domingo, 9 de dezembro de 2018

"Canção do Exilado" (Paródia de "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias)

A PARÓDIA

Canção do Exilado
(Paródia de "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias)

Minha terra tem coqueiros
Onde decantam os xexéus,
Em doces tardes fagueiras
De um céu opalino, sem véus!

Há mais encantos nas noites,
No luar mais poesia;
“É mais cheio de mistério
O toque de Ave-Maria!"

A via-láctea é mais branca,
As estreitas mais brilhantes,
Os campos são mais floridos
E os balsedos mais fragrantes.

À noite, ao surgir da lua,
Por detrás dos coqueirais:
Quantas saudades, meu Deus,
Dos tempos que não vêm mais!
E do canto, à meia noite,
Da “mãe d’água com os seus ais!”

A cismar, sozinho, a medo,
Em bela noite estival,
Tenho saudades das folhas
Do verde canavial,
E da brisa farfalhante
Nas frondes do coqueiral!

JÚLIO CÍCERO MONTEIRO


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O ORIGINAL
Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

GONÇALVES DIAS

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