quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Sorte grande (Conto), de Monteiro Lobato



Sorte grande

Foi numa quieta cidadezinha entrevada, dessas que se alheiam do mundo com a discrição humilde dos musgos. Havia lá a gente do Moura, o arrecadador de taxas municipais no mercado. A morte arrecadou o Moura muito fora de tempo e propósito. Consequência: viúva e sete filhos na “dependura”.

Dona Teodora, quarentona que nunca soubera a significação da palavra descanso, viu-se de trabalhos dobrados. Encher sete estômagos, vestir sete nudezas, educar outras tantas individualidades... Se houvesse justiça no mundo, quantas estátuas a certos tipos de mães!

A vida em tais lugarejos lembra a dos líquens na pedra. Tudo se encolhe no “limite” — no mínimo que a civilização comporta. Não há “oportunidades”. Os meninos mal empenam emigram. As meninas, como não podem emigrar, viram moças; as moças passam a “tias”; e as tias evoluem para velhinhas enrugadas como o maracujá murcho — sem que nunca venha ensejo para a realização dos dois grandes sonhos: casamento ou ocupação decentemente remunerada.

Os empreguinhos públicos, de paga microscópica, são tremendamente disputados. Quem se aferra a um, dali só é arrancado pela morte — e passa a vida invejado. Uma só saída para as mulheres, afora o casamento: a meia dúzia de cadeiras das escolinhas locais.

O mulherio de Santa Rita lembra os rizomas de gladíolos de certas casas de “cera e sementes” pouco frequentadas. O dono do negócio os expõe numa cesta à porta, à espera do freguês eventual. Não aparece freguês nenhum — e o homem os vai retirando da cesta à proporção que murcham. Mas o estoque não diminui porque entram sempre rizomas novos. O dono da casa de “cera e sementes” de Santa Rita é a Morte.

A boa mãe revoltava-se. Tinha culpa de terem vindo ao mundo as cinco meninas e os dois meninos, e de nenhum modo admitia que elas virassem maracujás secos e eles se estiolassem na lambança viciosa dos zés-ninguém.

O problema não era totalmente insolúvel com os meninos, porque podia mandá-los para fora no momento oportuno — mas as meninas? Como arranjar a vida de cinco moças numa terra em que havia seis para cada homem casadouro — e só cinco cadeirinhas?

A mais velha, Maricota, herdara o temperamento, a valentia materna. Estudou o que pôde e como pôde. Fez-se professora — mas já estava nos vinte e quatro e nem sombra de colocação. As vagas iam sempre para as de maior peso político, ainda que analfabetas. Maricota, um peso-pluma, que poderia esperar?

Mesmo assim dona Teodora não desanimava.

— Estudem. Preparem-se. De repente qualquer coisa acontece e vocês se arrumam.

Os anos, entretanto, passavam sem que a esperadíssima “qualquer coisa” viesse — e os apertos recresciam. Por muito que trabalhassem em cocadas, bordados de enxoval e costurinhas, a renda não se distanciava do zero.

Dizem que as desgraças gostam de vir juntas. Quando a situação dos Mouras atingiu o ponto perigoso da “dependura”, nova calamidade sobreveio. Maricota recebeu do céu um estranho castigo: a singularíssima doença que lhe atacou o nariz.

No começo não deram importância ao caso; só no começo, porque a doença entrou a progredir, com desorientação de todos os entendidos em medicina das redondezas. Nunca, verdadeiramente nunca, ninguém soubera por lá de coisa assim.

O nariz da moça crescia, engordava, engrouvinhava, lembrando o de certos bêbados incorrigíveis. A deformação nessa parte do rosto é sempre desastrosa. Dá à fisionomia um ar cômico. Todos se apiedavam da Maricota — mas riam-se sem querer.

A maldade dos lugarejos tem a insistência de certas moscas. Aquele nariz foi virando o prato predileto do Comentário. Nos momentos de escassez de assunto era infalível porem-no à mesa.

— Se aquilo pega, ninguém mais planta rabanetes em Santa Rita. É só levar a mão ao rosto e colher um...

— E dizem que está crescendo...

— Se está! A moça já não põe o pé na rua — nem para a missa. Aquela negrinha, cria de dona Teodora, me disse que já não é nariz — é beterraba...

— Sério?

— Cresce tanto que se a coisa continua vamos ter um nariz com uma moça atrás e não uma moça com um nariz na frente. O maior, o principal, ficará sendo o rabanete...

Nos galinheiros também é assim. Quando aparece uma ave doente, ou ferida, as sãs correm-na a bicadas — e bicam-na até destruí-la. Em matéria de maldade o homem é galináceo. A tal ponto chegou a de Santa Rita que quando aparecia alguém de fora não vacilavam em enfileirar entre as curiosidades locais a doença da moça.

— Temos várias coisas dignas de ver-se. Há a igreja, cujo sino tem um som sem igual no mundo. Bronze do céu. Há o pé de cacto da casa do major Lima, com quatros metros de roda na altura do peito. E há o rabanete da Maricota...

O visitante espantava-se, está claro.

— Rabanete?

O informante desfiava a crônica do famoso nariz com invençõezinhas cômicas de sua lavra. “Não poderei ver isso?” “Creio que não, porque ela já não tem ânimo de pôr o pé na rua — nem para a missa.”

Chegou o momento de recorrer aos médicos especialistas. Como por lá não houvesse nenhum, dona Teodora lembrou-se de um doutor Clarimundo, especialista de todas as especialidades na cidade próxima. Tinha de mandar-lhe a filha. O nariz de Maricota estava ficando clamoroso demais. Mas... mandar como? A distância era grande. Viagem por água — pelo rio São Francisco, em cuja margem direita se assentava Santa Rita. O percurso custaria dinheiro; e custariam dinheiro a consulta, o tratamento, a estada lá — e onde o dinheiro? Como reunir os duzentos mil-réis necessários?

Não há barreiras para o heroísmo das mães. Teodora redobrou de faina, operou milagres de gênio e por fim reuniu o dinheiro da salvação.

Chegou o dia. Muito vexada de mostrar-se em público depois de tantos meses de segregação, Maricota embarcou para a viagem de dois dias. Embarcou num gaiola — o Comandante Exupério — e logo que se viu a bordo tratou de descobrir um cantinho em que ficasse a salvo da curiosidade dos passageiros. Inutilmente. Deu logo nos olhos de vários, sobretudo nos dum moço de bom aspecto, que entrou a mirá-la com singular insistência. Maricota esgueirou-se de sua presença e, de bruços na amurada, fingiu-se absorta na contemplação da paisagem. Fraude pura, coitadinha. A única paisagem que via era a sua — a nasal. O passageiro, entretanto, não a largava.

— Quem é essa moça? — quis saber, e um de boca perdigotante, também embarcado em Santa Rita, regalou-se em contar pormenorizadamente tudo quanto sabia a respeito.

O moço refranziu a testa. Reconcentrou-se a meditar. Por fim seus olhos brilharam.

— Será possível? — murmurou em solilóquio, e resolutamente encaminhou-se na direção da triste criatura absorvida na contemplação da paisagem.

— Perdão, minha senhora, eu sou médico e...

Maricota voltou para ele os olhos, muito vexada, sem saber o que dizer.

Como um eco, repetiu:

— Médico?... 

— Sim, médico, e o seu caso está me interessando profundamente. Se é o que suponho, talvez que... Mas, venha cá, conte-me tudo, conte-me como isso começou. Não se vexe. Sou médico — e para os médicos não há segredos. Vamos...

Maricota, depois de alguma resistência, contou tudo, e à medida que falava o interesse do moço recrescia.

— Com licença — disse ele, e pôs-se a examinar-lhe o nariz, sempre com perguntas cujo alcance a moça não percebia.

— Como é seu nome? — atreveu-se a indagar Maricota.

— Doutor Cadaval.

A expressão do médico lembrava a do garimpeiro que encontra um diamante de valor fabuloso — um Cullinan! Nervosamente ele insistia:

— Conte, conte...

Queria saber tudo; como aquilo começara, como se desenvolvera, que perturbação ela sentira e outras coisinhas técnicas. E as respostas da moça tinham o condão de aumentar-lhe o entusiasmo. Por fim:

— Maravilhoso! — exclamou. — Um caso único de boa sorte...

Tais exclamações desnortearam a doente. “Maravilhoso?” Que maravilhamento poderia causar a sua desgraça? Chegou a ressentir-se. O médico tentou sossegá-la.

— Perdoe-me, dona Maricota, mas o seu caso é positivamente extraordinário. De momento não posso firmar parecer — estou sem livros; mas macacos me lambam se o que a senhora tem não é um rinofima — um RINOFIMA, imagine!

Rinofima! Aquela palavra estranha, dita naquele tom de entusiasmo, em coisa nenhuma melhorou a situação de atrapalhamento de Maricota. O fato de sabermos o nome de uma doença não nos consola nem cura.

— E que tem isso? — perguntou ela.

— Tem, minha senhora, que é uma doença raríssima. Pelo que sei a respeito, não se conhece ainda um só caso em toda América do Sul...

Compreende agora o meu entusiasmo de profissional? Médico que descobre casos únicos é médico de nome feito...

Maricota começava a compreender.

Longamente Cadaval debateu a situação, informando-se de tudo — da família, do objeto da viagem. Ao saber de sua ida à cidade próxima em busca do doutor Clarimundo, revoltou-se.

— Qual Clarimundo, minha senhora! Esses médicos da roça não passam de perfeitas cavalgaduras. Formam-se e afundam nos lugarejos, nunca leem nada! Atrasadíssimos. Se a senhora vai consultá-lo, perderá o seu tempo e o seu dinheiro. Ora, o Clarimundo!

— Conhece-o?

— Claro que não, mas adivinho. Conheço a classe. O seu caso, minha senhora, é a maravilha das maravilhas, desses que só podem ser tratados pelos grandes médicos dos grandes centros — e estudado pelas academias. A senhora vai mas é para o Rio de Janeiro. Tive a sorte de encontrá-la e não a largo mais. Ora estar! Um rinofima destes nas mãos do Clarimundo! Tinha graça...

A moça alegou que a sua pobreza não lhe permitia tratar-se na capital. Eram paupérrimos.

— Sossegue. Eu farei todas as despesas. Um caso como o seu vale ouro. Rinofima! O primeiro observado na América do Sul! Isso é ouro em barra, minha senhora...

E tanto falou, e tanto gabou a beleza do rinofima, que Maricota deu de sentir uns começos de orgulho. Depois de duas horas de debates e combinações, já estava outra — sem vexame nenhum dos passageiros —, a exibir pelo tombadilho o seu rabanete como quem exibe algo fascinante.

O doutor Cadaval era um moço extremamente expansivo, dos que não param de falar. O empolgamento em que ficou fê-lo debater o assunto com todos de bordo.

— Comandante — disse ao capitão horas depois —, aquilo é uma preciosidade sem par. Único na América do Sul, imagine! O sucesso que vou fazer no Rio — na Europa! É dessas coisas que arrumam a carreira de um médico. Um rinofima! Um ri-no-fi-ma, capitão!...

Não houve passageiro que se não inteirasse da história do rinofima da moça — e o sentimento de inveja tornou-se geral. Evidentemente Maricota fora marcada pelo Destino. Possuía algo único, uma coisa de fazer a carreira de um médico e de figurar em todos os tratados de medicina. Muitos houve que instintivamente correram os dedos pelo nariz na esperança de apalpar um comecinho da maravilha...

Maricota, ao recolher-se à cabina, escreveu à mãe:

Tudo está mudando da maneira mais esquisita, mamãe! Encontrei a bordo um médico distintíssimo, que ao dar com o meu nariz abriu a boca no maior entusiasmo. Eu só queria que a senhora visse. Acha que é uma grande — uma grandíssima coisa, a coisa mais rara do mundo, única na América do Sul, imagine! Disse que vale um tesouro, que para ele foi o mesmo que ter encontrado um tal diamante Cullinan. Quer que eu vá para o Rio de Janeiro. Paga tudo. Como aleguei que somos muito pobres, prometeu que depois da operação me arranja um lugar de professora. Imagine, eu professora no Rio de Janeiro!

Que ponta, hein? Estou que não caibo em mim. Professora no Rio!... Até a vergonha lá se foi. Passeio com o nariz bem à mostra, alto. E, coisa incrível, mamãe, todos me olham com inveja! Inveja, sim — eu leio nos olhos de todos.

Decore esta palavra: RINOFIMA. É o nome da doença. Ah, eu só queria ver a cara desses bobos de Santa Rita que tanto caçoavam de mim — quando souberem...

Maricota mal conseguiu dormir essa noite. Grande mudança de ideias se operava em sua cabeça. Qualquer coisa a advertia de que era chegado o momento de uma grande tacada. Tinha de tirar vantagens da situação — e como ainda não dera resposta definitiva ao doutor Cadaval, deliberou executar um plano.

No dia seguinte o médico abordou-a de novo.

— Então, dona Maricota, está resolvida, afinal?

A moça estava resolvidíssima; mas, boa mulher que era, fingiu.

— Não sei ainda. Escrevi à mamãe... Há a minha situação pessoal e a da minha gente. Para que eu vá ao Rio preciso ficar sossegada quanto a estes dois pontos. Tenho dois irmãos e quatro irmãs — e como é? Ficar lá no Rio sem eles, impossível. E como deixá-los sozinhos em Santa Rita, se sou o esteio da casa?

O doutor Cadaval refletiu uns momentos. Depois disse:

— Os rapazes eu posso colocar facilmente. Já suas irmãs, não sei. Que idade têm elas?

— Alzira, a logo abaixo de mim, está com vinte e cinco anos. Muito boa criatura. Borda que é um primor. Bonitinha.

— Se tem essas prendas, poderemos colocá-la numa boa casa de modas. E as outras?

— Há a Anita, com vinte e dois, mas essa só sabe ler e escrever versos. Sempre teve um jeito extraordinário para a poesia.

O doutor Cadaval coçou a cabeça. Colocar uma poetisa não é nada fácil — mas veria. Há os empregos do Governo, nos quais cabem até os poetas.

— Há a Olga, com vinte anos, que só pensa em casar. Essa não quer outro emprego. Nasceu para o casamento — e lá em Santa Rita está secando porque não há homens — todos emigram.

— Arranjaremos um bom casamento para a Olga — prometeu o médico.

— E há a Odete, com dezenove anos, que ainda não revelou disposição para coisa nenhuma. Boa criatura, mas muito criançola, bobinha.

— Vai ser outro casamento — sugeriu o médico. — Arranja-se. Arranjaremos a vida de todos.

O doutor Cadaval ia prometendo com aquela facilidade porque no íntimo não tinha intenção de colocar tanta gente. Poderia, sim, arrumar a vida de Maricota — depois de operá-la. Mas o resto da família que se fomentasse.

Assim não sucedeu, entretanto. As aperturas da vida tinham dado a Maricota um senso das realidades verdadeiramente totalitário. Percebendo que aquela oportunidade era a maior da sua vida, resolveu não deixá-la escapar. De modo que ao chegar ao Rio, antes de entregar-se ao tratamento e exibir na Academia de Medicina o seu caso único, impôs condições. Alegou que sem a irmã Alzira não tinha jeito de ficar sozinha na capital — e o remédio foi a vinda de Alzira. Mal pilhou lá a irmã, insistiu em colocá-la — porque não tinha o menor propósito ficarem as duas nas costas do médico. “Assim, a Alzira acanha-se e volta.”

Ansioso por dar início à exploração do rinofima, o médico pulou para arranjar a colocação da Alzira. E depois disso deu novos pulos para mandar vir e colocar a Anita. E depois da Anita chegou a vez da Olga. E depois da Olga chegou a vez da Odete. E depois da Odete chegou a vez de dona Teodora e dos dois rapazes.

O caso da Olga foi difícil. Casamento! Mas Cadaval teve uma ideia filha do desespero: intimou um seu ajudante no consultório, português quarentão de nome Nicéforo, a casar-se com a menina. Ultimatum da Moral.

— Ou casa-se ou vai para o olho da rua. Não quero mais saber de auxiliares solteirões.

Nicéforo, tipo bastante pai da vida, coçou a cabeça mas casou-se — e foi o mais feliz dos Nicéforos.

A família já estava toda arrumada, quando Maricota se lembrou de dois primos. O médico, porém, resistiu.

— Não. Isso também é demais. Se continua assim, a senhora acaba forçando-me a arranjar um bispado para o padre de Santa Rita. Não e não.

A vitória do doutor Cadaval foi verdadeiramente estrondosa. Encheram-se as revistas médicas e os jornais com a notícia da solene apresentação à Academia de Medicina do belíssimo caso — único na América do Sul — dum maravilhoso rinofima, o mais belo dos rinofimas. As publicações estrangeiras acompanharam as nacionais. O mundo científico de todos os continentes ficou sabendo de Maricota, do seu “rabanete” e do eminente doutor Cadaval Lopeira — luminar da ciência médica sul-americana.

Dona Teodora, felicíssima, não cessava de comentar o estranho curso dos acontecimentos.

— Bem se diz que Deus escreve direito por linhas tortas. Quando havia eu de imaginar, ao nos surgir aquela horrível coisa no nariz de minha filha, que era para o bem geral de todos!

Restava a parte última — a operação. Maricota, entretanto, ainda nas vésperas do dia marcado vacilava.

— Que acha, mamãe? Deixo ou não deixo que o doutor me opere?

— Que ideia, menina! Claro que deixa. Pois há de ficar toda vida assim com esse escândalo na cara?

Maricota não se decidia.

— Podemos demorar um pouco mais, mamãe. Tudo quanto nos veio de bom saiu do rinofima. Quem sabe se nos rende mais alguma coisa? Há ainda o Zezinho a colocar — e o pobre do Quindó, que nunca achou emprego...

Mas dona Teodora, arquifarta do rabanete, ameaçou de levá-la de volta para Santa Rita, se ela teimasse na asneira de retardar, por um só dia, a operação. E Maricota foi operada. Perdeu o rinofima, ficando com um nariz igual ao de todas as outras, apenas levemente enrugadinho em consequência dos enxertos de epiderme.

Quem positivamente desapontou foi a gente maldosa do lugarejo. O maravilhoso romance de Maricota era comentado em todas as rodinhas com grandes exageros — até com o exagero de que ela estava noiva do doutor Cadaval.

— Como a gente se engana neste mundo! — filosofou o farmacêutico. — Todos pensamos que aquilo fosse doença — mas o verdadeiro nome de tais rabanetes, sabem qual é?

— ?

— Sorte grande, minha gente! Sorte grande da Espanha...


---
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2018)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sugestão, críticas e outras coisas...