terça-feira, 13 de novembro de 2018

Heródoto (Aspectos Biográficos)


Heródoto

A literatura grega é a mais original de todas. Na Hélade se formaram todos os gêneros e, nas regiões formosíssimas em que as artes e as ciências tanto se adiantaram, esses mesmos gêneros literários alcançaram esplendor que, mais tarde, com o decorrer dos séculos, poucos países da civilização ocidental conseguiram igualar.

A História, como gênero literários, nasceu na Grécia, com a Logografia. Os logógrafos surgem no século VI e fazerem uma história seca, e sem intenções críticas ou artísticas. O mais celebre desses logógrafos foi Hecateu de Mileto, que escreveu "As Genealogias " e "A Descrição da Terra"; é uma história com muito de geografia.

O pai da História, Heródoto, nasceu em Halicarnasso no ano de 480 a. C. Halicarnasso, cidade de origem cária, foi colonizada por dóricos e sofreu a influência da civilização jônica.

De família rica e nobre, Heródoto começou cedo a estudar. Ao ler Homero,  resolveu-se a abraçar decididamente a sua vocação de historiador.

Imiscuindo-se em lutas políticas, foi obrigado a curtir um período de exílio em Samos. Depois, deixando a ilha, visitou numerosos países da Ásia Menor, o Egito, a Fenícia, Tiro e Sidon, Babilônia, as costas do Mar Negro. Voltando dessa peregrinação pelo mundo então conhecido, tornou a ficar-se na ilha de Samos, onde, influenciado pelo espírito da cultura jônica, escreveu as suas "Histórias". Heródoto morreu no ano de 425 a. C.

Heródoto cria o gênero histórico e lhe dá um nome: "Historia" ou investigação. As "Historias" de Heródoto contém nove livros e foram batizadas pelos alexandrinos com os nomes das noves musas.

Essas "Histórias” abarcam um período de 320 anos. Aí se conta a luta entre os gregos e os bárbaros, desde o tempo de Creso até Xerxes. Isso, como assunto principal. Como assunto marginal, Heródoto vai relatando a história dos povos que a Pérsia englobou em seu império, na sua ânsia de hegemonia política.

O que é interessante nas Histórias de Heródoto é a predominância do espirito religioso e das ideias filosóficas na descrição e no comentário. Os acontecimentos jamais saem da pena do primeiro historiador sem uma análise de natureza filosófico-religiosa.

Certo, Max Egger afirma que em Heródoto há a falta sensível de um certo rigor de seleção de material; ele acolhia certas legendas e determinados exageros da tradição com muita benevolência. Mas o que é de primeira grandeza é a agilidade com que as figuras dos grandes estadistas são manejadas pelo escritor: todos eles são animados pelas palavras de fogosos discursos, que o historiador coloca em suas bocas, fazendo com que todos eles emitam pensamentos, pareceres, ideias características de suas personalidades.

Como os historiadores rústicos que o precederam (os logógrafos), Heródoto escreveu no dialeto jônico. Nessa língua elegante e fluente, o estilo do pai da História é simples, fácil e gracioso. Assim, a História, nesse momento inicial de sua existência como gênero independente, é, acima de tudo, pretexto para criação de beleza estética.

Heródoto não foi apenas o criador da História: ele mesmo se colocou, por suas virtudes de escritor, entre um dos mais sagazes e dos mais equilibrados artistas do gênero literário que criou.


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Fonte:
Revista Vamos Ler!
Edição de 17 de agosto de 1939.

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