terça-feira, 16 de agosto de 2016

Linguística de pinel



Linguística de pinel
Tempos atrás quando a praga do “politicamente correto” se introduzia em nosso cotidiano como uma necessidade imperativa, publicou-se nos Estados Unidos uma nova versão da Bíblia na qual foram suprimidos alguns termos considerados “impróprios” segundos os engomadinhos da nova vertente sociológica. Extraiu-se, por exemplo, a palavra “escuridão”, substituindo-a por “noite”, pois segundo os seus organizadores, o sentido “pejorativo” da palavra “escuridão” poderia ser associado a pessoas de pele negra. Nesta mesma versão, Deus não é chamado Pai, e sim Pai-Mãe, por causa do suposto sentido autoritário e machista do termo Pai.
De lá para cá a coisa descambou para uma espécie de Estado policialesco da linguagem, culminando no que denomino de “linguística de pinel”, como no caso do Colégio Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, onde professores encarnados na figura de Simão Bacamarte, transformaram a instituição numa espécie de “Casa Verde” adotando o termo “alunxs” para se referir a estudantes sem definir o gênero. Agora, em nome da “alteridade de gênero”, não se deve falar ou escrever médico, enfermeiro, advogado, entre outros. Para não ferir suscetibilidades alheias, devemos fazer uso dos neutros:   "médicx", "enfermeirx" e "advogadxs".
A “Nova Lunática de Língua Portuguesa” transformou toda uma tradição linguística em simples rótulo de “preconceito”. Doravante viciado é dependente químico, negro é afrodescendente, veado ou bicha é homossexual, anão é pessoa com nanismo, cego é deficiente visual, e por aí vai.   Pega mal chamar o bêbado de bêbado, o gordo de gordo, o feio de feio... A novilíngua dos educadinhos chiques e perfumados trouxe à lume “fobias” para todos os gostos e ocasiões. Agora temos: gordofobia (preconceito contra o gordo), ateufobia (preconceito contra o ateu), islamofobia (preconceito contra o muçulmano), cristofobia (preconceito contra o cristão) etc.
Mas a pecha do politicamente correto não se restringe exclusivamente ao âmbito da linguagem. A coisa chegou a tal ponto que um simples espirro no andar de cima pode culminar em processo por danos morais no andar de baixo.  Tudo é preconceito; tudo é racismo; tudo bullying; tudo é ofensa. Aos poucos a liberdade criativa vai cedendo ao medo do pejorativo rótulo de “preconceituoso”, afetando inclusive nossa maneira de fazer humor. Hoje as divertidas brincadeiras de Didi e  Mussum  seriam naturalmente enquadradas de racistas. Nada escapa ao crivo dos novos censores da linguagem e do comportamento. Anos atrás até o nosso Monteiro Lobato fora levado ao Tribunal, acusado de racismo contra a tia Anastácia.  Nossos tradicionais heróis dos quadrinhos também já cederam. Recentemente resolveram tirar do armário o forte e destemido Lanterna Verde, o qual assumiu publicamente sua homoafetividade. O mimadinhos aplaudiram de pé. A ala feminina, por sua vez, pressiona a Disney para que transforme a bela Elsa (de Frozen) na primeira princesa lésbica. O importante é que todos fiquem felizes e que não haja discrepâncias entre os gêneros.Tudo em nome da diversidade!!!
Dias atrás criticou-se duramente as vaias dos brasileiros durante os jogos olímpicos. Alguns falaram em falta de educação e ausência de espírito esportivo. Houve quem nos comparassem com o “civilizado” europeu, concluindo daí que somos um povo inculto e bárbaro. Querem até censurar nossa alegria e restringir nossa maneira de nos divertir. Nesse ritmo acelerado de estupidez, não vai demorar muito e logo vão querer dar voz de prisão ao pugilista que nocautear o adversário na rinha de boxe.
É claro que existe preconceito, e que o racismo ainda é uma triste realidade aqui e no mundo. Todavia, não é possível aceitar que em nome de uma tal “diversidade” se transforme uma reflexão em censura e uma piada em crime.  A regra da boa convivência é não querer para os outros o que não se deseja para si mesmo. O resto é linguística de pinel, é o império do manicômio.


É isso!

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Por: Iba Mendes (Agosto de 2016()

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