terça-feira, 10 de março de 2015

Juca Kfouri e a elite hipócrita

Juca Kfouri e a elite hipócrita

Com o título “O panelaço da barriga cheia e do ódio”, o jornalista Juca Kfouri não só polemicou nas redes sociais como, também, deixou claro sua posição ideológica no cenário político brasileiro: ele é da Esquerda, não faz parte da “elite branca”. Em vez disso, é da “elite hipócrita”, elite esta que se vangloria em tecer crítica ao “capitalismo selvagem” enquanto se conecta ao mundo com seu “iPhone” e sorve deliciosamente um “Dow Vintage Port” numa bela mansão com vista para o mar! É o socialista tipo Chico Buarque, que adora Cuba, mas prefere curtir uma tarde no Café la Favorite, na Rue de Rivoli, em Paris.

No artigo acima, publicado no seu blog, escreveu Juca:

“O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.”

Ora, como o Juca sabe que o tal “panelaço” não se deu contra a corrupção? Sim, afinal, que dados estatísticos ele se utilizou para chegar a esta rigorosa conclusão? E mais: o que o levou a inferir com tamanha precisão que o soar das panelas se deu apenas e tão somente entre a tal “elite branca”?

É bem provável que o Juca tenha escutado o estalar das panelas do seu próprio apartamento, obviamente rodeado desta “elite branca”, na qual ele se insere, mas da qual não faz parte. É bem irônico!

E conclui ele:

Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.”

A mim, que não sou da tal “elite branca” e que moro na periferia de São Paulo, soa bem estranho ler de alguém que estudou na USP e que ganhou fama e muito dinheiro na Editora Abril, vir a público com esse discurso franciscano, a la Madre Teresa de Calcutá.

Aliás, cabe perguntar: quando diretor da revista Playboy quem o Juca privilegiou para tirar a roupa? Não foram por acaso as beldades da chamada "elite branca"?

E, por fim, ao acusar a “elite branca” de odiosa, não estria ele destilando também seu pequeno ódio e esta mesma “elite branca”? 

Bom. Se canja de galinha não faz mal a ninguém, coerência também não!

É isso!



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Por: Iba Mendes (Fevereiro, 2015)

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