segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Nunca Mais... (Paródia de "As Pombas", de Raimundo Correia)


A PARÓDIA

Nunca Mais...
(Paródia de "As Pombas", de Raimundo Correia)

Vai-se a primeira abelha do cortiço,
Vai-se outra mais, mais outra, enfim milhares
De abelhas vão-se, aos guinchos, pelos ares,
Apenas nasce o dia abafadiço.

E à tarde, quando o sol quase mortiço
Agoniza, em demanda dos seus lares
Os pequenos insetos singulares
Voltam todos cansados do serviço.

Assim, lá no palácio do Alencastro,
Onde só de loucuras  deixa rastro,
Pula o Mário, da terra o mor mendaz.

Vai na lapa curar lindas ovelhas...
Mas ao cortiço voltam as abelhas
E ELE, lá no Alencastro, nunca mais...

"SANCHO CORUJÃO"
Revista "A Reacção", 1930.

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O ORIGINAL:

As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

RAIMUNDO CORREIA

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