quarta-feira, 31 de maio de 2017

Thomas Huxley: "Darwiniana: A Origem das Espécies em debate"


Thomas Huxley: "Darwiniana: A Origem das Espécies em debate"

Li recentemente este livro publicado pela Editora Madras, que reúne alguns ensaios de Thomas Huxley, cientista e grande amigo do naturalista inglês Charles Darwin. Por sua defesa apaixonada ao autor de "A Origem das Espécies", Huxley recebeu a merecida alcunha de "Bulldog de Darwin".
No ensaio VIII ("Charles Darwin"), de 27 de abril de 1882, no mesmo mês e ano da morte de Darwin, escreveu fazendo jus ao seu "cão de Darwin":
"Era esse raro e maior talento que mantinha sua viva imaginação e grande poder especulativo, dentro dos devidos limites, que o impeliu a empreender os trabalhos prodigiosos da investigação e da leitura original sobre as quais suas obras publicadas se basearam; que o fizeram aceitar críticas e sugestões de qualquer e de todas as pessoas, não somente com paciência, mas com expressões de gratidão e, às vezes, comicamente, além de seu real valor, e que o levou a não permitir que ninguém fosse ludibriado por frases e sem economizar tempo e sacrifícios para conseguir ideias claras e distintas a respeito de cada tópico em que estivesse envolvido.
Conversar com Darwin trazia sempre a lembrança de Sócrates. Havia o mesmo desejo em encontrar alguém mais sábio do que ele; a mesma crença na soberania da razão; o mesmo bom humor imediato; o mesmo interesse colaborativo em todas as formas e trabalhos dos homens. Em vez de desistir a respeito dos problemas da Natureza, considerando-os impossíveis de solução, nosso filósofo moderno dedicou sua vida inteira em atacá-los com o mesmo espírito de Heráclito e de Demócrito, cujos resultados são a substância da qual suas especulações eram apenas sombras auspiciosas".
Destaco ainda, tomando por fundamento o referido Ensaio, a opinião de Huxley sobre o conceito de “evolução” em três importantes nomes da contemporaneidade de Darwin, incluindo este:
"Os srs. Wallace e Mivart ainda vão além. Eles são tão fortes adeptos da evolução quanto o próprio sr. Darwin. Mas o sr. Wallace nega que o Homem possa ter evoluído de um animal inferior pelo processo da seleção natural o qual, tanto ele como o sr. Darwin, acreditam ter sido suficiente para a evolução de todos os animais abaixo dele. Enquanto o sr. Mivart, admitindo que a seleção natural foi uma das condições da evolução dos animais abaixo do Homem, acredita que a seleção natural, mesmo no caso desses animais, deva ter sido complementada por "alguma outra causa" - de cuja natureza, infelizmente, ele não tem nenhuma ideia. Dessa forma, o sr. Mivart é menos darwiniano que o sr. Wallace, pois tem menos fé no poder da seleção natural. Entretanto, ele é mais evolucionista do que o sr. Wallace, porque este pensa que seja necessário apelar para um agente inteligente - uma espécie de sir John Sebright sobrenatural - para produzir até mesmo a estrutura animal do Homem, enquanto o sr. Mivart não precisa de assistência divina para chegar à alma do mesmo."

É isso!

Iba Mendes
São Paulo, 2012.

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