domingo, 29 de setembro de 2019

Monteiro Lobato: resumo biográfico


Monteiro Lobato: resumo biográfico

José Bento de Monteiro Lobato nasceu na cidade de Taubaté, Estado de São Paulo, no ano de 1886.

Estudou mesmo pela zona Norte, do seu Estado, zona tão pobre de recursos econômicos, mas tão rica de material humano, e que influenciou decisivamente a conformação espiritual daquele que seria o seu maior fixador de tipos e de costumes.

Formado em direito, Monteiro Lobato viu-se no caminho traçado a todos os bacharéis, em qualquer tempo: a promotoria pública. Exerceu-a na cidade de Areias, uma dessas cidadezinhas perdidas, não servidas por estrada de ferro, onde havia uns sobrados antiquíssimos, um juiz de direito com tiradas a Pacheco e um eterno comerciante que elogia as novas tributações estaduais pela simples razão de não pagar imposto de espécie alguma...

Foi penetrando nesses ambientes adormecidos da província, na alma desses boticários palradores e desses políticos carrancudos que Monteiro Lobato sentiu despertar em si o chamado das letras.

Começou cedo a escrever, e o seu "Urupês" é sem dúvida alguma um dos grandes gritos da literatura brasileira do século.

O aplauso caloroso de Rui Barbosa sagrou o escritor pelas maravilhas do grande livro. E desde então tem sido de domínio e de soberania o papel de Lobato nas nossas letras.

Os contos que se seguem são magníficos. Tendo-os em dois únicos volumes, um de "Contos Pesados", outro de "Contos Leves", Lobato pôde dar às novas gerações o espelho vivo da sua mais duradoura ficção. Esses pequenos pedaços da imensa, desconhecida província, desse "interior" que tem sido o desespero de tanto ficcionista impotente, são realíssimos e impressionantes, na "Onda Verde", nas "Cidades Mortas", na "Negrinha".

As "Ideias de Jeca Tatu", livro de crítica, põem de novo em reboliço as trombetas da crítica indígena.

Lobato é um realizador. De um gênero de literatura ele passa para outro. Da crítica para o conto, do conto para o romance social: "O Choque".

Viajando, deu-nos um excelente "América".

Escrevendo história para crianças, criou Narizinho, Pedrinho, Rabicó, a Emília, o Visconde de Sabugosa, tipos já hoje inseparáveis de toda a garotada brasileira que saiba ler.

Editor, foi ele quem suscitou o movimento publicitário do presente. Não descansou nunca, e traduções suas inundavam as livrarias, pois a ele se devia uma série de versões de notáveis livros do estrangeiro.
  
São também conhecidos de todos os seus gestos em defesa do petróleo brasileiro, numa campanha rumorosa.

Monteiro Lobato é, como se vê, uma das mais expressivas, das mais características, das mais vincadas personalidades da nossa literatura. E os críticos de qualquer tempo não poderão deixar de reconhecer neste homem que fixou o idioma brasileiro pela fala dos seus personagens, criando e modificando o linguajar desta parte dos trópicos.

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Revista "Vamos Ler!", 15 de abril de 1937.
Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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