domingo, 16 de janeiro de 2022

O fantasma dos quatro contornos (Capim Grosso assombrado), por Iba Mendes

 

O fantasma dos quatro contornos

Reza uma lenda dos antigos pioneiros de Capim Grosso, que um fantasma, nas noites de toda sexta-feira 13, ronda os quatro contornos da cidade a procura da pessoa que lhe teria roubado todo o seu tesouro, a qual também não lhe poupou a vida. Diz ainda a mesma lenda que  o dito fantasma era, antes de ser desencarnado, um antigo fazendeiro da região,  o qual enriquecera nas minas de ouro de Jacobina, tornando-se, nos idos tempos, uma das pessoas mais célebres de toda aquela redondeza.  

Conta-se que numa certa noite de uma sexta-feira 13 de um ano remoto e  desconhecido,  guiava ele um burro com dois grandes caçuás, nos quais transportava dois baús contendo a soma de toda a sua riqueza, equivalente a treze grandes barra de puro ouro.  Quando, enfim, chegou à sua fazenda em Capim Grosso, arriou sozinho sua preciosa carga e, ao transpô-la para dentro de casa, onde seria depositada numa urna subterrânea feita para essa finalidade, eis que de súbito aparece, ao longe, um malfeitor encapuzado e usando uma máscara que imitava a figura do capeta. O fazendeiro, notando a aproximação do estranho, tentou num lapso de desespero fechar a porta. O outro, porém, foi mais rápido, e num salto de gigante deu com o ombro na madeira, adentrando na habitação com uma arma em punho. O homem ainda tentou correr e se trancar num dos aposentos da casa, mas foi impedido por uma bala de espingarda que o atingiu bem no meio do coração. Em seguida, o ladrão arrastou-o até a mesma cova onde seria depositado o tesouro, e ali o lançou, cobrindo-o com terra e cimento.

Muitos anos depois, alguns moradores passaram a relatar terem visto, distintamente nos quatro contornos, sempre nas noites de sexta-feira 13, uma visagem coberta de um manto negro, a qual, arrastando pesadas correntes, grita numa voz cavernosa: "Cadê meu ouro?... Cadê meu ouro?... Cadê meu ouro?..."

Conclui a lenda que, enquanto não se descobrir o paradeiro deste ouro, a alma daquele finado continuará para sempre rondando os contornos da cidade. E, ai de que tiver a desdita de ser tocado por ela!  Quando morrer, arremata o relato popular, sua alma também vagará e o seguirá na busca das 13 barras de ouro.


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São Paulo, 16/01/202.

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