sexta-feira, 15 de junho de 2018

“O Estrangeiro “, de Sully Prudhomme (Poema Traduzido)


Autor: Sully Prudhomme
Tradutor: Antônio Sales
Ano: 1907
Transcrição e atualização: Iba Mendes (2018)


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O Estrangeiro

Pergunto muita vez: De que raça és nascido?
Nada há que tenha o dom de prender-te ou encantar-te;
Nada que o pensamento e os sentidos te farte;
Fazes supor que um bem infindo te é devido.

Que paraíso, entanto, hás tu jamais perdido?
De que causa superna empunhaste o estandarte
Para ver só miséria e vício em toda a parte,
Que virtude e beleza inatas te hão nutrido?

À saudade de um céu, que eu entrevejo obscuro,
Ao meu tédio divino, uma origem procuro,
Que em meu peito de argila indistinta se some...

E das dores que exprime a espantar-me o primeiro,
Sinto chorar em mim um sublime estrangeiro
Que sempre me ocultou sua pátria e seu nome.

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