sexta-feira, 21 de junho de 2019

A Rosa de Seda (Fábula), de Antônio Nobre



A Rosa de Seda (Fábula)
Um fabulário ainda por encontrar será um dia lida esta fábula:
A uma bordadora de um país longínquo foi encomendado pela sua rainha que bordasse, sobre seda ou cetim, entre folhas uma rosa branca. A bordadora, como era muito jovem, foi procurar por toda a parte aquela rosa branca perfeitíssima, em cuja semelhança bordasse a sua. Mas sucedia que umas rosas eram menos belas do que lhe convinha, e que outras não eram brancas como deviam ser. Gastou dias sobre dias, chorosas horas, buscando a rosa que imitasse com seda, e, como nos países longínquos nunca deixa de haver pena de morte, ela sabia bem que, pelas leis dos contos como este, não podiam deixar de a matar se ela não bordasse a rosa branca.
Por fim, não tendo melhor remédio, bordou da memória a rosa que lhe haviam exigido. Depois de a bordar foi compará-la com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Sucedeu que todas as rosas brancas se pareciam exatamente com a rosa que ela bordara, que cada uma delas era exatamente aquela.
Ela levou o trabalho ao palácio e é de supor que casasse com o príncipe.
No fabulado onde vem esta fábula não traz moralidade. Mesmo porque, na idade de ouro, as fábulas não tinham moralidade nenhuma.

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Pesquisa, digitalização e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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