segunda-feira, 4 de julho de 2016

5 razões para votar nulo


5 razões para votar nulo

O sistema político brasileiro atual é bem semelhante ao nosso sistema carcerário: botamos um ladrão de galinha lá, e ele sairá um perito em roubo a banco.
Iba Mendes 


***

Esclarecemos que o texto a seguir não se trata de uma manifestação antipolítica ou anárquica. Nosso objetivo, portanto, não é anatemizar ou condenar a política em si, mas sim lutar para que prevaleça entre nós a "boa política", qual seja: a política da honestidade e do bom uso do dinheiro público... Sem uma reforma política em que se elimine privilégios e sem o endurecimento de penas em que se reduza a corrupção, só restará para nós, por uma questão de dignidade, a única opção do VOTO NULO...

***

1 - Uma questão de consciência


Se em minha consciência o sistema político brasileiro é altamente propenso à corrupção, e se a realidade me mostra que a simples substituição dos atores não muda o enredo da peça, neste caso eu deveria me abster de votar. Ora, que tipo de consciência é a minha que fica indignada com a corrupção, mas que não se constrange em votar em candidatos a corruptos? Ninguém que preserva em si um pouco de dignidade moral deveria votar num potencial ladrão... Sim, pois, reclamos da ladroagem e nos revoltamos com a roubalheira na nossa política, mas ignoramos, sem o menor senso do pudor, que eles estão lá exatamente porque os elegemos. O VOTO NULO, portanto, é antes de tudo, uma questão de consciência.  Colaborar com esse sistema político corrupto, é colaborar indiretamente com toda a promiscuidade que se avoluma em torno dele. 

Dirá então alguém: Mas nem todo político é ladrão!!!

Sim, isso é verdade!  

Certamente deve haver um ou outro político que não se deixou corromper e que ainda não entregou sua alma a empreiteiros gananciosos; todavia, pela própria forma como se organiza a política vigente, tal homem público apenas serve de álibi para a manutenção desta estrutura podre e devassa. É bem verdade que em todo ofício ou ocupação há maus profissionais, contudo, esses são sempre a exceção; na política brasileira, ao contrário, a exceção são justamente os bons, os honestos, os que de fato fazem da política o que ela deveria ser, ou seja: a ciência da boa organização, direção e administração de nações ou Estados. Aqui no Brasil, o sentimento de impunidade aliado aos meios de acesso à corrupção, transformam potencialmente um cidadão honesto num político corrupto. Ademais, supondo que uma "Madre Teresa de Calcutá" seja eleita, o fato é que, mesma ela, se não roubar, ainda assim estará inserida num vasto sistema de vantagens e privilégios,  em que se incluem um rosário de mamatas: verbas variadas, salários altíssimos,  nomeações de amigos e apoiadores etc.etc. etc. Em outras palavras, o sistema político em vigor, além de ser um grande facilitador da corrupção, é, também, uma fonte abundante de regalias, algo que nenhum cidadão poderá usufruir ao longo de toda sua vida. 

Perguntará ainda outrem: Mas o voto nulo vai resolver o problema?

Não! O voto nulo não tem esta finalidade.

Quando votamos nulo demonstramos com clareza que não estamos satisfeitos com a maneira atual de se fazer política no Brasil, e que exigimos mudanças mais profundas, com mais rigor à impunidade, mais controle às ações dos políticos e mais rigidez contra os privilégios. O voto nulo é uma das maneiras de o cidadão manifestar sua repulsa, não à política em si, mas ao modo como ela é exercida em nosso país.  É, portanto, uma forma de ação política.

Um entusiasmado eleitor poderá, enfim, argumentar que ao votar nulo a pessoa estará favorecendo os candidatos corruptos, os quais serão beneficiados com os votos das pessoas menos esclarecidas, que os colocarão no poder etc. O argumento, entretanto, ignora que o sistema político brasileiro (no qual estão incluídas todas as leis que protegem os políticos, bem como todas as regalias que fazem destes uma casta privilegiada entre nós) não será mudado por um pequeno grupo de honestos eleitos, uma vez que as grandes mudanças sempre exigirão o voto da maioria dos parlamentares, os quais  são notadamente corruptos e, portanto, contrários as essas mudanças. Dessa forma, sem a constante e participativa pressão da sociedade, o que inclui o boicote pelo voto nulo, o resultado será sempre o mesmo, algo que facilmente se atesta  pelo próprio histórico eleitoral do país. O que mudou de lá pára cá?


2 - Uma forma de pressão


No âmbito do consumo, o boicote já se mostrou altamente eficaz, levando muitos comerciantes e indústrias a mudarem suas condutas e melhorarem seus produtos e serviços. Quando votamos nulo, anunciamos em alto e bom som que o “produto” político brasileiro que nos é oferecido está em péssimas condições e que precisa ser melhorado. Não podemos nos conformar com esta estrutura política de conveniências, em que os interesses pessoais e partidários de políticos permanecem acima dos interesses da coletividade.  Não podemos tolerar uma estrutura em que as leis que beneficiam os agentes públicos sejam feitas e aprovadas por eles mesmos, sem qualquer consulta popular. Um exemplo emblemático refere-se ao famigerado “Foro Privilegiado”, inserido na Constituição Republicana do remoto ano de 1891 e ampliado pelos políticos na última Constituição de 1988, entre tantos outros...


3 - Uma exigência ao Voto Facultativo


Nas últimas eleições uma campanha do TSE ostentava para si o pomposo slogan de "O Tribunal da Democracia". Ora, que tipo de Democracia é essa que obriga um cidadão a deixar sua casa, contra sua própria vontade, para votar? A incoerência e de uma proporção tão absurda que transforma o sentido de "democracia" exatamente no seu oposto, ou seja: "ditadura". Enquanto o voto facultativo é preceito essencial nos países desenvolvidos, o voto obrigatório é característica típica de países autoritários. O voto obrigatório, no Brasil, é um dos muitos resquícios de leis restritivas que ainda prevalecem. É o que sobrou do velho sistema coronelista, sob uma nova roupagem. Antes tínhamos o voto de cabresto, hoje temos o voto obrigatório. Na prática, portanto, o voto obrigatório, que teve a chancela do ditador Getúlio Vargas, nada mais é do que uma forma de controle das massas, interessante apenas a políticos que, a depender das consciências livres e pensantes, jamais alçariam ao poder.
 


4 - Uma demonstração de desprezo


É comum entre os que se opõem ao voto nulo argumentarem que votando assim a pessoa estará "desperdiçando seu voto", como se o simples ato de votar fosse em si mesmo uma ação proveitosa ou benéfica para a sociedade. Ora, qual tem sido, afinal, o resultado prático dos nossos votos ao longo de toda essa democracia? Mesmo supondo que o candidato escolhido seja aparentemente honesto, ainda assim e em termos funcionais, o que resultou disso para a melhoria da ética na nossa política? Nada! E por uma razão basilar e própria da cultura política brasileira: o que interessa para o candidato é tirar vantagens pessoais e políticas da sua candidatura. Da forma como as leis funcionam para os políticos, pelo o modo como eles são punidos e pela facilidade de se deixarem corromper, mesmo o “honesto” não costuma resistir ao primeiro “olhar bondoso” de um empreiteiro. Sim, pois: o sistema político brasileiro atual é bem semelhante ao nosso sistema carcerário: botamos um ladrão de galinha lá, e ele sairá um perito em roubo a banco. Quando votamos nulo mostramos o nosso desprezo pela
 forma como se faz política aqui e, consequentemente, exigimos mudanças claras no modo de se punir aqueles que cospem nas caras de seus próprios eleitores, os quais não honram a função que ocupam, nem estão nem um pouco preocupados com o verdadeiro desenvolvimento do país.


5 - Uma opção e nada mais


Além de qualquer argumento contra ou a favor, o voto nulo pode ser apenas uma opção de quem não se interessa por política, seja por alienação, seja por indiferença, seja enfim, pela simples liberdade de não votar, sem qualquer razão ou motivo. É assim que funciona uma verdadeira Democracia.


É isso!


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Por: Iba Mendes (Julho de 2016)



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66 comentários:

  1. Concordo plenamente. Eu não voto mais, não compareço. Sou contra a obrigatoriedade do voto. Pago a multa. Sou contra urna eletrônica, pois ela é fraudável. Protesto contra esses políticos corruptos, tbm.

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    1. Pois é Carlos...

      As pessoas vivem reclamando dos políticos e da política, mas continuam insensatamente a votar neles... É o que chamo de "alienação cidadã":
      http://www.poeteiro.com/2016/09/alienacao-cidada.html
      Abraços,,,

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    2. O voto nulo (ou em branco)não é uma ação sensata. Ao fazer isto você estará elegendo os corruptos que já possuem o seu "curral" eleitoral. Facilita , pelo contrário, a vida deles pois tiraríamos um possível honesto para elegermos os mesmos que aí estão e detêm o poder em suas mãos. Estamos revoltados com a corrupção, é verdade, mas não é com este tipo de extremismo que iremos derrota-los.

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    3. Voto nulo não é extremismo: é apenas uma opção para quem já se candou de ser fantoche de políticos... Continue insistindo no "possível honesto": cada um sabe o limite da sua própria consciência...

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    4. batata e bom!!! abraços

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  2. Perfeito, concordo com tudo que escreveu! Parabéns!

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  3. Escreveu tudo e um pouco mais,perfeito

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  4. Votar nulo, estatisticamente, é o mesmo que votar em quem está ganhando. Você pode demonstrar desprezo, mas alguém vai assumir o cargo. Estude os candidatos e vote no mais adequado. Flw, vlw.

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    1. ERRADO!
      A sua lógica pressupõe que os outros sejam melhores... Pela lógica do voto nulo TODOS são da mesma laia, ou seja, todos eles estão inseridos no mesmo sistema corrupto... Eu voto nulo por uma questão de consciência, pouco importando quem seja o primeiro ou o último...

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    2. Olá Iba Mendes, queria te parabenizar por esse texto. Incrível !!! É isso mesmo, também votarei nulo nessas eleições do ano que vem (não sei você). Eu assim como voce estava e ainda estou insatisfeito com a política brasileira, e também é claro, com essa briga chata de direita e esquerda. Por isso, eu decidi me abster de votar. Parabéns também pelo ótimo texto "direita e esquerda: o duelo de quadrúpedes", muito bom! Retrata justamente a inércia atual das pessoas.

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  5. Apenas chamo sua atenção para um detalhe: Quem não escolhe, acaba sendo escolhido.

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  6. Permita-me discordar de si, querida Iba Mendes. Compreendo a sua alergia aos políticos. Mas penso que não está a ver toda a realidade. Diz que há maus profissionais em todos os setores, mas são minoria, ao passo que na política é o inverso.
    Na verdade, os políticos são assim porque têm oportunidade para isso, enquanto nas outras atividades não.
    Eu penso que se os políticos fossem outras pessoas e não as que lá estão, o problema mantinha-se embora com outros atores. A questão é que os políticos têm o poder enqto outros não.
    E repare. Os políticos são, geralmente, corruptos passivos. E para existirem têm que existir corruptos ativos. Não se pode ignorar os personagens que estão por detrás da cortina e que corrompem, chantageiam e usam meios impróprios para forçar os detentores do poder.
    Talvez a melhor maneira de combater a corrupção e formar cidadãos (políticos e os não políticos) mais honestos seja através da educação.
    As nossas escolas têm que formar cidadãos que, se não forem políticos não se sirvam dos políticos para obter vantagens ilícitas, e se forem políticos sejam imunes aos que os procuram para obter favores iligais.
    A escola deve ensinar e mostrar quais são as vantagens de se ser respeitador da sociedade. Uma disciplina de "Educação Cívica" não fazia mal que fosse lecionada nas escolas desde os primeiros anos.
    Meus cumprimentos.
    Francisco Tavares

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    1. O voto nulo é uma solução imediata, já a questão de educação é uma hipótese de longo prazo ...

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    2. Me desculpe. Educação é uma questão de hoje, isto é, de ontem.

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    3. Perfeito Francisco!
      Ao votar nulo ou em branco estamos jogando nosso voto no lixo e favorecendo os maus políticos.
      Precisamos votar "válido", nem que for no "menos pior".
      E o nosso DEVER (sim senhores, DEVER) não termina ao "confirmar" nosso voto na urna. Temos a obrigação de acompanhar os eleitos e fiscalizar o seu mandato. E como fazer isso? Muito simples! Procurem se informar sobre os Observatórios Sociais (http://osbrasil.org.br/).
      Fraterno abraço.

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  7. Queria ainda dizer que aprecio as suas lições de gramática.

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    1. Caro Francisco,

      “Talvez a melhor maneira de combater a corrupção e formar cidadãos (políticos e os não políticos) mais honestos seja através da educação. “

      Geralmente (ou quase sempre) os políticos corruptos tiveram uma boa educação, vieram de uma família bem estruturada e muitos deles eram avessos aos malfeitos, verdadeiros baluartes da honestidade... Não basta, pois, eleger um cidadão educado e honesto... faz-se necessário mudar não só a forma de se fazer política, como, também, a forma de punir aos que se deixam corromper... A realidade tem demonstrado que a crença de que o voto pode mudar a política é uma utopia alienatória, que apenas contribui para a manutenção dessa estrutura apodrecida...
      Abraços...

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    2. Se "os políticos corruptos tiveram uma boa educação, vieram de família bem estruturada e eram avessos aos malfeitos" é porque foram contaminados pelo contexto. Não se pode esquecer o ambiente em que os políticos se inserem se pretendemos mudar a forma como se faz política. A abordagem tem que incluir todos os aspetos da realidade. Os políticos fazem parte da população. Não sei se se pode dizer que um povo tem os políticos que merece. O que me parece é que os políticos serão o reflexo do povo que representam. Quanto maior for o nível geral de um povo, de maior nível tenderão a ser os seus políticos. E voltamos assim ao papel fulcral da educação na elevação do nível geral de um povo.
      Não acredito em ditaduras, mesmo que do proletariado. E assim, o voto é incontornável. Se não temos ninguém perfeito temos que optar pelo mal menor.

      Te abraço também.

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  8. Finalmente alguém que pensa como eu.

    Voto nulo porque é minha posição política e ponto. Discordo do que ocorre por aqui. Se favorece ou não quem está ganhando, pouco importa, não fomos nós quem criamos o sistema eletivo assim, logo, na obrigação de votar eu escolho dizer "não quero votar em ninguém".

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  9. Eu passei por essa reflexão em 2014, o voto certamente deixou de ser visto como um direito e passa a ser tratado como consentimento, dada a falta de opções no cenório político. Sabendo que isso não mudará senão com uma reforma, sou à favor do voto facultativo, candidatura independente, diminuição dos partidos, exigências para os cargos públicos e mudança no sistema eleitoral como um todo.

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  10. O primeiro passo para melhorar a política, é acabar com regalias e ordenados, pagamentos absurdos de altos para os políticos, porque só assim iria se candidatar quem pensa realmente no bem do país, para isso precisa mudar leis que na qual parece ser impossível porque eles mesmo é que fazem as leis em próprio benefício.

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  11. Absurdo, se você vota nulo está dando a oportunidade para outros decidirem por você. Tenha personalidade e faça suas escolhas, não deixe que outros decidam por você.

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    1. Lamento, amigo, mas levando em conta o modo como funciona o sistema político Brasileiro, o seu "voto consciente" só fará alguma diferença nos bolsos e nos cofres de quem você vai confiar sua consciência! Votar num sistema corrupto é corromper-se moralmente... Mas há quem acredite em "papai noel", aí é só esperar o "Natal" e pagar pra ver... Abraços...

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  12. Parabéns!!!!! Um milhão de parabéns!!!! Texto perfeito!!!!
    https://www.youtube.com/watch?v=b2eg_JUkMP0

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  13. https://www.youtube.com/watch?v=b2eg_JUkMP0

    VOTE NULO E INCENTIVE OUTRAS PESSOAS A VOTAREM NULO!!!

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  14. SEU TEXTO É PERFEITO!!!! EU ESTOU EM ÊXTASE!!!!
    PARABÉNS, IBA.

    https://marmotadespenteada.blogspot.com/2018/07/entenda-porque-vale-pena-votar-nulo.html

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  15. A eleição tornou-se a arte da enganação. O candidato procura apresentar-se o que o eleitor possa escolher. Meras promessas vazias.

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    1. Como diria outro: a politica é a arte de obter dinheiro dos ricos e o voto dos pobres, sob o pretexto de agradar a uns e outros. ABRAÇOS...

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  16. Excelente texto.
    Anulo o voto desde 2002. Votei até a esquerda ascender ao poder. Fez governos quase tão ruins quanto os anteriores. Cansei de brincar de eleitor.
    A democracia, para funcionar, precisa de cidadãos conscientes e esclarecidos. Isso nunca acontecerá no Brasil.
    Meu voto é irrelevante.

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    1. Pois é...

      Se analisarmos o histórico eleitoral desde Collor, concluiremos que não passamos de meros fantoches, sem qualquer participação no sistema político, o qual existe exclusivamente em função do político e dos seus interesses... Abraços..

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  17. Sempre votei, sempre busquei o que considerava o melhor para o Brasil. Mas agora dizem que me tornei alienado político, só pq declaro que não vou participar dessa palhaçada. Não vou ajudar a mudar as peças. O que precisa mudar é o jogo....

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    1. Exatamente, Ângelo!

      Também penso assim!

      Qualquer um que entrar lá, ainda que honesto, vai continuar no mesmo sistema de regalias e privilégios...

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  18. voto nulo é a pior forma de protesto, uma forma melhor seria eleger pessoas como voces ai sim toda a força e mesmo que não fosse eleito mas tivesse uma grande chance na eleição por conta de pessoas protestando ai sim entenderia- se que os modelos políticos tem que começar a mudar... infelizmente como muitos dos cidadãos pensaram assim elegeu-se o nosso atual presidente, não por votos mas sim pelos brancos e nulos que poderiam se conscientes mudar o resultado da eleição

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    1. Cara Ali,

      A maioria das pessoas que está lá, eleita pelo voto "consciente", era gente como "nós", muitas das quais verdadeiros baluartes da moralidade... Então chegaram lá... Ali armaram suas redes, ligaram seus ventiladores e passaram a mamar em tetas abundantes... O voto nulo é sinônimo de "boicote"... Se você boicota a padaria da esquina por serviços inadequados, provavelmente não acontecerá nada, porém, se a rua toda passar a boicotá-la, aí a coisa muda... As pessoas acham que o honesto que está fora continuará honesto quando lá entrar, e esquece que o sistema (a forma como as leis foram feitas e como funcionam) quase que mecanicamente os levará ao "maravilhoso mundo do dinheiro público"... Mesmo que não roube, vai nadar em privilégios.... Mas cada um sabe aonde vai sua consciência; a minha, por exemplo, não ultrapassa o limite do despudor... Abraços...

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  19. eu gosto de batata e vcs? visitem meu canal: Batata Do Dia...deixem o like ok e se inscrevam....

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  20. Soa bonito esse discurso, muito eloquente. Eu, que ultimamente tenho tentado cultivar alguns princípios anarquistas, estou de acordo. Porém se for para ir até lá votar nulo, sinceramente, melhor nem ir. Sugiro que mude esse lema para "votar para que?". Voltando um pouco a realidade, sabemos que isso não fará efeito, a "massa" seguirá votando nos seus candidatos preferidos, esses mesmos que almoçam com os tais empreiteiros. Infelizmente acho que o discurso, pensando de modo mais utilitarista, sequer deveria ser esse, eu diria "vote em quem se mostra mais capaz e consciente de fazer mais". Enquanto esses "empreiteiros" seguirem com seus oligopólios, almoçando todos juntos, não há sistema político que resista, até porque todos esses "são" portadores da mais boa moralidade e bons costumes, como o povo gosta! Ou a gente acredita na democracia e que é possível mudar essa realidade ou a gente não acredita. E se for a segunda opção, só resta uma saída, a violência.

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    1. Caro Guilherme,

      A ideia do VOTO NULO não está baseada em conceitos anárquicos, mas em dois princípios básicos fundamentais:
      1 - Uma questão de consciência, afinal, não é possível conceber que uma pessoa que preserve em si um pouco de dignidade seja capaz de COLABORAR para a manutenção de um sistema corrupto, o qual de modo algum será mudado pela simples substituição de suas peças;
      2 - Uma questão de "ordem prática ou lógica", ou seja: se alguém fabrica e vende vibradores é porque alguém compra e usa vibradores.
      Em relação ao "ir votar", a questão é simples e se baseia no fato de que se eu não "cumprir o meu sagrado dever de apartar a descarga" terei que pagar uma multa, além de perder tempo com a burocracia pública de praxe;
      Quanto à afirmação de que "a massa seguirá votando", é bom lembrar que essa mesma "massa" aplaudia a escravidão, mas a escravidão já não existe mais: alguém precisou gritar pela liberdade...
      E, por fim, quanto à frase "vote em quem se mostra mais capaz e consciente de fazer mais", é exatamente esse tipo de assertiva que tem mantido esse sistema corrupto ao longo de sua existência. O nome disso chama-se "conformismo". Abraços...

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  21. Veja esta Ibá: a) ninguém chega e ascende na política a se considerar corrupto; b) "corrupção" é subjetiva e depende "do raciocínio" (ponto de vista); c) o deputado consegue numa emenda parlamentar a verba para uma ponte no seu município: no concepção da ponte "surge subjetividade", no projeto da ponte "surge subjetividades", na escolha da construtora "surge", na construção da ponte "surge", na fiscalização "surge", nas épocas de liberação verbas "surge", nos contratempos por intempéries "surge", nos adendos para arremates "surge", na finalização em tempo de conveniências "surge", no encerramento da questão "surge"; c) impossível ao eleitor se ligar em subjetividades da política; d) portanto não cabe ao eleitor priorizar o “combate à subjetividade” ou que seja “contra a corrupção”; e) o voto representa muito mais que querer mudar a natureza da atividade partidária profissional da política.

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    1. A corrupção pode até ser "subjetiva" na esfera moral, por exemplo: receber auxílio moradia tendo onde morar. Mas ela sempre será objetiva na esfera legal, ou seja, naquilo em que está tipificada na letra da Lei. Seja como for, o voto, da forma como existe nesse país, apenas tem servido para relativizar a corrupção, sendo talvez um dos maiores aliados dela. Abraços...

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  22. Na teoria é lindo, na prática você só se abstem e os corruptos continuam sendo eleitos, na verdade fica até mais fácil para os políticos.

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  23. Sr. Mendes:
    causa-me profundo espanto sua apologia ao voto nulo.
    Sua campanha, a despeito da boa intenção, denota clara desinformação, promovendo um desserviço à cidadania e à jovem democracia brasileira:

    1) Repare que o Sr. não demonstra, com nenhum exemplo ou raciocínio lógico válido, como é que, em alguma hipótese, o voto nulo contribuiria efetivamente para promover “honestidade e do bom uso do dinheiro público” (sic):
    Veja a falácia:
    1ª Premissa: o sistema político brasileiro é propenso à corrupção
    2ª Premissa: a simples substituição dos atores não muda o enredo...
    Conclusão (falsa!): devo me abster de votar, pois estarei necessariamente votando em “candidatos a corruptos”, já que, em suas palavras, estará necessariamente a votar num “potencial ladrão” (sic)
    Então, na sequência, desmente-se a si mesmo admitindo que nem todos os políticos são corruptos.

    2-Nessa altura, seu raciocínio deriva falaciosamente para a crítica, agora não mais do político em si, mas da “forma como se organiza a política vigente” (sic).
    Ora, nenhum sistema existe autonomamente, nenhum sistema tem vida própria!
    Ele depende dos indivíduos que o compõem (todos nós).
    Veja um exemplo simples: não é o seu sistema digestivo que faz com que suas células internas funcionem mal, mas são as células não sadias que causam o problema no sistema.
    Se a premissa “o sentimento de impunidade aliado aos meios de acesso à corrupção, transforma potencialmente um cidadão honesto num político corrupto” é verdadeira, o fato é que não há nenhuma evidência de que o “voto nulo” alguma vez tenha remediado o problema contra o qual se insurge.

    3-Há, além disso, informação falsa circulando nas mídias, insinuando que se mais da metade anulasse seu voto, a eleição toda seria anulada... então, pior do que aquele que anula seu voto por ignorância, é aquele que, ao invés de se informar antes de falar/escrever, se dedica a disseminar informação inverídica, gerando nefastos efeitos sobre inumeráveis outros cidadãos. O prejuízo para a democracia é incalculável e de difícil reparação.

    4- Mas o voto nulo é útil!
    Ele acaba ajudando decisivamente a eleger o político corrupto, pois quanto maior o número de votos nulos e brancos, menor será o número de votos válidos, e consequentemente, menor o quociente eleitoral necessário para se eleger um candidato. Traduzindo: aquele que compra votos, agora precisará comprá-los em menor número.

    5- Agora, dê-nos, Sr. Mendes, um único exemplo de um povo ou cultura que tenha ao menos atenuado a corrupção anulando o voto.

    6- O Sr. argumenta: ao anular o voto, demonstramos que não estamos satisfeitos(...) que exigimos mudanças(...)
    Será??!
    No final da contas, a única mensagem que passa é de que está revoltado, desorientado e mal informado... só isso.
    Quem são os responsáveis pelo sistema que o Sr. pensa estar pressionando?
    Políticos corruptos se sensibilizam com votos de protesto?
    A mensagem é eficaz? De novo, não!

    7- Outra falácia: tratar o voto nulo como um tipo de boicote...
    O voto nulo jamais pode ser confundido com algum tipo de boicote que se faz contra algum produto de certa empresa...
    O boicote é um tiro poderoso contra uma empresa, mas o voto nulo é um “tiro no pé” contra TODOS os cidadãos em geral!

    8- Se, como cidadão, o Sr. discorda do voto obrigatório, há os meios adequados de pressionar direta ou indiretamente seus representantes nas câmaras locais, estaduais e na federal...

    9- Além disso tudo, em nenhuma hipótese, no atual sistema, o voto nulo representaria “exigência de que o voto se torne facultativo”.
    Acreditar nisso demonstra, mais uma vez, ingenuidade e profundo desconhecimento dos mecanismos democráticos de reinvindicação.

    10- Finalizando, lembre-se de que uma democracia plena se constrói à base do tripé: informação de qualidade, participação consciente e monitoramento da atuação dos representantes eleitos.
    Não basta protestar ingenuamente no dia da votação.
    Nenhuma democracia sobrevive ou prospera de espasmos irracionais de cidadania.

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    Respostas
    1. Caro Sílvio, agradeço a gentileza dos comentários, para os quais tecerei alguns outros...

      "causa-me profundo espanto sua apologia ao voto nulo."

      RESPOSTA: Na verdade, espantoso seria não poder defender algo que a própria lei corrobora como plenamente legítimo...

      ---
      "Sua campanha, a despeito da boa intenção, denota clara desinformação, promovendo um desserviço à cidadania e à jovem democracia brasileira:"

      RESPOSTA: Ao contrário, se o seu voto útil fosse assim tão importante para essa tal "jovem democracia", certamente teríamos uma realidade bem melhor do que aquele que vivenciamos hoje. Haveria, por exemplo, menos corrupção. A questão não é o voto em si, mas o voto dentro de um sistema de conveniências, feito sob medida para manter privilégios.

      ---
      1) Repare que o Sr. não demonstra, com nenhum exemplo ou raciocínio lógico válido, como é que, em alguma hipótese (...)


      RESPOSTA: Dei o exemplo do boicote a empresas ruins, as quais, se não melhorarem seus produtos ou serviços, simplesmente deixarão existir por falta de "compradores".

      ----
      Veja a falácia:

      "Então, na sequência, desmente-se a si mesmo admitindo que nem todos os políticos são corruptos."

      RESPOSTA: Exato! No entanto, deixo claro que a existência de tais honestos serve apenas como uma espécie de "álibi" para a manutenção desse sistema político, pois mesmo esses honestos, se não roubam, deleitam-se em mordomias e privilégios.

      ---
      "Ora, nenhum sistema existe autonomamente, nenhum sistema tem vida própria!
      Ele depende dos indivíduos que o compõem (todos nós)."

      RESPOSTA: Obviamente que sim, porém, qualquer sistema pode ser mudado para melhor por esses mesmos indivíduos, caso queiram ou se sintam obrigados a fazê-los.

      ---
      "Veja um exemplo simples: não é o seu sistema digestivo que faz com que suas células internas funcionem mal, mas são as células não sadias que causam o problema no sistema."

      RESPOSTA: Todavia, há casos em que as células más são tão abundantes e destrutivas, que muitas vezes se faz necessário uma intervenção cirúrgica ou um outro procedimento mais contundente.

      ---
      ...o fato é que não há nenhuma evidência de que o “voto nulo” alguma vez tenha remediado o problema contra o qual se insurge.

      RESPOSTA: Deixo bem claro que o voto nulo não é a solução, mas apenas uma maneira de o cidadão externar sua insatisfação, assim como acontece no âmbito comercial, sob uma nova perspectiva. A lógica, relevada suas proporções, é praticamente a mesma. Ou seja: não vou comprar o que é ruim. No caso do voto, o que fere minha dignidade e consciência.

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    2. ---
      "3-Há, além disso, informação falsa circulando nas mídias, insinuando que se mais da metade anulasse seu voto, a eleição toda seria anulada... "

      RESPOSTA: Isso é besteira. É o tipo de argumento que em nada mudaria o sistema político, mesmo porque se fosse verdade, cairia no mesmo dilema de "substituição dos atores".

      ---
      "O prejuízo para a democracia é incalculável e de difícil reparação."

      RESPOSTA: Surpreende-me sua ingenuidade (ou conivência?), afinal, você deve já ter votado muitas vezes, e deve avaliar por si mesmo se o país mudou em toda essa "democracia". Aliás, não se pode falar em plena democracia quando se obriga alguém a fazer o que não se quer.

      ---
      "4- Mas o voto nulo é útil!"

      RESPOSTA: Por sua lógica, se uma multidão tiver comprando maçãs estragadas, eu necessariamente também deveria comprá-las, afinal se eu não as comprar de algum modo elas serão vendidas. Ora, é a consciência da deterioração do produto que me leva a recusá-las, pouco importando se outros as comprarão.

      ---
      "Traduzindo: aquele que compra votos, agora precisará comprá-los em menor número."

      RESPOSTA: De novo as maçãs: não é porque maçãs estragadas são vendidas que eu preciso comprá-las. Você parece não entender que a questão não é o voto em si, mas a sua existência dentro de um sistema facilitador de corrupção e totalmente propenso a regalias. Faça-se uma reforma no sistema e depois erga-se um monumento ao voto. O meu voto nulo é, portanto, essencialmente uma questão de consciência, pouco importando os "quocientes" ou "inquocientes". Simples assim!

      ---
      5- Agora, dê-nos, Sr. Mendes, um único exemplo de um povo ou cultura que tenha ao menos atenuado a corrupção anulando o voto.

      RESPOSTA: O mesmo posso exigir do senhor quanto ao voto útil. Países em que a corrupção existe em menor grau, é porque tem um sistema político mais rígido quanto aos valores éticos da sociedade, e não simplesmente porque se votam. Fosse assim, o mundo seria uma Suíça.

      ---
      "No final da contas, a única mensagem que passa é de que está revoltado, desorientado e mal informado... só isso."

      RESPOSTA: Muito pelo contrário. No meu caso pessoal, a opção pelo VOTO NULO só veio depois de décadas constatando que o meu tão "sagrado voto útil" apenas estava servindo aos interesses da classe corrupta. É só pegar o nosso histórico eleitoral e avaliar o que de lá para cá melhorou na educação, na segurança, na saúde e na própria instituição política.

      ---
      "Quem são os responsáveis pelo sistema que o Sr. pensa estar pressionando?"

      RESPOSTA: Você, por exemplo, parece dar sua contribuição para sua manutenção e existência.

      ---

      "Políticos corruptos se sensibilizam com votos de protesto?"

      RESPOSTA: Políticos corruptos apenas se sensibilizam com os seus bolsos. Eu cá sensibilizo com minha consciência e com a realidade que me cerca. Há, porém, que acredite em ovos sem casca.

      ---
      "7- Outra falácia: tratar o voto nulo como um tipo de boicote..."

      RESPOSTA: Seu ponto de vista é só o seu ponto de vista. Obviamente que pode ser um tipo de boicote. Se surte o mesmo efeito que um boicote comercial, aí é outra questão. Porém, o princípio lógico é o mesmo.

      ---
      "8- Se, como cidadão, o Sr. discorda do voto obrigatório, há os meios adequados de pressionar...

      RESPOSTA: Cite aí alguns exemplos...

      ---
      "10- Finalizando (...) democracia plena se constrói à base do tripé: informação de qualidade, participação consciente e monitoramento da atuação dos representantes eleitos."

      RESPOSTA: As grandes democracias não vieram com blá, blá, blá...

      Abraços...

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  24. Caro Iba Mendes:
    agradeço muito pela sua consideração em objetar meus argumentos e o felicito pela tentativa (ainda que sem sucesso...rs...rs...) de rebatê-los ou invalidá-los.
    Nossa democracia ainda é muito jovem... É comum a falácia (não utilizada em seu texto) de comparar culturas milenares (como as asiáticas e europeias), para desmerecer ou desqualificar a nossa cultura "nativa/nacional" (se é que se pode usar esse termo, antropologicamente falando).
    Estamos aprendendo... França, Suíça, Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Japão, dentre tantas outras nações, TODAS MILENARES, passaram antes por processos terríveis para amadurecerem enquanto 'culturas democráticas'. Não foram experiências tranquilas, nem fáceis, nem rápidas...
    A própria experiência democrática no mundo ocidental, o Sr. bem o sabe, é fenômeno extremamente recente na História... e mesmo assim, isso não significa que estão todas vacinadas contra eventuais retrocessos (vide o que ocorreu na Alemanha na 1a. metade do séc. XX).
    Então, temos muito ainda que aprender...
    No mais, cumpre-me ressaltar que acompanho seu site http://www.ibamendes.com/ há muitos anos e sou admirador de suas pesquisas na área da antropologia. Devo-lhe meus parabéns pelo excelente trabalho.
    Como antropólogo, o Sr. sabe que a cultura é algo mutável, que seus movimentos são extremamente dinâmicos e que só mediante processos educativos e políticos é que um povo pode, sem grandes e violentos traumas, amadurecer (se é que valoriza o regime político democrático).

    Se, ao contrário, para certo cidadão, "tanto faz como tanto fez", então pouco lhe importa se seu 'voto de protesto' causará mais mal do que bem... A ele só importa externar sua revolta e indignação (legítima, é verdade)... pena escolher tal mal a forma de fazer o seu protesto.

    Para mudar uma realidade, não basta a boa intenção do cidadão revoltado.

    O Senhor pediu que eu, cidadão igual ao Senhor, indicasse aqui os meios legítimos (e há muitos!!!) para realmente caminhar em direção às mudanças que sonhamos... Infelizmente, o espaço dessa réplica é curto para aprofundar a respeito dos meios legais, legítimos e políticos de fazer um protesto contra o sistema.
    Quem sabe numa próxima postagem sua, tratando especificamente do tema "mecanismos legítimos de reivindicação no sistema democrático", possamos aprofundar. O que acha?

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    1. Caro Sílvio,

      Agradeço novamente a gentileza da resposta...

      Bom... O VOTO NULO é intrínseco a qualquer democracia, seja ela velha ou jovem, e está aí como parte dos ditames constitucionais, portanto, um direito do cidadão, seja lá qual forem suas razões... Votar nulo é uma ação política e tem sua função na democracia. No meu caso, ele é resultado da mais óbvia constatação, qual seja: o sistema eleitoral e político vigentes são altamente promíscuos e propensos a todo tipo de corrupção, e lá tenho eu um certo brio de consciência que me impede de chancelá-lo... Não será em nome da democracia que me cumpliciarei aos seus desígnios. Revolta? Indignação? Talvez isso e o principal: CONSCIÊNCIA DA REALIDADE!

      Abraços...

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  25. Eu acredito na possibilidade de redução de danos através do voto, mas com ressalvas, claro. O primeiro turno é, naturalmente, mais propenso a isso. Já os segundos turnos observados nas últimas eleições... lamentáveis. Entre a cruz e a espada, o voto nulo parece um sopro de triste lucidez.

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    1. Localmente observa-se tais exceções em muitas cidades, porém, a grande política, ou seja, aquele que abrange o país como um todo, essa sempre foi isso aí: corrupção e privilégios... Abraços

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  26. bom dia, o que se deve fazer quando seus pais não entendendem seu ponto de vista?
    Desculpe-me pelo questionamento fora da pauta aqui estabelecida.

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    1. Olá, Gian! Talvez seja o caso de você rever seus próprios pontos de vistas. Os pais geralmente tem razão... abraços

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  27. É uma pena pensar assim... somos gratos por disponibilizar aqui tantos livros, que, aliás, bem lidos, darão uma compreensão dos problemas desse país e da necessidade de votar e não abandonar a política (em sentido amplo) ao mercado ou ao capitalismo, ou, agora, o ultraneoliberalismo que se impõe a países como o Brasil. Não ignoramos as deficiências da democracia e, especialmente, da democracia brasileira, mas para transformá-la e ao país é preciso votarmos nos partidos que historicamente propõem a transformação do Brasil a partir de uma perspectiva popular e nacional, preocupada com a garantia dos direitos e do bem-estar social.

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    1. Caro "anônimo",
      Agradeço a gentileza das palavras...
      Quanto ao seu questionamento sobre o tema desta página, seja sincero consigo mesmo e analise, desde 1989, o que de fato esse sistema político fez de progresso para a sociedade de um modo geral, no que tange à redução da corrupção, da violência, do desemprego, da precariedade na saúde e na educação... É certo que houve algumas melhorias sociais, mas isso não anula o fato de que esse sistema político atual apenas perpetuou ao longo dos anos mordomias e retrocessos... Não somos contra a política, ao contrário, somos totalmente favoráveis à política, mas não essa política de conveniências e privilégios... Somos favoráveis que se faça uma reforma que equipare o político, em termos de direitos e deveres, a qualquer cidadão que os elege... Essa é a nossa tese... Abraços...

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  28. Esta é uma matéria bem conhecida e discutida. Os políticos são os responsáveis pelos problemas da sociedade, afirmam alguns. Mas a verdade é que todos somos responsáveis, porque todos votamos e escolhemos. Se acharmos que nenhum dos políticos é digno, então devemos candidatarmo-nos. Porque quem critica deve apresentar alternativa. Eu tenho uma opinião muito pessoal. Devemos apostar na qualificação das pessoas e cuidar de formar cidadãos instruídos e com formação moral e ética. A moral e a ética também se ensinam e se aprendem.

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    1. Caro Francisco,

      Deveras! Os políticos não estão ali por geração espontânea, foram postos pelo processo, digamos, "democrático"... A questão, porém, é que tal processo, baseado no voto obrigatório, faz uso de vários subterfúgios "legais" a fim de manter cativo o seu "curral eleitoral", o que pode ser observado, por exemplo, nas tais "emendas secretas", com as quais políticos inescrupulosos se utilizam do dinheiro público para realizar obras, cujo principal intuito é manter sob seu controle essa "massa" desinformada, a qual sempre associa tais obras ao "bom desempenho" desses políticos, independentemente de seu caráter, se honesto ou se corrupto. O próprio fundo partidário, que é distribuído desproporcionalmente entre os candidatos, beneficia sempre àqueles que dele abocanham maior porção... Outra: não há espaço pra todos que criticam políticos lograrem êxito na política, e as razões são óbvias até... Enfim, o que precisamos é de uma reforma política que coloque o cidadão político no mesmo patamar do cidadão que o elege, sem privilégios de qualquer categoria... Por que pagamos pelo combustível e eles não? Por que somos julgados na estância jurídica comum e eles têm foro privilegiado? Etc etc etc. Abraços...

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    2. Caro Iba Mendes:
      todos os argumentos expostos não justificam, nem de longe, a prática do voto nulo/branco.
      Aliás, todos os problemas apontados só podem ser 'resolvidos' ou atenuados, por meio da participação política do cidadão, não da omissão. O voto nulo é o típico caso da omissão desastrosa. Pois negar-se a participar do processo de escolha, SEMPRE favorece o mau político (que precisará de menor número de votos para se eleger).
      Então, se vivemos em sociedade, não temos escolha senão "escolher"... A eleição de um candidato não encerra o dever do cidadão votante. Ele deve seguir monitorando/fiscalizando a atuação do cidadão eleito.
      Não se pode crer que, anulando o voto, qualquer problema social esteja mais perto de ser resolvido do que antes.
      Ninguém até hoje citou um único problema social ou político que seja efetivamente resolvido com o voto nulo.
      O voto nulo é venenoso em sua essência, pois aposta na descrença, no desânimo, no desespero e na omissão como se fossem armas eficazes para a solução de qualquer problema. Ledo engano

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    3. Caro Sílvio...

      "todos os argumentos expostos não justificam, nem de longe, a prática do voto nulo/branco."

      * O histórico eleitoral no Brasil, em si, desde 1989, já é suficiente para provar o contrário: O QUE O SEU VOTO ÚTIL MUDOU DE LÁ PRA CÁ?

      "Aliás, todos os problemas apontados só podem ser 'resolvidos' ou atenuados, por meio da participação política do cidadão, não da omissão."
      * Doce ilusão... Nesse sistema atual, os únicos problemas de fato resolvidos são os dos políticos e de seus familiares... A história não me desmente? Desde 1989, por exemplo, a corrupção diminui?

      "O voto nulo é o típico caso da omissão desastrosa. Pois negar-se a participar do processo de escolha, SEMPRE favorece o mau político (que precisará de menor número de votos para se eleger)."
      * O mau político sempre terá vantagem, afinal, tem maior tempo de exposição e mais dinheiro do Fundo Partidário, além dos benefícios das emendas parlamentares, com as quais criam seus currais eleitorais.

      "Então, se vivemos em sociedade, não temos escolha senão "escolher"... A eleição de um candidato não encerra o dever do cidadão votante. "
      * O Voto Nulo é uma escolha constitucional, portanto, um direito do cidadão... Ninguém é obrigado a comprar comida estragada...

      "Ele deve seguir monitorando/fiscalizando a atuação do cidadão eleito."
      * Balela... Nesse sistema político atual, o eleitor sempre entra com a bunda e os políticos com os pés... Repito: O que mudou de 1989 para cá?

      "Não se pode crer que, anulando o voto, qualquer problema social esteja mais perto de ser resolvido do que antes."
      * O Voto Nulo não tem esta pretensão. Ele é só uma forma de o cidadão dizer que não está satisfeito com o sistema político em vigor, que deseja uma reforma em que se elimine os privilégios e em que se endureça as responsabilidades.

      "Ninguém até hoje citou um único problema social ou político que seja efetivamente resolvido com o voto nulo."
      * Não porque a maioria das pessoas pensam exatamente como você, e é por isso que não se tem interesse em realizar uma reforma política. Ademais, o Voto Nulo é só uma forma de protesto, assim como o boicote tradicional...

      "O voto nulo é venenoso em sua essência, pois aposta na descrença, no desânimo, no desespero e na omissão como se fossem armas eficazes para a solução de qualquer problema. Ledo engano"
      * Certo... Supondo que você venha votando desde 1989, aponte aí exatamente quais grandes mudanças ocorreram no Brasil com o seu tão "eficaz" voto útil? Diminuiu a violência? A saúde melhorou? A educação está no nível da Suécia? A corrupção se iguala ao Vaticano????

      Abraços...

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    4. O que o cidadão precisa entender (e isso não é difícil) é que o "voto nulo", embora previsto em lei, não é um voto considerado válido.
      Então,por exemplo, se tivermos 1000 eleitores e 1 votar no candidato A, 2 votarem no candidato B e 997 votarem NULO, é dada a vitória ao candidato B em primeiro turno com 66,67% de votos VÁLIDOS (3 no total).
      Logo, qual a função prática positiva e edificante do "voto nulo"? NENHUMA absolutamente!
      Mas efeitos negativos, há inúmeros, dentre eles, o de beneficiar os políticos ruins, que dependem do "voto de cabresto" ou da compra de votos para se elegerem.
      Outra coisa: A legislação eleitoral não prevê a figura do "voto de protesto"...
      Volto a repetir: voto nulo não é solução para nada.
      O Senhor realmente acredita que algum ministro do STE ou algum integrante dos distintos partidos políticos se sentirão comovidos ou contritos com nosso "voto de protesto"?
      O Senhor diz que a função do voto nulo seria demonstrar a insatisfação do cidadão com o sistema político vigente...
      Ora, o "sistema" somos nós (cidadãos eleitores)! Nós permitimos a existência do sistema, seja por ação, seja por omissão.
      Não consigo conceber que alguém acredite que seu "voto de protesto" realmente possa influenciar positivamente.

      Não devemos nos iludir diante da falácia da generalização.
      Dizer "nenhum político presta(...)nenhum é honesto" constitui premissa falsa, que envenena mortalmente sua argumentação.

      Também é falacioso comparar o "voto nulo" com a figura do "boicote"...
      A analogia é falsa porque são situações completamente distintas: o boicote é um ato de protesto onde a abstenção voluntária e intencional de usar ou comprar certo produto atinge certa empresa ou grupo empresarial, sem repercussão política significativa para o corpo social. Boicote é um ótimo remédio, demonstrando que, sim, a coletividade, quando organizada e politizada, tem poder, sim, para influenciar e até mudar comportamentos de empresários.
      Já, por outro lado, o "voto de protesto", é uma armadilha contra a própria sociedade como um todo. Então, devemos sim nos abster de votar em certos candidatos... isso sim seria um protesto coerente.

      SE vivemos em um país onde a maioria é constituída de analfabetos políticos, onde a maioria vota mal, o que falta é investir na EDUCAÇÃO.
      Mesmo que os resultados demorem décadas ou séculos para aparecer, não importa! Plantamos hoje, para que nossos filhos e netos colham os frutos amanhã!
      Mas, ao invés de se investirmos na educação, única forma de proporcionar ao cidadão condições mínimas para escolher de forma inteligente seus candidatos, investe-se em um protesto que não comove ninguém, que não muda nada para melhor, mas que comumente tem o potencial de mudar as coisas para pior.
      O que é que pode transformar um povo sem identidade, sem atitude, sem vergonha na cara, sem cultura política, em um povo “politizado”, consciente de seus deveres e direitos? EDUCAÇÃO, meu caro! Educação!
      Todas as mazelas que o Sr. citou em sua réplica não são causados/originados pelo sistema político ou eleitoral vigente, ou pelo formato da urna, ou culpa deste ou daquele partido político em particular.
      Os problemas apontados acontecem em qualquer sociedade de analfabetos políticos como o nosso. O problema não é o sistema, nem mesmo a ideologia. O problema está em quem dá vida ao sistema, que somos nós.

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  29. a participação política não é "uma doce ilusão" em muitas nações do mundo, que adotam às vezes, sistemas políticos distintos...
    pro que o monitoramento dos que detém mandatos políticos é uma realidade na Finlândia, na Suécia, na Noruega, no Japão, dentre outros??
    Resposta: porque o cidadão é politizado, recebeu educação para saber se comportar como cidadão.
    Comparar Brasil com Suécia, Finlândia, Japão... é outra falácia.
    Lá são culturas milenares, que já passaram todas, sem exceção, pelos mesmos problemas que a nossa jovem cultura nacional está passando hoje...
    Aqui, estamos dando ainda os primeiros passos, por isso, toda comparação é injusta. Nossa democracia é jovem demais, nossa nação é jovem demais para exigirmos o mesmo padrão de excelência.
    Não adianta copiar os ótimos sistemas dessas outras nações, se não mudarmos nosso comportamento social primeiro.
    Isso significa que tais países que citei como exemplo são sistemas perfeitos, sem corrupção? claro que não!
    Porém, graças à educação, hoje atingiram um nível de excelência que nos causa inveja.
    Exigir perfeição do sistema equivale a exigir perfeição de qualquer ser humano...
    As mazelas da sociedade brasileira não começaram em 1989, com a redemocratização. Elas começaram em 1530, com a fixação efetiva dos primeiros colonizadores neste território. Os desvios de verbas públicas, a corrupção e o estelionato eleitoral não começaram em 1989.
    A corrupção ativa e passiva é endêmica, ela permeia o corpo social.
    Por isso, a "cura" depende da Educação, da conscientização política, desde a infância, passando pela Escola, pela família...
    A culpa do sistema funcionar mal não é do sistema eleitoral (que pode e deve ser aperfeiçoado).
    Podemos passar os próximos 100 ou 500 anos fazendo protestos inócuos ou investir na educação e na politização.
    Nós não nascemos prontos... precisamos, desde o nosso nascimento, da Educação.
    Com as nações ocorre a mesma coisa: Suécia não nasceu pronta como a vemos hoje!
    Ela um dia foi uma nação jovem como a nossa, passou por todos os problemas que enfrentamos...e pode ter certeza: nenhuma das excelentes nações citadas avançaram um único centímetro usando voto nulo.
    O que há em comum entre todas elas? EDUCAÇÃO!

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    1. Caro professor Silvio,
      Agradeço a gentileza da resposta, porém, o senhor não respondeu a pergunta principal: em termos práticos em que exatamente o seu voto mudou no Brasil de lá pra cá?
      Quanto ao voto nulo não servir de "protesto", bem, isso acontece exatamente por causa de pessoas como você, que são notadamente a maioria, as quais chancelam essa fraude eleitoral, sem qualquer peso na consciência... Abraços

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  30. Caro Professor Iba Mendes!
    Agradeço pela sua atenção e por permitir-nos este exercício reflexivo em seu blog, tão permeado de excelentes publicações e trabalhos acadêmicos.
    Sobre sua questão, posso asseverar:
    O voto pode mudar apenas indiretamente as realidades, porém ele sozinho não muda nada, isso me parece muito óbvio. A realidade é mais complexa e demanda aprofundamento.
    O sufrágio é apenas uma das etapas do processo! ...que começa MUITO ANTES DO DIA DA ELEIÇÃO e TERMINA BEM DEPOIS DA CONTAGEM DOS VOTOS!!!!
    Começa com a pesquisa do candidato a ser escolhido e vai bem além, com o monitoramento das ações dos representantes políticos, depois de eleitos.
    Não basta votar e "lavar as mãos". O sistema implica participação consciente do cidadão (por isso já tratamos sobre o tema EDUCAÇÃO).
    Assim, qualquer mudança é necessariamente precedida por vários processos educativos.
    O ditado "cada povo tem o governo que merece" responde perfeitamente a sua questão.
    Queremos mudanças! Ora, perguntemo-nos primeiro: nós mudamos? a sociedade mudou desde 1989?
    Quando o cidadão muda (basta apenas uma "massa crítica"), tal mudança se reflete ao nível macro.
    Não adianta sonharmos com a "mudança do Brasil" se o brasileiro não se dispõe a mudar.
    Da mesma maneira, não adianta pôr a culpa no sistema, se os cidadãos continuam com os mesmos velhos hábitos e vícios de ordem moral.
    Analogamente, não adianta "culpar a faca, porque há pessoas que fazem mal uso dessa ferramenta". É ingenuidade condenar as facas gritando: "malditas facas!!!!"
    A faca não tem culpa se fazemos mal uso dela!

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  31. Do mesmo modo, por analogia, não soa razoável culpar o sistema (que sim, é imperfeito e pode ser melhorado em muitos aspectos) se os cidadãos não fazem (ou não sabem fazer) bom uso dele.
    Na última eleição (2018), o TSE apurou que o total de votos nulos atingiu 6,14%... Mas poderia ser 90 ou 99% de votos nulos e as mudanças que o Sr. tanto reclama tampouco ocorreriam (pelos motivos já explicados, e não contestados, em postagem pretérita, e sobre os quais Sr. estranhamente silenciou).
    Os corruptos e os que vendem seu voto... todos estão agora rindo do famoso "voto de protesto" que o Sr. leva tão a sério. Eles, antes, já se aperceberam de como podem se beneficiar de comportamento como o de Senhor e dos demais 6,14% de eleitores.
    a questão crucial aqui é:
    Educar para a cidadania EXIGE ESFORÇO, paciência e perseverança...
    Escolher candidato conscientemente EXIGE ESFORÇO, pesquisa etc...
    Monitar os políticos eleitos exige ainda MAIS ESFORÇO, pois é um aprendizado, não nascemos sabendo fazê-lo...
    Então, o que é mais fácil? Ser um cidadão consciente ou ser um cidadão inconsequente?
    E qual a forma mais fácil e preguiçosa de fazê-lo? Lógico!!! votar nulo!....
    Que esforço foi exigido de mim? NENHUM! Nenhum trabalho, nenhum estudo...
    E lá vou eu, todo contente... porque PROTESTEI... todo feliz porque "desprezei o sistema"!...
    todo serelepe porque "descobri" um jeito esperto de, sem fazer absolutamente nada útil, me sentir com a consciência tranquila porque agora tenho em quem colocar a culpa, sem que aparentemente eu esteja incluído no mesmo grupo: Eu não!!! eu ANULEI meu voto! estou isento da responsabilidade!
    Certa vez um presidente francês desabafou: “Brasil não é país sério”!
    Parafraseando, ficaria assim: Certamente, voto nulo não é coisa de país sério.

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    1. Caro Silvo, grato mais uma vez pela gentileza da resposta...

      "Não adianta sonharmos com a "mudança do Brasil" se o brasileiro não se dispõe a mudar."

      * Parafraseando a antiga propaganda de biscoito: "O Brasil não muda por que o brasileiro não se dispõe a mudar ou O brasileiro não se dispõe a mudar por que o Brasil não muda"? Ou seja: Sem uma reforma política, sem a pressão do povo para que se faça esta reforma, toda mudança que houver serão apenas ajustes, cujo fim é manter as mesmas regalias e privilégios. Historicamente tem sido assim. Veja-se agora: a roubalheira voltou como nunca, o fundo partidário cresceu, leis contra a corrupção foram extintas ou foram suprimidas pelas conveniências partidárias... Como não sou a favor de uma revolução aramada, só posso me valer - democraticamente - do meu livre e consciente ato em não querer contribuir para toda essa devassidão. O voto nulo, portanto, é antes de tudo um dever moral.

      ---
      Analogamente, não adianta "culpar a faca, porque há pessoas que fazem mal uso dessa ferramenta".

      Não se trata de culpar a política, mas os nossos políticos. São eles que elaboram leis e as aprovavam, e tudo com a total complacência desse tal voto útil e consciente.

      ---
      Parafraseando, ficaria assim: Certamente, voto nulo não é coisa de país sério.

      Ou seja: é o caso do nosso país. Votamos nulo porque ele não é sério, porque é politicamente imoral.
      ---
      Escolher candidato conscientemente EXIGE ESFORÇO, pesquisa etc...

      Tipo procurar agulha em palheiro...

      ABRAÇOS...

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  32. mais uma vez, agradeço imensamente pela oportunidade de expressar as objeções, crendo eu terem ficado bem esclarecidos para os leitores, todos os argumentos por mim expostos sobre o assunto.
    um forte abraço!

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