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10/17/2018

Canção outonal, de Paul Verlaine (Poema Traduzido)


Autor: Paul Verlaine
Tradutor Desconhecido
Revista Dom Casmurro, 18/08/1944.


                                                       Canção outonal

Os longos sons
Dos violões,
Pelo outono
Me enchem de dor
E de um langor
De abandono.

E choro quando
Ouço, ofegando,
Soar a hora,
Lembrando os dias
E as alegrias
E ais de outrora.

E vou-me ao vento
Que, num tormento,
Me transporta
De cá pra lá,
Cinto faz à
Folha Morta.



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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)

As mãos, de Paul Verlaine (Poema Traduzido)


Autor: Paul Verlaine
Tradutor: Manuel Bandeira
Revista Careta, 29/1/1949.

As mãos

As mãos que foram minhas, mãos
Tão bonitas, mãos tão pequenas,
Após tanto equívoco e penas,
Tantos episódios pagãos.

Após os exílios medonhos,
Ódios, murmurações, torpezas,
Senhoris mais do que as princesas
As caras mãos abrem.me os sonhos.

Mãos no meu sono e na minh’alma,
Pudera eu, ó mãos celestes,
Adivinhar o que dissestes,
A est’alma sem pouso nem calma!

Mente-me acaso a visão casta
De espiritual afinidade,
De maternal cumplicidade
E afeição estreita e vasta?

Caro remorso, dor tão boa,
Sonhos benditos, mãos amadas,
Oh essas mãos, mãos consagradas,
Fazei o gesto que perdoa!


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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018