quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O beato Olavo de Carvalho




O beato Olavo de Carvalho


Poucas figuras no cenário intelectual brasileiro é tão controvertida e polemista quanto a pessoa de Olavo de Carvalho. Do "lado de cá" um turbilhão de fãs a admirá-lo, a defendê-lo, a divulgá-lo nos cenários virtuais e, se necessário, a fazer tudo o que ele mandar.  Do "lado de lá", seus ferrenhos e encarniçados opositores,  em geral esquerdistas verbalmente agressivos e incapazes de enxergar nele alguma virtude filosófica, ainda que mínima.  

Foram exatamente as abundantes críticas destes que fizeram despertar em mim a curiosidade em conhecer melhor esta figura. Ao fim de tudo,  definiria o Olavo como um espécie de Nelson Rodrigues de batina. Se por um lado ele fere as regras do decoro, com um palavreado empanturrado de obscenidades, por outro,  é capaz de defender os milagres católicos e de invocar a santíssima Virgem Maria e o Padre Pio de Pietrelcina.

Não se pode duvidar de sua inteligência. Poucas pessoas conhecem tão profundamente os conceitos marxistas e gramscistas  quanto Olavo de Carvalho. Possui ele uma extensa cultura filosófica, indo de Aristóteles a Otto Maria Carpeaux,  de Santo Agostinho a Aleksandr Dugin etc.

Se não se pode negar suas virtudes, tão pouco é possível omitir sua estupidez, que se manifesta, entre outras formas, na sua eterna mania de grandeza,  quando atribui a si próprio o status de "maior filósofo do Brasil".  É estúpido também quando destila sua intolerância verbal aos que o contestam.  É estúpido ainda quando tenta justificar suas posições ideológicas mediante conceitos religiosos ultrapassados e anacrônicos, sempre preso a um conservadorismo ao estilo Medieval.

Mas, enfim, entre virtudes e defeitos, Olavo de Carvalho é como aquele beato que, durante a liturgia, mostra-se cheio de piedade e devoção, porém, quando lá fora não é capaz de resistir às piscadelas das moças de fretes.


É isso!


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Por: Iba Mendes (Setembro, 2015)

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