domingo, 18 de março de 2018

Alvarenga Peixoto (Biografia)


Alvarenga Peixoto - Aspectos biográficos


Artigo publicado no ano de 1901, no "Correio Mercantil". Pesquisa, transcrição e adaptação orográfica: Iba Mendes (2018)

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José de Inácio, poeta brasileiro, falecido em 1744, no Rio de Janeiro, era filho de Simão de Alvarenga Braga e de D. Ângela Micaela da Cunha. Estudou preparatórios no Colégio dos Jesuítas desta cidade, indo depois para Coimbra, onde bacharelou-se na Faculdade dessa cidade. Em seguida, graças à interferência do padre Manuel de Macedo, foi nomeado pelo Marquês de Pombal, juiz de fora de Cintra.

Regressou ao Brasil em 1766, sendo nomeado ouvidor do Rio das Mortes, em Minas Gerais. Tendo renunciado à magistratura, recolheu-se a uma fazenda que possuía, ocupando-se da lavoura e de trabalhos de mineração. Nessa época D. Rodrigo de Meneses conferiu-lhe a patente de coronel de cavalaria de Rio Verde. Relacionado com as principais famílias da capitania de São João del-Rei, onde possuía a sua fazenda, comprometeu-se na conspiração mineira de 1789, da qual foi um dos principais cabeças seu cunhado Francisco de Paula Freire de Andrade.

Foi, segundo se afirma, Alvarenga Peixoto quem propôs a divisa para dístico da bandeira republicana. Quando descoberta a conspiração foi preso em São João del-Rei, em maio de 1789 e, conduzido para Ouro Preto, recolhido à cadeia de Vila Rica, tendo sido, em seguida, enviado para o Rio de Janeiro onde, além de algemado, ficou preso e incomunicável na Ilha das Cobras.

Comprometeu-se bastante nos interrogatórios a que foi submetido, tendo sido condenado à morte. A sentença com que o condenou assim reza: “Condenam os réus... Inácio José de Alvarenga Peixoto que... que com o baraço e pregão sejam conduzidos pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morram morte natural para sempre, e depois de mortos lhes serão cortadas suas cabeças e pregadas em postes altos até que o tempo as consuma... a do réu Inácio José Alvarenga Peixoto no lugar mais público da Vila de São João del-Rei até que o tempo a consuma, declaram a este réu infame e infames seus filhos e netos e os seus bens confiscados para o fisco e câmara real.”

Foi-lhe, entretanto, comutada a pena de morte em degredo perpétuo para Angola, tendo falecido, em 1793, no presídio de Ambaca. Sua esposa, ao ter conhecimento da iníqua sentença que condenara Alvarenga Peixoto enlouqueceu, tendo sua filha sucumbido de dor.

Segundo consta dos autos de devassa da Inconfidência Mineira a família de Alvarenga Peixoto era composta de sua esposa D. Bárbara Eleodora Guilhermina da Silveira e dos filhos varões: José Eleutério, de idade de 4 anos; João Damasceno, de 3 anos, e Tristão de 2, e da filha Maria Ifigênia, de 12 anos.

Como poeta fez parte Alvarenga Peixoto da Arcádia com o nome de Alcece, segundo uns, e de Eureste Fenício, segundo outros. Nas suas composições ressaltam sempre o amor da família e a independência da Pátria. São notáveis os versos que enviava da prisão à sua mulher e, quando se referia à libertação dos escravos como meio da libertação da Pátria.

Escreveu: Mérope, tradução da tragédia de Cipião, oferecida em 1776 ao Marquês do Lavradio; Enéas no Lácio, drama em verso, escrito em Minas e também remetido ao Marquês de Lavradio; diversas odes, entre as quais se destacam a dedicada à rainha Dona Maria I, ao Marquês de Pombal e a que compôs em honra da Universidade de São Coimbra. São lindos e delicados os versos em que ele pinta o retrato de sua adorada a quem ele chama Anasda. As obras poéticas de Alvarenga Peixoto foram anotadas e coligidas por Norberto de Souza e Silva e publicadas em Paris, em 1865.

“Correio da Manhã”, junho de 1901.

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