sábado, 11 de março de 2017

Vitrines sexuais


 Vitrines sexuais

Dentre os inúmeros modismos que surgiram nos últimos anos, um deles recai sobre a sexualidade, ou mais especificamente sobre a opção sexual de determinada pessoa. Rotineiramente chegam ao público notícias de celebridades que, de um dia para o outro, decidem alardear ao mundo sua preferência sexual entre quatro paredes. Com outras palavras: resolvem "sair do armário".

Os anúncios geralmente vêm acompanhados de desabafos solenes que se mesclam com sentimentos de heroísmo e orgulho. "Sou uma lésbica poderosa, falo isso com muito orgulho e tranquilidade", afirmou a cantora Daniela Mercury... "Eu tenho orgulho de dizer que sou homossexual e sou abençoado por ser quem eu sou", escreveu o ex-Menudo Ricky Martin...

A atitude, ao que parece, objetiva a "libertação" de um sentimento opressivo, o qual desgasta e faz sofrer. Serviria assim como uma espécie de "terapia" para amenizar os efeitos corrosivos do preconceito social de uma maioria que insiste em tratar a homossexualidade como uma doença repulsiva.

Se por um lado tal comportamento parece louvável e até legitimado, por outro revela-se absolutamente imaturo e desnecessário. E a razão é simples: o que adultos livres fazem entre si, em particular, é problema deles. Não necessita ser justificado — nem deve ser condenado...

A par disto, não me interessa saber se o meu cantor preferido (ator, escritor, artista etc.) faz sexo anal ou oral, se pratica sadomasoquismo ou poliamor, se já leu o "Kama Sutra" ou "Cinquenta tons de cinza", se frequenta Sex Shop ou clubes de swing, se tem fetiche por pés ou por barbas, se é dado à coprofagia ou à corpopraxia, se prefere "frango assado" ou "anjo esquartejado", se faz "de ladinho" ou "em pé", se é gay ou lésbica etc., etc., etc. O que de fato me interessa é se ele representa bem o seu papel: seja cantando, seja representando, seja escrevendo... Não preciso saber de suas preferências sexuais, não faço a menor questão de conhecer sua intimidade entre quatro paredes, de suas bizarrices e de suas loucuras na cama. De resto sobra a vaidade de quem se expõe e o ridículo de quem se importa com isso.



É isso!


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Por: Iba Mendes (Março, 2017)
 

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