quarta-feira, 8 de maio de 2019

Beijos por facadas (Conto), de Teófilo Braga


Beijos por facadas
(Conto de uma Serenata em Espanha)
 
I – A GUITARRA

Corria lenta e sossegada a noite. Há nestas vozes indefiníveis das horas mortas a suspensão de um segredo, que se não articula; o silêncio remoto parece escutar as músicas de dentro, que se espraiam na alma, como os sons eólios que a brisa entorna da escarpa.

O céu estava profundo e puro, recamado de estrelas, brilhando silenciosas, absortas nas cores espectrais da sua luz, com que confidenciam e exprimem entre si as sonhadas harmonias das esferas. Cada traço radiante que se projeta nos ares lá vai perder-se num fascículo mais intenso, pensamento de amor, energia inextinguível que voa a despertar e embalar um devaneio ditoso, que não finda.

Os ventos sopravam macios, remurmurejando na folhagem verde; a veia cristalina e sinuosa do Mançanares derramava seus aljofres, onde se refletiam as graças e a alegria das miríades de astros que bordavam a cúpula do empíreo.

Soaram vagarosamente, como as palavras de uma sentença irrevogável, onze horas na torre da Catedral. A vibração argentina do sino, ondulando na calada da noite, fazia escoar-se pelo corpo um estremecimento gélido, como o pingo de água que se infiltra das estalactites e cai, de vez em quando, no pavimento petrificado de uma gruta escura e sem fim.

E a noite prosseguia lenta e sossegada. Pouco a pouco, uma viração travessa, vinda dos vales longínquos, dispersou nos céus uma nuvem espessa, que se tinha levantado das bandas do mar. Assomou um leve resplendor, um clarão incerto na cima dos montes; depois, os arvoredos deixaram jorrar por entre as ramas entrançadas um alvor suave. Era a lua que se alevantava serena do topo das serranias, hóstia branca erguida na reconcentração intima dos mundos. À luz diáfana e branda, que devaneios começados e interrompidos no vago das aspirações que não têm realidade! que confissões veementes, que palavras sentidas, que protestos fogosos, apaixonados, gerados pelo influxo da saudade e da melancolia!

À luz tranquila do astro dos namorados, meditava distraída no seu balcão, virgem, enleada nos caprichosos desejos que lhe tumultuavam no coração infantil. Quinze anos! a eflorescência da vida no seu viço exuberante; as alegrias perenes, sem motivo, um transporte a cada sensação que se ignora e que o acaso revela! Quinze anos! e o peito a palpitar apressado a cada pressentimento de ventura.

Estava no seu balcão a donzela tímida; as tranças soltas, espalhadas pelos ombros, eram os jorros de uma catadupa que se despenha; respirava ansiada, como quem acabara de brincar e sente na fadiga, que a prostra, a tentação de se precipitar novamente na vertigem da coreia que passa ligeira como um volteio de fadas em areal deserto.

A lua iluminava-lhe o rosto com a majestade com que se reflete numa janela gótica. Parecia adormecida, criança, embalada pela toada das harpas dos serafins, que a vinham abrigar do rocio da noite debaixo da sombra das suas asas brancas. O vento levava-lhe as roupagens longas, que flutuavam como uma nuvem rescendente que a envolvesse.

Ela não estava adormecida, sonhava. Que mistérios intraduzíveis de amor não lhe viria descobrir esta hora! A natureza, mais velha e experiente, vinha ensinar sua irmãzinha, mostrar-lhe os filtros que um sorriso esconde, a fascinação de uns olhos úmidos de volúpia. Sentiria ela as primeiras notas do amor, pulsando levemente dentro do peito?

O sítio, a hora, a mudez confidente da noite tépida e sombria, tornavam propícias as palavras tímidas, balbuciadas tremendo, com um langor comunicativo.

A este tempo a lua brilhava esplêndida de encantos pela amplidão celeste. A donzela cada vez aparecia mais radiante de graça; o luar tornava-a mais bela, como numa transfiguração repentina.

Será uma realidade a existência deste tipo divino? Será uma criação apenas, uma visão quimérica da mente do poeta? Um sonho que a arte sabe encarnar e insuflar-lhe o sentimento de Rosina, quando espera ansiosa detrás do cortinado alvejante Alma viva, a identificação de um ser noutro ser? Não. Como uma filha, a mais linda das filhas de Eva, irmã das que foram amadas pelos anjos que se esqueceram do céu, ela também sente e ama. É Marcela, Marcela, o sol da velhice do grande poeta da Espanha Lope da Vega.

Cansado de triunfos, de glórias e pesares, o cantor de Doroteia ama-a, como um viandante do deserto que ama a brisa fresca da colina que lhe vem alentar os pulmões exaustos. Coração imenso de um pai, que enlouquece de alegria ao ver perpetuar-se-lhe no mundo a inteligência, os sentimentos que o animaram e lhe trouxeram sofrimentos e glórias, naquela que o abraça como uma vergôntea airosa à sombra do roble secular.

Marcela é o seu pensamento predileto das horas pacíficas da existência, a que há de herdar-lhe o manto profético com que o pai penetrava nos mundos da poesia. Poeta, enleva-se diante da sua obra, a ideal Galateia, onde vive uma alma afinada pelas mesmas harmonias; ama-a, com que ternura! É mas galante que padre.

Marcela estava distraída ao luar no balcão; era na rua dos Francos; estava deserta e escura pela sombra. Começou então a sentir-se um som incompleto, como o gemido de um queixume que expira; depois, mão ignota a dedilhar veemente, com força, nas cordas de uma guitarra. As auras levavam as melodias, ais de um peito que gemia de amor em segredo, e que ia ditando ao instrumento sonoroso as palavras, que não podia proferir. O silêncio da noite destacava as notas delirantes, como o azul a um carbúnculo que cintila.

A inocente criança despertou do sonhar aéreo em que permanecera absorvida; compreendeu a linguagem suprema do sentimento, era a primeira confissão de amor que escutava na vida. Receio correr o cortinado. Era a inocência na sua timidez. A curiosidade, o orgulho de criança a impelia; começava a sentir-se bela, formosa. Debruçou-se desprevenida ao balcão, mirou, perscrutou nas sombras. A guitarra fascinadora emudecera.

Depois, ela viu dois vultos aproximarem-se, traçarem as capas, desembainhando as espadas reluzentes. A mudez tornava assombroso o recontro. Os ferros cruzaram-se faiscando; eram os rivais, que se encontravam ali, levados pelo mesmo amor e pelo mesmo ódio, a grande contrariedade deste sonho da vida. Não se ouvia um gemido; os botes eram a fundo. Uma espada tiniu no chão partida; o outro galanteador, generoso, deixou a sua de mão e sacou um punhal do cinto. Era um duelo a todo o transe, questão de vida ou de morte. Marcela nada discriminou nas sombras; sentia apenas o fragor de uma luta porfiada. O outro rival alçou o punhal também; arrojaram-se aos braços um do outro, espumando de raiva, cozeram-se de facadas desapiedadamente, até que, escoados em sangue, caíram desfalecidos.

O vento da noite refrescava; a lua mostrou-se no seu esplendor e deixou ver o campo do torneio. Marcela recolheu-se aterrada para o seu aposento; orou a noite toda perante o retábulo de Santa Maria da Atocha, prometendo fechar para sempre o seu coração ao amor do mundo.


II - LA BLANCA PALOMICA

Depois dos inesperados transes e provações, a que às vezes a alma resiste para novos desastres, Lope de Vega fugiu às tempestades da vida, envolvendo-se no burel de uma ordem penitente, unindo a contrição e a poesia no misticismo radiante das efusões líricas com que desabafava nas horas contemplativas.  Quando o espírito solitário descia à terra e se deixava tocar pela dor, tinha então o encanto da sua prole, dos filhos que estremecia. Como se não lembrava ele, com pesar e saudade indelével, do seu pequenino Carlos, cor de lírio e de rosa, quando vinha acariciar-lhe a alma com umas palavras de ternura infantil, quando o via pular de contente ao vir o dia, como uma antílope nos prados, quando os seus vagidos eram um gorjeio entrecortado que lhe pareciam um vaticínio encantador! Pobre criança, ainda coberto do orvalho matinal, de te expandires à bafagem perfumada da nova aurora, quando, lírio fanado pela geada, desapareceste na terra para seres transplantado no céu.

O poeta buscava consolação na poesia; era ela que o cercava de uma auréola de felicidade. Distraia-se cuidando da sua pequena horta. Era a imaginação que o revestia, aquele exíguo canteiro, ornado apenas de duas árvores, dez florinhas, uma laranjeira e uma roseira, onde casualmente cantavam os rouxinóis, e onde dois cântaros de água formavam a fonte, que gemia e adormecia seus pesares. Contenta-se de pouco a natureza; ele não trocava este canto da terra nem pelo monte Hibla, nem pelo vale fertilíssimo de Tempe, nem pelos jardins suspensos de Semíramis, como ele próprio confessa; porque a fantasia criadora reveste-o de todas as graças de um paraíso sonhado, mostra-lhe colunas brancas de mármore com inscrições gloriosas, fontes que jorram e se despenham em borbotões de pérolas e aljofres, lagos profundos e límpidos sulcados por canoas que desfraldam as velas como cisne voluptuoso que desliza, rodeados de sombras amenas e encantadoras de árvores soberbas simulando os gigantes da terra, a vinha entrançada aos plátanos, dourada pelo sol de agosto, bustos entre a ramagem espessa, sátiros que se adormecem ao som da ninfa fugitiva, ninfas travessas errando na relva macia, que tapeta o recinto... É um sonho de poeta na sua soledade. Que tem que seja uma ficção esta magnifica paisagem? Ele sente as emoções que lhe traz o retiro que forma, e para onde se refugia.

Seu filho levado pelos valorosos cavalheirescos, pelo impulso dos quatorze anos, deixou-o para seguir a expedição contra os holandeses e os turcos. Uma catástrofe desastrosa veio roubar-lhe mais esta esperança; a mão em que partira tinha soçobrado.

Restava-lhe só junto de si Marcela, para amenizar as horas lentas e enfastiadas da velhice. O pai oferecia-lhe seus livros, dedicava-lhos, pedindo que os corrigisse; ela reunia às graças do corpo, a harmonia da plástica com um sentimento delicado, uma penetração viva e lucida. O poeta recebera todas as consolações do céu naquela filha; era a sua criação mais perfeita, a admiração dos poetas do seu tempo, era todo o seu orgulho.

Marcela começou a aparecer triste; tinha na face a palidez da planta que esmorece. Nem uma palavra só de queixume; a mesma abstração sempre! Os lábios pareciam emudecidos pelo selo do mistério. Cercava-lhe os olhos lânguidos um disco roxo de maceração, enublava-lhe o rosto a preocupação de uma dor, que não sabia confessar. Quando Lope a chamou para de junto a si, e a estreitou nos braços beijando aquela flor da mocidade que o Senhor fizera brotar das suas ruínas, sentiu uma dilaceração interior, ao ver uma lágrima pura, cândida, ingênua, resvalar-lhe na face em que a dor empanava o viço infantil:

— Oh minha filha! Quem poderá adivinhar o segredo da tua angústia, e inverter os pensamentos aflitivos de mágoa num êxtase perene de felicidade. Marcela, Marcela! Eu dizia-te um dia, lembras-te ainda? era naquele livro, que o pressentimento me fez intitular Remédio na desdita: “Deus te proteja, e te faça ditosa, posto que os teus dotes o não consintam, principalmente se fores herdeira do meu destino.” A coroa de glória que me cinge sangra-me na cara com dolorosos espinhos; o que a poesia me há ditado tenho-o sofrido primeiro. Tu, alma da minha alma, vás pisando a mesma via dolorosa. Ergue-te dessa prostração do desalento em que te deixas cair! Conta-me o que assim vem perturbar teus pensamentos tranquilos, roubar-me as tuas carícias que me fazem rejuvenescer? Eu não sei como ampará-la, interrogá-la, sem que esta planta mimosa languesça como a sensitiva. Menina, jovem, ignorando a vida, acordaria ela senhora? Levá-la-ia o amor em sonhos ao seu mundo de aspirações infindas? Ela inclina-se sobre meu ombro e chora. Como posso eu consolá-la, dar-lhe as esperanças que não tenho e que de há muito me desampararam? Marcela! Ergue a tua cabeça; deixa-me ver-te, beijar-te, enxugar as tuas lágrimas, filha. Diz-me o que te aflige tanto. Pobre criança, ela cada vez me estreita mais a si.

— Oh meu pai! eu não sei o que me faz tão cedo aborrecer as galas, as seduções do mundo, e me mostra a vida como um deserto ínvio, intransitável. A alma sente um vácuo que ninguém pode encher. É o cristianismo que me faz germinar no espírito este sentimento vago, uma sede desse gozo sem limites da visão beatífica, uma aspiração, um desejo ardente de regressar à eterna pátria, de me confundir nos coros arcangélicos, ao som do triságio perene. A natureza por mais esplêndida e vicejante, as flores de aromas mais esquisitos, o céu mais admiravelmente cravejado de estrelas, o azul, o espaço aberto, causam-me o desgosto que havia de sentir Moisés do alto da montanha vendo ao longe a terra prometida e sem poder atingi-la. Quanto mais me sinto enleada neste encanto divino da contemplação interior, torna-se-me mais intenso o desejo de abandonar o desterro deste vale de lágrimas, quebrar os vínculos da carne, e acordar no empíreo. Este corpo que me deste é a prisão em que a alma suspira e anseia por soltar-se; ela é a escrava da Escritura que vaga à míngua de uma gota de água no deserto: ela tem diante de si um abismo, que precisa transpor sem o fitar. Eu senti em sonho este himeneu recôndito e incompreensível do amor divino. O Amado erra pelas brenhas, chamando a esposa perdida. Eu não me posso elevar até Deus, o Deus abscônditos, pela inteligência, como os doutores; deixai que a alma vulgar e humilde, desconhecendo essa vereda intrincada, caminhe conduzida pela intensidade do seu desejo à eterna fonte suprema do bem. Eu quero professar num mosteiro, seguir a regra da penitência austera, voltar para a arca santa, como a pomba do dilúvio. Quero envolver-me no burel, mergulhar-me na escuridão de uma cela, e sonhar embalada nas músicas do êxtase.

— Marcela! para que vais tornar assim a minha solidão mais dolorosa? O teu irmão, perdi-o ainda tão criança! Eras só tu que me restavas no mundo. Sem ti, de que serve a vida que levo devorada pelas recordações do passado. Eu perdi uma esposa, que asserenava no meu coração as tempestades do amor. Tinha em ti meu único refrigério, e desamparas-me quando me vejo mais só! Pobre filha! Terá ela vergonha do mundo? do seu nascimento ilegítimo? Que provação tão dura e repentina me estava reservada em castigo de uma mocidade turbulenta! Vai, filha, corre aos braços do divino Esposo: ele só pode dar-te a grinalda imarcescível, servir-te com uma legião de anjos. És o último ramo virente que o destino arranca de um tronco carcomido pelos anos. Vai, vai. — E apertou-a nos braços a chorar como uma criança.

Tempo depois, a engraçada filha do maior e mais fecundo poeta de Espanha entrou para o convento das Carmelitas descalças, em Madrid. Lope de Vega descreve esse abandono do mundo com expressões sentidíssimas:

“Marcela, o primeiro pensamento do meu amor paternal, pensava em casar-se, e uma noite disse-me o nome daquele que desejava para esposo.

E eu, que sabia quanto é prudente deixar amadurecer um tal pensamento, porque há decisões que provêm de causas acidentais, deixei as minhas desculpas, esperando sempre não contrariar seus desejos, se eles se fundassem na verdade da sua alma. Mas vendo cada dia esse desejo a aumentar-se, determinei-me dar-lhe esse esposo, que solicitava seu amor. Esse esposo é belo, é rico, é sábio, e de uma estirpe ilustre, e o seu pai é nada menos do que todo poderoso. Eu juro que por parte da sua mãe é de sangue real, e que ela é tão boa, que não há atrativos, nem virtudes que não possua. É uma mãe tão cheia de graça, que pelas suas mãos Deus a dispensa ao mundo. Ela é juntamente rosa e lírio, cipreste e palmeira.”

A igreja estava ornada como o tálamo de um noivado. Então, o poeta viu a sua filha nesse dia com uma graça, uma beleza, uma perfeição inexcedível, que a alegria fazia realçar sobre os dons da natureza, que o contentamento animava de vivacidade e elegância. O esposo recebia-a nos seus braços carinhosos. O amor divino transfigura-se sempre na infância. Miríades de luzes, damascos e brocados enfeitavam o aposento nupcial.

“Marcela, — continua o poeta — as faces coloridas como duas rosas, e os lábios como banhados por um sorriso honesto, fitou-me: o último adeus que separava duas existências.

Sua alma trasbordava de felicidade com esta vocação; e por um último adeus do seu corpo, ela voltou costas a tudo que o mundo chama festas e prazeres.

Depois, oferecendo ao jovem esposo a sua casta grinalda de virgem, ela estreitou-o a si, cobrindo de beijos seus olhos de esmeralda.

O céu fechou a porta ao meu coração cheio de amor paternal; arrebatava-me a melhor parte da minha alma; e eu era o único a lamentar nesta multidão de espectadores. Tornamos à igreja; a desposada deixara seus hábitos de festa, os enfeites, para envolver-se no burel grosseiro. Suas tranças foram cortadas, porque, como as outras virgens que povoavam o coro, ela não devia ter para ser bela, mais do que a sua beleza.”

Sente-se nestas palavras do poeta a dor do coração de um pai, a quem todo o sentimento e unção religiosa não podem consolar. Verga diante dessa agonia, resigna-se. Passado o ano do noviciado ainda o coração virginal de Marcela palpitava com o amor divino. Pronunciou os votos, e professou.

“Ela dormia sobre a palha fria e dura, e andava descalça; o corpo andava oculto numa vestimenta humilde; só os olhos eram a expressão da sua alma. Oh bem-aventurado desengano das coisas da terra! — exclama o poeta na solidão do seu amor. — Esta virgem tão bela, tão casta, tão pura, consagrou a Deus os seus dezessete anos!”

Estes desgostos da vida foram-no levando à sepultura; Lope de Vega sucumbiu no auge da admiração. O seu funeral foi imponentíssimo, como o de Miguel Ângelo. Marcela, a inteligente filha do poeta, pediu para o cortejo passar pelo convento das Trinitárias descalças. No momento em que o préstito parou diante do mosteiro, viu-se aparecer por entre as grades avaras um rosto macerado por uma dor lenta. Era Marcela chorando a morte do pai, talvez pungida pelo abandono em que o tinha deixado. Instantes depois, sumiu-se na escuridão da cela, e ninguém soube o que a levara na candura dos dezessete anos a abandonar o seu pai na desconfortada velhice.

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