sexta-feira, 15 de junho de 2018

“O Pão Maldito”, de Guy de Maupassant (Poema Traduzido)


Autor: Guy de Maupassant
Tradutor: Silvestre Lima
Ano: 1901
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)

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O Pão Maldito


Abençoado há um pão, —  esse que sem alarde,
Mas, com valor da terra é preciso arrancar.
E o pão do trabalho, o que aos filhos, à tarde.
O pai risonho traz, quando recolhe ao lar.
Mas, outro há que nos deixa acre e eterno resquício
Nos lábios, pão que o inferno espalha em profusão.
Filhos, deste fugi, pois que é o pão do vício!
Meus filhos não toqueis nesse maldito pão!

Respeite se o infeliz que, já de forças falho
Pelos anos,  — nos pede uma esmola, a gemer.
Despreze-se, porém, o que foge ao trabalho
E ousa a valida mão a quem passa entender.
Quem assim pede rouba ao que tombou na liça,
Exausto e velho, e dorme esfalfado no chão.
Vergonha a quem assim nutre o pão da preguiça!...
Meus filhos, não toqueis nesse maldito pão!...

Costureira gentil, mesmo, onde estás, marulha
A onda, e chega-te aí mesmo a voz do sedutor....
Pobre criança, vá!... Não desprezes a agulha!
Pensa que és de teus pais o seu único amor.
No luxo torpe e vil, como acharás encanto,
Quando a te maldizer teus pais expirarão?
É o pão da desonra, amassado com pranto...
Meus filhos, não toqueis nesse maldito pão!


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Autor: Guy de Maupassant
Tradutor: Bento Ernesto Junior
Ano: 1901
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)

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O Pão Maldito

Há um pão santo que na terra brota
Regado aos poucos com o suor do rosto
Pão do trabalho, que alimenta os pobres
Dá-nos vigor, consolação e gosto.
Mas outro existe que a infâmia amassa
E o inferno serve descaradamente...
No pão do crime não toqueis, meus filhos,
É pão maldito que envenena a gente!

Socorro ao pobre que, curvado de anos,
Pede a quem passa piedosa esmola.
Tristes velhinhos que a desgraça esmaga....
A caridade o próprio Deus consola.
Mas, nunca o obreiro preguiçoso e mau
A mão estenda aviltadoramente.
É pão de crime! Não toqueis, meus filhos,
É pão maldito que envenena a gente!

Gentil criança, costureira escuta:
Não sigas nunca as seduções do mundo;
Ouve os conselhos de teus pais amigos
Porque a desonra é um lodaçal profundo....
Todo esse luxo que te embriaga a vista
Em si contém a podridão fremente.
No pão do vício não toqueis, meus filhos,
É pão maldito que envenena a gente!

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