quinta-feira, 25 de maio de 2017

Ainda o caso Shakespeare


Ainda o caso Shakespeare
Texto escrito em 1924. Pesquisa, transcrição e atualização ortográfica é de Iba Mendes (2017)


Longworsh Chambrun escreveu em "La Revue Universele" um artigo referente à existência de Shakespeare, de que fizemos este resumo. A primeira alusão formal a Shakespeare, com o escritor, encontra-se em "Wilobiehis Avisa", livro sem valor literário, aparecido pelos fins de 1594 com o pseudônimo de Hadrian Doréle. O autor menciona Shakespeare como tendo feito aparecer o volume de "Lucrécia". A censura ordenou a supressão da obra, sob o pretexto de que as personagens eram facilmente reconhecíveis sob as suas iniciais... Quando Shakespeare morreu em Stratford, em abril de 1616, muitos dos seus contemporâneos celebraram-lhe a glória com versos elegíacos, cuja mor parte foi inserta na edição das suas obras publicadas pelos seus camaradas do teatro, em 1623. Além destas peças semioficiais, há outras mais modestas, como os versos ingênuos compostos em 1626 sobre "a morte do poeta do Avon". Ben Jonson escreveu a ode ao "doce cisne do Avon". Os biógrafos, mesmo os mais antigos, divergem quanto à condição da família de Shakespeare. Rowe, na sua notícia biográfica, declara que a família do poeta era de bom tom e fazia boa figura no condado ("people of good figure and foshion"), ao passo que Aubrey, historiógrafo consciencioso, invocou o testemunho de um velho vizinho de Henley Street que conheceu os Shakespeare no momento dos embaraços financeiros. Este contou que o pai tinha sido açougueiro e que Wiliam, por certo tempo, foi aprendiz nesta profissão. Rowe alude à condição de nobreza da família (gentis-homens de pequena nobreza) e fala da sua condição social numa época em que o poeta, tendo abandonado a cena, voltou para os seus cobertos de ouro e de louros. As informações de Aubrey remontam a vinte anos antes: por conseguinte não há contradição entre ambos os trechos.

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