quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Redes sociais: o desespero da realidade

 

Redes sociais: o desespero da realidade

No geral pode-se dizer, com pouca margem de exagero, que não há verdades nas redes sociais. Até as fotografias, que deveriam refletir com mais precisão a realidade, nem estas escapam da dissimulação e da superficialidade. Neste aspecto, os editores de imagens, cada vez mais inovadores, têm se mostrado bem superiores aos bons cirurgiões na arte de plasmar. A facilidade de se manipular imagens para exposições públicas tem tornado assim o espelho numa espécie de relíquia incômoda e desnecessária. Até o rosto jovem e belo, ainda este não fica isento de algum tipo de retoque, mesmo que o simples disfarce de uma acne indesejada. Neste universo de mentiras o "elogiar" tornou-se regra, e o contrário choro e ranger de dentes. Uma foto não curtida pode resultar numa noite triste de insônia. Daí a obsessão por se melhorar a "performance" e de novas exposições ainda mais "picantes". Para muita gente as "curtidas" nas redes sociais funcionam como certos tipos entorpecentes alucinógenos, dos quais se viciam e se tem delírios mentais fantásticos. O chamado "nudes" é o ponto máximo em que alguém pode chegar na busca por atenção; é o último e desesperado apelo quando um corpo bem vestido já não é capaz de gerar uma quantidade razoável de cliques e elogios. É neste ponto que para  muitas pessoas as redes sociais funcionam como uma espécie de droga de alta concentração e toxidade, cuja abstinência pode levar ao aniquilamento da própria razão de existir. Este é o ápice da alienação do próprio ser. É o desespero da realidade.

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