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10/18/2018

Poema de Paul Verlaine (Tradução)


Autor: Paul Verlaine
Tradutor não identificado
Jornal O Dia, 24/1/1945.


A chuva cai mansamente sobre a cidade
Artur Rimbaud

Chora em meu coração
como chove lá fora.
Por que esta lassidão
me invade o coração?

O ruído bom da chuva,
no chão e nos telhados!
Para uma alma viúva,
Oh! o canto da chuva!

E chora com razão
meu coração amargo.
— Algum desgosto? — Não!
É um pranto sem razão.

E essa é a maior dor,
não saber bem por quê.
sem ódio sem amor,
eu sinto tanta dor!


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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)

10/17/2018

Alegoria, de Paul Verlaine (Poema Traduzido)

Autor: Paul Verlaine
Tradutor Desconhecido
Revista Dom Casmurro, 18/08/1944.
Alegoria

Um velho templo em ruínas num outeiro
Já meio amarelado pelo outono.
Como um rei destronado chora o trono,
Mira-se n'água morta do ribeiro;

Ao pé do amial, com ramo de salgueiro.
Uma ninfa anciã, tonta de sono
Provoca um fauno, em lânguido abandono,
Que sorri, bucólico e matreiro.

Tema insípido e ingênuo que me atristas,
Que poetastro, entre todos os artistas,
Te imaginou, — que artífice mofino,

Tapeçaria desbotada e arcaica,
Como um cenário de ópera, — prosaica,
E tão factícia como o meu destino.


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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018

O segredo do teu coração, de Rabindranath Tagore (Poema Traduzido)


Autor: Rabindranath Tagore
Tradutor: Bastos Portela
Ano: 1925
O segredo do teu coração

Se queres, meu amor, deixarei de cantar...
Se te assusto, se acaso eu te inspiro receio,
cegarei, para que não mais te possa olhar.
Se venho perturbar o teu recreio,
eu fugirei de ti, por um outro caminho...

E seguirei sozinho,
alheio ao mundo, alheio à vida, a tudo alheio...

Se te esquivas de mim,
às vezes, quando estás colhendo flores,
no teu jardim solitário,
no teu lindo jardim,
meu amor, nunca mais irei por onde fores,
nem nunca mais irei ao teu jardim...

No ar, dorme um perfume...
Paira um silêncio vago...

Ah, se o meu barco faz rumor n'água do Iago,
fala! Fala em segredo, num queixume...
E eu não mais singrarei a água azul do teu Iago...

Que é do teu coração?
Anda... Abre-o sem medo!
Põe tua alma de flor, aqui, na minha mão...
Dize-me o teu segredo!
Dize-o a mim, só a mim, que sou teu grande amigo...
E eu te ouvirei também com a minha alma na mão...
A noite desce, docemente...
A casa está deserta e silenciosa.
O sono embala os ninhos... Solidão!
Anda. Dize baixinho o que tua alma sente...
Dize-o, num choro vacilante,
ou num sorriso triste de emoção...

Dize, numa ternura dolorosa,
o segredo de amor que tens no coração...
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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)