quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Dinheiro (Paródia ao soneto “Alma Minha”, de Camões)

A PARÓDIA

O Dinheiro
(Paródia ao soneto “Alma Minha”, de Camões)

Dinheiro meu gentil que te partiste
Tão cedo da algibeira descontente,
Repousa no credor eternamente
E viva cá meu bolso sempre triste.

Se aí, no lugar para onde fugiste,
Memória da algibeira se consente,
Não esqueças aquele foro ardente
Que sempre nela tão forte sentiste.

E se vires que pode merecer-te
A saudade que ainda me ficou
Da pungente dor que tive em perder-te,

Roga ao credor que de mim te ausentou
Tão cedo às minhas mãos venha trazer-te
Quão cedo de meu bolso te levou.

J. PINTO MONTEIRO


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O ORIGINAL


Alma minha gentil, que te partiste

Alma Minha Gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

LUÍS DE CAMÕES

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