domingo, 9 de dezembro de 2018

"República Nova" (Paródia ao soneto "Santa”, de Hermeto Lima)


A PARÓDIA
República Nova
 (Paródia ao soneto "Santa”, de Hermeto Lima)

Essa que passa por aí, senhores,
De interventores cheia e de tenentes,
É a Sereia ideal dos meus amores,
A República dos dias decorrentes.

Contam, que numa tarde de esplendores,
Os Gaúchos de almas refulgentes,
Da arrancada de Outubro, vencedores,
Saudaram-na felizes e contentes!

Acreditais talvez ser fantasia ?
Digo que não! Eu lembro até o dia,
Em que surgiu a divinal donzelia!

Vi o Washington em pranto alucinado,
E o seu Getúlio tão entusiasmado,
Como si fosse o namorado dela!

OSCAR ARRUDA (Revista "O Malho, 1933)



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O ORIGINAL
Santa

  Essa que passa por aí, senhores,
de olhos castanhos e fidalgo porte,
é a princesa ideal dos meus amores,
a mais franzina pérola do Norte.

 Contam que, numa noite de esplendores,
a essa que esmaga o coração mais forte
 hinos cantaram e jogaram flores
as estrelas, em mágico transporte.

  Acreditais, talvez, ser fantasia!...
 Eu vos direi que não... Em certo dia,
 quando ela entrou na festival capela,

  eu vi a Virgem mergulhada em pranto,
 e o Cristo de Marfim fitá-la tanto,
como se fosse apaixonado dela!

HERMETO LIMA

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