quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A sabedoria do Midrash


A sabedoria do Midrash
Para quem não conhece, Midrash (plural midrashim) é um termo cuja origem vem de uma raiz hebraica que significa: estudar, examinar, explicar, elucidar. Refere-se a um gênero de literatura rabínica que se desenvolveu a partir do século V, perdurando até o fim do século XVI. Na prática trata-se de interpretações minuciosas de passagens bíblicas, compiladas em antologias, junto com lendas e contos do folclore judeu, porém, com a devida reverência ao texto original.
Como exemplo de interpretação do Midrash, farei um brevíssimo comentário de uma passagem bíblica em que Deus ordena a Abraão que conduza seu filho Isaque a uma montanha onde deveria sacrificá-lo. Vejamos...
“E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. / Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe” (Gn. 22:2, 4).
Por qual razão Deus indicou um local tão distante? Por que não uma montanha mais próxima, a qual pudesse ser alcançada em um dia em vez de três, por exemplo? Não havia nas proximidades da habitação de Abraão um local propício para um ato sacrifical?
É claro que sim. Mas, então, por que a três dias de distância?
Pobre Abraão! Além de conduzir o próprio filho ao cruel sacrifício, teria que suportar ainda tão prolongado remorso! Por quê?
Bom. Segundo interpretação do Midrash, Deus agiu assim a fim de dar tempo suficiente para Abraão pensar. Ou seja: quanto maior fosse a distância mais tempo ele teria para mudar de ideia e voltar atrás de seu propósito. Deus não queria que ele agisse pelo impulso do momento, mas que meditasse mais longamente acerca do que lhe fora incumbido fazer.
Ademais, diz a Midrash, o fato de Abraão ter tido três dias para desobedecer ao mandado de Deus, mostra o quanto Ele é justo. O Criador, quando pede alguma coisa, sempre oferece a possibilidade do livre arbítrio, isto é, do domínio absoluto das próprias ações.

É isso! 


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Por: Iba Mendes (2002)

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