quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Entre vaias e lamentos

 


Entre vaias e lamentos

"No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua".  
Nelson Rodrigues


Discorrendo acerca do comportamento da torcida brasileira numa determinada competição olímpica, o jornalista Reinaldo Azevedo, em sua típica bipolaridade, escreveu: "...é evidente que a barbárie da torcida brasileira não pode ser admitida como coisa normal."

O jornalista da Veja não foi o único a tecer críticas às vaias dos nossos torcedores. Uma boa parcela dos colunistas de jornais e comentaristas da televisão também seguiu por este mesmo atalho. Em geral, a censura aos nossos torcedores dá-se em termos puramente comparativos. Enquanto aqui grassa a barbárie e a violência, na Europa reina a civilização e o respeito.  É a velha e subalterna mentalidade de colonizado.

Ao depreciar a atitude dos torcedores do Brasil, tais pessoas deixam de lado um componente básico entre os povos: a Cultura.  Cada país tem seus próprios valores e sua própria tradição, o que incluem as manifestações de alegria e tristeza. Em Gana (África), por exemplo, se gasta mais com um funeral do que com um casamento, tamanha é a extravagância de suas festas. Entre nós, ao contrário, paga-se até carpideiras.

As vaias são, pois, uma característica peculiar à nossa cultura. Rotulá-la pejorativamente é ignorar toda uma tradição; é menosprezar a nossa própria história. É como dizer que os chineses são mal educados porque arrotam em público depois que comem.  

"Cada qual no seu quadrado", já dizia o jargão popular. De resto, é pura choradeira de quem nasceu Zé e quer virar John!



É isso!


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Por: Iba Mendes (Agosto, 2016)

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