quarta-feira, 31 de maio de 2017

Denis Buican: "Darwin e o Darwinismo"


Denis Buican: "Darwin e o Darwinismo"
Como de hábito, perambulando em um dos muitos sebos do centro de São Paulo, deparei-me com o livro "Darwin e o Darwinismo", do professor da Sorbonne, Denis Buican. Embora o autor seja aparentemente mais um dos que colaboram no processo de "endeusamento" do naturalista inglês Charles Darwin, quando, porém, discorre acerca da Eugenia, não o isenta da pecha dessa teoria racista, outrora apreciada e glorificada como “lídima ciência”. Se não, vejamos...

Para Darwin, a jóia da civilização europeia é o mundo anglo-saxão: "A superioridade notável que tiveram, sobre outras nações europeias, os ingleses, como coloniza-dores, superioridade atestada pela comparação dos progressos realizados pêlos canadenses de origem inglesa com os de origem francesa foi atribuída à sua 'energia persistente e à sua audácia'; mas quem poderia dizer como os ingleses adquiriram essa energia? Certamente, há muita verdade na hipótese que atribui ã seleção natural os maravilhosos progressos dos Estados Unidos, assim como o caráter de seu povo; os homens mais corajosos, mais enérgicos e mais empreendedores de todas as partes da Europa emigraram durante as dez ou doze últimas gerações, para irem povoar esse grande país e lá prosperaram.
Assim, Darwin volta à sua teoria da seleção natural, para explicar o progresso da humanidade e dos povos: "Se não tivesse sido submetido à seleção natural durante os tempos primitivos, o homem, certamente, nunca teria atingido a posição que ocupa hoje. Quando vemos, em muitas partes do mundo, regiões extremamente férteis, povoadas por alguns selvagens errantes, enquanto poderiam alimentar numerosas famílias prósperas, inclinamo-nos a pensar que a luta pela existência não foi suficientemente rude para forçar o homem a atingir seu estado mais elevado.
Falando da ação da seleção natural sobre as nações "civilizadas", Darwin fica muito próximo das ideias de Wallace e Galton, isto é, da eugenia: "Entre os selvagens, os indivíduos fracos de corpo ou de espírito são prontamente eliminados, e os sobreviventes são geralmente notáveis por seu vigoroso estado de saúde. Quanto a nós, homens civilizados, fazemos, ao contrário, todos os esforços para deter a marcha da eliminação; construímos hospitais para os idiotas, os inválidos e os doentes; fazemos leis para ajudar os indigentes; nossos médicos utilizam toda a sua ciência para prolongar, tanto quanto possível, a vida. Podemos crer que a vacina preservou milhares de indivíduos que, fracos de constituição, te riam outrora sucumbido à varíola. Os membros débeis das sociedades civilizadas podem, pois, reproduzir-se in definidamente. Ora, quem trata de reprodução de animais domésticos sabe perfeitamente quanto essa perpetuação dos seres débeis deve ser nociva à raça humana.
Apesar desse temor pela descendência do homem, na ausência da seleção natural, Darwin, moderado por uma concepção humanista, não leva seu raciocínio até um eugenismo exacerbado, pois, diz ele, abandonando os fracos e os inválidos, "só poderíamos ter em vista uma vantagem eventual, às custas de um mal presente, considerável e certo. Devemos, pois, suportar sem nos queixarmos os efeitos incontestavelmente maus, que resultam da persistência e da propagação dos seres débeis. Parece, todavia, que existe um freio para essa propagação, pois os membros doentios da sociedade se casam menos facilmente que os membros sãos. Esse freio poderia ter uma eficácia real, se os fracos de corpo e de espírito se abstivessem do casamento; mas esse é um estado de coisas que é mais fácil desejar que realizar".

É isso!
Iba Mendes
São Paulo, 2011.

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