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