quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Poetas Populares: Agostinho Nunes da Costa



AGOSTINHO NUNES DA COSTA
(1797-1858)

Filho de Agostinho, também Nunes da Costa; nasceu na Ribeira do Sabugi, tendo sido um dos primeiros povoadores da Serra do Teixeira, onde serviu de tronco às famílias que povoaram Riacho Verde.

Foi pai de Guilherme, um espírito lúcido e combatente que se firmou na antiga crônica teixeirense, e dos poetas Nicandro e Ugolino.

Caráter rijo e de velha tempera.

A décima seguinte de sua autoria, comprova o grau de sua independência.

Esses versos foram improvisados, em represália a uma censura que alguém lhe fizera.

MOTE
Quem quiser falar de mim
Cante e grite pela rua,
Que eu como é na minha casa;
Cada qual coma na sua.

DÉCIMA
Nasci livre, Deus louvado,
E até sem medo fui feito
Porque meu pai, com efeito.
Com minha mãe foi casado;
Também nunca fui pisado,
Como terra ou capim,
E se alguém pensar assim
É engano verdadeiro;
Olhe para si primeiro,
Quem quiser falar de mim.

Mas, fale lá quem falar,
Que eu não morro de careta,
Para mim, tudo isso é peta,
Só Deus me pode matar;
Quem de mim se desgostar
Que me feche a porta sua;
Eu bem sei que quem me injua
E com raiva ou com inveja,
Mas como isso não me aleja
Cante e grite pela rua.

Deus me deu tal natureza
Que bem pouca gente tem:
Não invejo de ninguém
Seu brasão, sua riqueza!
Pois dos outros a grandeza
Não me abate, nem me abrasa.
É pequena a minha asa
Que mal chega para mim.
Alas, se é bom ou se é ruim,
Eu como é na minha casa.

Que importa a Pedro ou a Paulo,
Seja rico ou seja nobre,
Que eu vivendo como pobre
Ande a pé ou a cavalo?
A mim não me dá abalo
Toda grandeza da lua!
Cante e grite pela rua
Quem em paixão se abrasa;
Que eu como é na minha casa
Cada qual coma na sua.

Com minha mãe foi casado;
Também nunca fui pisado,
Como terra ou capim,
E se alguém pensar assim
É engano verdadeiro;
Olhe para si primeiro,
Quem quiser falar de mim.

Mas, fale lá quem falar,
Que eu não morro de careta,
Para mim, tudo isso é peta,
Só Deus me pode matar.

Que importa a Pedro ou a Paulo,
Seja rico ou seja nobre,
Que eu vivendo como pobre
Ande a pé ou a cavalo?
A mim não me dá abalo
Toda grandeza da lua!
Cante e grite pela rua
Quem em paixão se abrasa;
Que eu como é na minha casa
Cada qual coma na sua.


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Fonte:
Francisco Chagas Batista: “Cantadores e Poetas Populares” (1929)

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