quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pão, circo e farrapos

Pão, circo e farrapos

Ali enrolado entre farrapos,
não sei se sonha ou se delira.
Passam gentes...
Uns sorriem, outros cantam.
Alguns pensam na amada,
outros no carnê atrasado.
E ele está ali
enrolado entre farrapos.
Ali deitado.
Os olhos a vagar.
A noite chegando.
A solidão a corroer a alma.
A dor solitária.
O grito que não se solta.
Será que ele amou na vida?
Não sabemos.
Será que ele sonhou em ser presidente?
É uma incógnita.
Vejo-o ali deitado entre farrapos.
Ouço balbucios solitários.
Alguns gemidos dilacerantes.
Nem seu nome sabemos.
Será que ele tem nome?
Que seja José, João ou Antônio.
O fato é que ele está li enrolado entre farrapos.
Não sabemos se tem diabetes ou colesterol alto.
Será que fazia seresta?
Será que era um bom funcionário?
Não sabemos.
Tudo nele é mistério,
Ali abandonado,
enrolado entre farrapos.
O que lhe resta?
Meu Deus, que mundo é este?
O mesmo de Roma e de Cartago:
Pão, circo e farrapos.

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Por: Iba Mendes (dezembro, 2013)

Um comentário:

  1. Muito bom Mendes

    eis que lá no fundo sempe ecoou
    uma voz surda que vem se tornando grave
    O que não é útil é lixo

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