segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

"Devaneio", de Saint-Germain




Poema: "Devaneio..."
Autor: Saint-Germain
Tradutor: Joaquim Serra
Ano: 1868
Revisão ortográfica: Iba Mendes (2020)
DEVANEIO
(SAINT-GERMAIN)

Quando ela passava, mil abelhas
Os lábios delicados lhe beijavam,
Do prado a messe, a rosa purpurina.
De seus dedos o toque cobiçavam.
Era tudo harmonia, amor, ternura,
Sob seus pés a relva mal vergava,
O regato a seguia gemebundo,
Quando ela passava!

Quando ela cantava, a voz melódica
Enchentes derramava de harmonia,
Como um fio de prata ou flórea chuva,
Tal o cântico doce parecia...
Por melhor escutá-la, junto aos lábios
Conchegar-me bem perto eu desejava,
Aspirar-lhe o perfume, a poesia,
Quando ela cantava!

Quando ela chorava, que tristeza!
Era sombrio o céu, a terra, tudo,
Sem brilho o sol, a rosa emurchecida,
Sem amores a selva, o arroio mudo.
Tudo morrer queria, e com seu pranto
A primavera triste se mostrava,
A natureza inteira padecia
Quando ela chorava!

Quando ela dormia, dos salgueiros
As palmas lhe velavam o quieto sono,
E a grama mais viçosa e luzidia,
Era ufana em servir-lhe ali de trono!
Mansas brisas corriam, a dormideira
Doce essência em seus olhos exprimia;
O passarinho o canto não trinava
Quando ela dormia!

Quando ela dançava, aéreas ninfas,
Tomando as vestimentas das pastoras,
Confundidas com ela se enlaçavam,
Em cadeias aéreas, sedutoras!
Apesar de formosas serem todas,
Jamais qual ela fosse eu duvidava,
Que a cercava do céu sutil aureola,
Quando ela dançava!

Porém quando ela amava, a bela esquiva,
 Quando alguém para amar ela escolhia,
No céu tudo era festa e neste mundo
Lua doce de mel alguém fruía...
Mas, ai, um beijo seu tinha veneno,
Corpo e alma em tormentos sepultava...
Mancenilha de amor, só dava a morte
Àquele que ela amava!

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