quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Vingança (Paródia ao soneto “Sete anos de pastor”, de Camões)


A PARÓDIA

Vingança
(Paródia ao soneto “Sete anos de pastor”, de Camões)

Sete anos de caixeiro o José tinha
Num armazém de secos e molhados;
Detestava o patrão, mas lhe convinha
Ter a casa, a comida e os ordenados.

Ativo no armazém ele ia e vinha,
Querendo seus serviços apreciados,
Mas o patrão, parece, por picuinha,
Outros ia fazendo interessados.

Vendo o triste rapaz que de caixeiro
Não passava a função mais definida,
Após esforços tantos ao balcão,

Pôs-se a entrar na gaveta do vendeiro
Dizendo: "Que tristeza que esta vida
Não dê para os cem anos de perdão!"

AUTOR ANÔNIMO
Revista “Careta”, 1943.



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O ORIGINAL


Sete anos de pastor...

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!

LUÍS DE CAMÕES

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