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8/26/2016

A sabedoria do Midrash - II






A sabedoria do Midrash - II
O dicionário hebraico dá ao termo midrash os seguintes sentidos: estudo, interpretação, comentário, exegese, teoria, doutrina, ensinamento. 
No âmbito específico da religião judaica refere-se o Midrash a um gênero literário, cujo objetivo, conforme palavras do rabino Henry Sobel, é extrair cada gota possível de significado das sagradas escrituras.
Outro caso diz respeito a uma passagem do livro de Levítico, capítulo 15 e versículo 19, em que se lê: "Mas a mulher, quando tiver fluxo, e o seu fluxo de sangue estiver na sua carne, estará sete dias na sua separação, e qualquer que a tocar, será imundo até à tarde.”
Uma interpretação vulgar do texto bíblico diria que se trata de uma manifestação clara de preconceito contra a mulher, pois atribui à menstruação  o caráter de imundície ou de impureza. Uma interpretação da Midrash, porém, explica que o fato é uma demonstração viva do amor infinito de Deus, isto porque cada óvulo que a mulher perde durante o período menstrual, seria assim uma fonte potencial de vida que deixou de germinar; cada óvulo perdido é uma vida que também se perde.
Por iguais razões condenava Deus o chamado coito interrompido, uma vez que o sêmen lançado por terra era como uma semente que não pôde brotar: "Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão. E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que também o matou" (Gn. 38:9,10).

É isso!


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Por: Iba Mendes (2002)

8/18/2016

A sabedoria do Midrash


A sabedoria do Midrash
Para quem não conhece, Midrash (plural midrashim) é um termo cuja origem vem de uma raiz hebraica que significa: estudar, examinar, explicar, elucidar. Refere-se a um gênero de literatura rabínica que se desenvolveu a partir do século V, perdurando até o fim do século XVI. Na prática trata-se de interpretações minuciosas de passagens bíblicas, compiladas em antologias, junto com lendas e contos do folclore judeu, porém, com a devida reverência ao texto original.
Como exemplo de interpretação do Midrash, farei um brevíssimo comentário de uma passagem bíblica em que Deus ordena a Abraão que conduza seu filho Isaque a uma montanha onde deveria sacrificá-lo. Vejamos...
“E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. / Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe” (Gn. 22:2, 4).
Por qual razão Deus indicou um local tão distante? Por que não uma montanha mais próxima, a qual pudesse ser alcançada em um dia em vez de três, por exemplo? Não havia nas proximidades da habitação de Abraão um local propício para um ato sacrifical?
É claro que sim. Mas, então, por que a três dias de distância?
Pobre Abraão! Além de conduzir o próprio filho ao cruel sacrifício, teria que suportar ainda tão prolongado remorso! Por quê?
Bom. Segundo interpretação do Midrash, Deus agiu assim a fim de dar tempo suficiente para Abraão pensar. Ou seja: quanto maior fosse a distância mais tempo ele teria para mudar de ideia e voltar atrás de seu propósito. Deus não queria que ele agisse pelo impulso do momento, mas que meditasse mais longamente acerca do que lhe fora incumbido fazer.
Ademais, diz a Midrash, o fato de Abraão ter tido três dias para desobedecer ao mandado de Deus, mostra o quanto Ele é justo. O Criador, quando pede alguma coisa, sempre oferece a possibilidade do livre arbítrio, isto é, do domínio absoluto das próprias ações.

É isso! 


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Por: Iba Mendes (2002)