quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mino Carta, Veja e a Censura

Mino Carta, Veja e a Censura

Moralmente falando, vejo  Direita e a Esquerda  brasileira imergida na mesma matéria fecal. Em outras palavras:  é tudo farinha do mesmo saco ou raspa do mesmo tacho. 

Politicamente, segundo se atribui a Millôr Fernandes, a distinção fundamental entre ambas é que primeira acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a outra acredita cegamente em tudo que ensina.

Entre velhacarias e cinismos, há características que parecem mais peculiares entre uma e outra. No caso da Esquerda, é a hipocrisia.  O tipo de pessoa que adora criticar o capitalismo enquanto se conecta ao mundo com seu “iPhone” e sorve deliciosamente um “Dow Vintage Port” numa bela mansão com vista para o mar!

Não sei se o Mino Carta aprecia um "Dow Vintage Port" ou se come caviar. O pouco que sei dele é que foi o cara que idealizou as revistas Veja e Isto É, e que edita a Carta Capital, revista notadamente de viés esquerdista.

Numa entrevista concedida ao Jornal Movimento, no dia 7 de março de 1977, quando perguntado pelo periódico em que medida a censura pode ajudar uma revista, respondeu:

"A censura ajudou Veja. Ela estimulou certas camadas da população à compra da revista censurada. E, por outro lado, a censura espicaçou a própria redação a encontrar fórmulas, e até mesmo a encontrar um ideário que não estava bem definido. A censura, por exemplo, foi importante para mim, enquanto eu estive em Veja. Eu não gostaria de parecer cínico, estou apenas sendo realista, mas a censura acabou sendo um dado positivo na formação de pessoas, antes mesmo que na formação de jornalistas."

Talvez isso explique em partes porque o criador se voltou contra suas criaturas.


É isso!

"O Movimento": 7/3/77, p. 7

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