terça-feira, 16 de julho de 2019

Às duas heranças (Memória), de Ronald de Carvalho



Às duas heranças

"Eleita a independência, defrontaram-se duas forças: a do herdeiro branco e a do herdeiro índio. Cada qual representava caracteres que se repeliam. De Iturbide a Porfirio Diaz, por algumas dezenas de anos, o entrechoque produziu-se. Ensaia
ram-se todas as fôrmas de governo, perdendo o país, nessa longa batalha, para sempre, uma riquíssima porção do seu território, e, durante algum tempo, a própria autonomia, quando o convulsionou o drama aventuroso de Maximiliano.

Nessas jornadas sem termo, empenhado num combate permanente, o mexicano lavrou as suas terras com a enxada na mão e a carabina a tiracolo. O inimigo estava em toda a parte. Irrompia das fronteiras do norte e dos litorais atlânticos. Apoderava-se das cidades, acampava na capital. Mas a guerra prosseguia nos "pueblos" do interior, nos sertões calcinados, nas canhadas e nos cerros agrestes. Cada homem era uma espada. Tudo se convertia em arma de defesa. De uma prisioneira velha, ouviu um oficial francês, do exército de ocupação, esta replica imortal: "Sou mãe de três soldados e quatro soldadas que saberão vingar-me. Nunca morremos sós."

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Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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