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12/18/2017

O macaco e o rabo (Conto), de Sílvio Romero




O macaco e o rabo 
(Contos populares do Brasil – Pernambuco)

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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Uma ocasião achavam-se na beira de uma estrada um macaco e uma cotia e vinha passando na mesma estrada um carro de bois cantando. O macaco disse para a cotia: “Tira o teu rabo da estrada, senão o carro passa e corta.” Embebido nesta conversa, não reparou o macaco que ele é que corria o maior risco, e veio o carro e passou em riba do rabo dele e cortou. Estava um gato escondido dentro de uma moita, saltou no pedaço do rabo do macaco e correu. Correu também o macaco atrás, pedindo o seu pedaço de rabo. O gato disse: “Só te dou, se me deres leite.” — “Onde tiro leite?”, disse o macaco. Respondeu o gato: “Pede à vaca.” O macaco foi à vaca e disse: “Vaca, dá-me leite para dar ao gato, para o gato dar-me o meu rabo.” — “Não dou; só se me deres capim”, disse a vaca. “Donde tiro capim?” — “Pede à velha.”

— “Velha, dá-me capim para eu dar à vaca, para a vaca dar-me leite, o leite para o gato para me dar o meu rabo.” — “Não dou; só se me deres uns sapatos.” — “Donde tiro sapatos?” — “Pede ao sapateiro.” — “Sapateiro, dá-me sapatos para eu dar à velha, para a velha me dar

capim para eu dar à vaca, para a vaca me dar leite para eu dar ao gato, para o gato me dar meu rabo.” — “Não dou; só se me deres cerda.” 

— “Donde tiro cerda?” — “Pede ao porco.” — “Porco, dá-me cerda para eu dar ao sapateiro, para me dar sapatos para dar à velha, para me dar capim para dar à vaca, para me dar leite para dar ao gato, para me dar o meu rabo.” — “Não dou, só se me deres chuva.” — “Donde tiro chuva?” — “Pede às nuvens.” — “Nuvens, dai-me chuva para o porco, para dar-me cerda para o sapateiro, para dar-me sapatos para dar à velha, para me dar capim para dar à vaca, para dar-me leite para dar ao gato, para dar meu rabo...” — “Não dou; só se me deres fogo.” — “Donde tiro fogo?” — “Pede às pedras.” — “Pedras, dai-me fogo para as nuvens, para chuva para o porco, para cerda para o sapateiro, para sapatos para a velha, para capim para a vaca, para leite para o gato, para me dar meu rabo.” — “Não dou; só se me deres rios.” — “Donde tiro rios?” — “Pede às fontes.” — “Fontes, dai-me rios, para os rios ser para as pedras, as pedras me dar fogo, o fogo ser para as nuvens, as nuvens me dar chuvas, as chuvas ser para o porco, o porco me dar cerda, a cerda ser para o sapateiro, o sapateiro fazer os sapatos, os sapatos ser para a velha, a velha me dar capim, o capim ser para a vaca, a vaca me dar o leite, o leite ser para o gato, o gato me dar meu rabo.” Alcançou o macaco todos os pedidos; o gato bebeu o leite, entregou o rabo; o macaco não quis mais, porque o rabo estava podre.

O macaco e o rabo (Conto), de Sílvio Romero


O macaco e o rabo
(Contos populares do Brasil – Sergipe)

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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Um macaco uma vez pensou em fazer fortuna. Para isto foi-se colocar por onde tinha de passar um carreiro com seu carro. O macaco estendeu o rabo pela estrada por onde deviam passar as rodeiras do carro. O carreiro, vendo isto, disse: “Macaco, tira teu rabo do caminho, que eu quero passar.” — “Não tiro”, respondeu o macaco. O carreiro tangeu os bois, e o carro passou por cima do rabo do macaco, e cortou-o fora. O macaco, então, fez um barulho muito grande: “Eu quero meu rabo, ou então me dê uma navalha...” O carreiro lhe deu a navalha, e o macaco saiu muito alegre a gritar: “Perdi meu rabo! Ganhei uma navalha!... Tinglin, tinglin, que vou pra Angola!...” Seguiu. Chegando adiante encontrou um negro velho fazendo cestas e cortando os cipós com o dente.

O macaco:

“Oh, amigo velho, coitado de você!... Ora, está cortando os cipós com o dente! Tome esta navalha.” O negro aceitou, e, quando foi partir um cipó, quebrou-se a navalha. O macaco abriu a boca ao mundo e pôs-se a gritar: “Eu quero rainha navalha! Ou então me dê um cesto!” O negro velho lhe deu um cesto e ele saiu muito contente gritando: “Perdi meu rabo ganhei uma navalha, perdi minha navalha ganhei um cesto... Tinglin, tinglin, que vou pra Angola!” Seguiu. Chegando adiante encontrou uma mulher fazendo pão e botando na saia. “Ora, minha sinhá, fazendo pão e botando na saia! Aqui está um cesto.” A mulher aceitou, e, quando foi botando os pães dentro, caiu o fundo do cesto. O macaco abriu a boca no mundo e pôs-se a gritar: “Eu quero o meu cesto, quero o meu cesto, senão me dê um pão!” A mulher deu-lhe o pão, e ele saiu muito contente a dizer: “Perdi meu rabo ganhei uma navalha, perdi minha navalha ganhei um cesto, perdi meu cesto ganhei um pão!... O meu pão eu vou comer! Tinglin, tinglin, que vou pra Angola!...” E foi comendo o pão.