quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Paródia ao “Teu Lenço” de Guimarães Passos


A PARÓDIA

A M. Elle Bolívia
(Paródia ao “Lenço” de Guimarães Passos)

Este meu acre que apertar procuras
De encontro ao magro e descarnado seio
Há de levar-te (oh desenlace feio!)
À mais triste e mais rata das figuras.

Lute debalde a procurar um meio
De evitar que te metas em funduras,
Pois bem deves saber que te aventuras
A ter o quengo dividido ao meio.

Porém, oh minha trêfega menina,
Se a belicomania te alucina
Prepara as gambias que verás bem cedo,

No cós das calças, trêmulo, pegando
Ir pelo Acre, aos toques de comando,
Pando fugindo, pálido de medo!...

BASTOS TIGRE



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O ORIGINAL

Teu Lenço

Esse teu lenço que eu possuo e aperto
De encontro ao peito quando durmo, creio
Que hei de mandar-to um dia, pois roubei-o
E foi meu crime, em breve, descoberto.

Luto, contudo, a procurar quem certo
Possa nisto servir-me de correio;
Tu nem calculas qual o meu receio,
Se, em caminho, te fosse o lenço aberto...

Porém, ó minha vívida quimera!
Fita as bandas que habito, fita e espera,
Que, enfim, verás em trêmulos adejos,

Em cada ponta um beija-flor pegando,
Ir o teu lenço pelo espaço voando,
Pando, enfunado, côncavo de beijos!

GUIMARÃES PASSOS

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