sexta-feira, 15 de junho de 2018

“A Cama” (“O Leito”), de José María de Heredia (Poema Traduzido)


Autor: José María de Heredia
Tradutor: Padre Correa de Almeida
Ano: 1901
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)

---


A Cama


Brilhe o seu cortinado em seda ou melhor coisa,
ou alegre qual ninho ou triste como a cela,
é aí que o homem nasce e se achega e repousa,
criança, moço, ancião, matrona, avó, donzela.

Fúnebre ou nupcial, tenha defunto ou esposa,
água benta e na cruz a fixa imagem bela,
tudo começa aí, daí se vai à lousa,
desde o claro arrebol à noite que nos vela.

Humilde, tosca, estreita, ou mesmo quando a cubra
dourado sobrecéu ou linda umbrela rubra,
de vinhático seja ou de atra cabiúna,

Feliz é quem dormiu sem remorsos nem susto
na cama paternal, do respeito mais justo,
onde nascem os seus e onde a morte os reúna.

***

Autor: José María de Heredia
Tradutor: Heráclito Viotti
Ano: 1901
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)

---

O Leito

Pertença à gente pobre ou de fidalga estema,
Tenha o aspecto de um ninho ou de uma sepultura,
Nele se perpetua a humana criatura:
Da descuidosa infância à velhice suprema.

Duro, frio, funéreo — onde alguém sofra e gema;
Ou florido, nupcial; d'imácula brancura,
Nele tudo se apaga, assim como fulgura:
Da primeira alvorada, à luz de um círio extrema.

Modesto, humilde mesmo, ou do dossel altivo
Triunfalmente pintado à púrpura e ouro vivo;
Seja, embora, de pinho ou preciosa madeira,

Venturoso é quem pôde adormecer, sonhando,
No leito paternal macio e venerando
Que, foi berço dos seus e estancia derradeira.


***

Autor: José María de Heredia
Tradutor: Carlindo Lellis
Ano: 1901
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)

---


O Leito

Sob um fino dossel de sarja ou de brocado,

Triste como uma tumba, alegre qual bulhento
Ninho, nele o homem nasce e repousa o cansado
Corpo — criança, pai, mãe de seio opulento.

De morte ou de himeneu, do hissope abençoado,
Sob a imagem do Cristo ou sob o ramo bento,
Nele começa tudo e tudo é terminado,
Do vagido primeiro ao derradeiro alento.

Humílimo que seja ou seja, num esforço,
Feito de erable fino ou feito de um robusto
Carvalho, pincelado em ouro, ou de outra sorte,

Feliz quem repousar, sem medo e sem remorso,
Pôde no leito em que viram os seus, sem susto,
O alvorecer, da vida, o anoitecer da morte!


***

Autor: José María de Heredia
Tradutor: M. Viotti
Ano: 1901
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)

---

O Leito

Que seja de brocado ou sarja a sua umbela,
Triste como uma tumba; ou ninho prazenteiro,
É nele que o homem nasce e descansa o ano inteiro,
Criança, esposo, ancião, avó, mãe ou donzela.

Funéreo ou nupcial, quando a hissope o pincela
Sob o ramo bendito ou o negro cruzeiro,
Tudo nele começa e tem seu paradeiro,
Do primeiro arrebol à luz da última vela.

Pobre, tosco, cerrado, ou, do laquear, vaidoso,
Triunfalmente dourado ou de rubro glorioso,
Que seja de harto roble,—  cipreste ou acer brando;

Ditosos quantos dormem e em tempo algum temeram
No leito paternal, maciço e venerando,
Onde todos os seus nasceram e morreram.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sugestão, críticas e outras coisas...