sábado, 4 de maio de 2019

Temas Poéticos: MÃE - XII


BEATA VISIO

Bendita sejas, ó minha mãe, ó mãe celeste,
Que, no retiro de minha vida atormentada,
Inda apareces, pálida santa angustiada,
Dando-me a bênção daquele olhar com que morreste...

Mas, ai! debalde busco beijar-te a clara veste,
Pois, mal de opala jaspeia o céu a madrugada,
Tu, como Vésper no azul do oriente desmaiada,
Empalideces e, triste, vais como vieste...

Então, de joelhos, braços em cruz, fico rezando,
Como rezava, no alto Carmelo, Santo Elias,
Quando entre arcanjos Nossa Senhora viu passando...

Bendita sejas dos meus pecados na árdua guerra!
Bendita sejas nas minhas tristes alegrias!
Bendita sejas assim no céu como na terra!

WENCESLAU DE QUEIROZ

***

À MINHA

Infante, imaginei ver-te velhinha,
E eu, homem feito, a te amparar na idade;
A mão, trêmula e murcha, presa à minha
Mão farta e cheia de virilidade.

Mas quem do Fado as voltas adivinha?
Seus mil arcanos perscrutar quem há de?
Foi-se-me o sono que contigo vinha
Encher-me as horas de felicidade.

Sei, porém, que, se o páramo estrelado,
Com a bem-aventurança e a luz que encerra,
Desertar, afinal, te fosse dado,

Trocarias o céu, a pompa e o brilho
Pela miséria e escuridão da terra,
Para, na terra, ainda abraçar teu filho!

JORGE JUBIM
(1925)

***

À MINHA MÃE

Não me acodem, agora, inspirações,
P'ra exprimir meu amor para contigo,
Trocar devemos nossos corações,
Porque sou eu o teu maior amigo.

Vivo por ti, oh minha mãe querida;
Juro e prometo só a ti o amor
Pensando assim enquanto a minha vida
For concedida pelo Redentor.

Tu és o meu amor de todo instante.
Amor profundo que me invade o peito.
E o grande orgulho que minh’alma sente,

Juro e prometo sempre ser constante,
Pensando que meu coração foi feito
Para ti, minha mãe, eternamente;.

MÁRIO CARVALHO
(1914)

***

MÃE

Ela velava perto
Do filho, que dormia,
E cândida sorria
Ao lírio entreaberto.

Da lua um raio incerto
No quarto se pendia;
E a mãe olhava o dia
E a luz do seu deserto.

No berço flutuante
Moveu-se agora o infante
E acorda pranteando...

Não há quadro mais belo
Que a mãe, solto o cabelo,
O filho acalentando!

GONÇALVES CRESPO

***

A MINHA MÃE

Bem singela porém grande e pura
É a palavra mãe que tudo diz
Com ela menos forte é a amargura
É também ela que nos faz feliz.

Volvei os olhos bem para o passado
Com cuidado volvei-os para o futuro
Amor como o do ser por nós amado
Jamais encontrareis tão grande e puro.

Se a dor de um sono calmo te sacode
Ainda que também dores sofrendo
A ti verás em breve ela correndo

E solícita ligeira ela te acode
Na parte dorida a mão pousando
A dor mais que ligeira vai passando.

M. OLIVEIRA
Revista Careta, janeiro de 1912.

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