domingo, 9 de dezembro de 2018

"As Rugas" (Paródia de "As Pombas", de Raimundo Correia)


A PARÓDIA

As Rugas
(Paródia a "As pombas" de Raimundo Correia)

Surge a primeira ruga sem piedade,
Surge outra mais... mais outra... enfim dezenas
De rugas surgem numa face, — apenas
Foge tristonha, a nossa mocidade...

E à noite, quando temos liberdade
De passear, — as rugas, sempre amenas,
Em nossas faces, como as açucenas,
Refletem já dizendo a nossa idade...

Também do nosso cérebro, aos punhados,
Vão saindo remédios planejados
Para acabarem rugas, e jamais

Conseguem: voltam pois e logo soltam,
Mas, com outro remédio as rugas voltam
Com o RUGOL não voltam nunca mais.

(Revista Careta, 1930 - anúncio do Creme Rugol)

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O ORIGINAL:

As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

RAIMUNDO CORREIA

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