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10/27/2018

O jabuti e o homem (Conto infantil), de Monteiro Lobato



O jabuti e o homem

Um jabuti estava em sua toca, tocando gaita. Um homem ouviu e disse: "Vou pegar aquele malandro" — e chamou: "Ó jabuti!"

— Oi! — respondeu o jabuti.

— Vem cá, jabuti.

— Já vou — disse o jabuti — e botou a cabecinha na abertura do buraco. O homem foi e agarrou-o e levou-o para casa, onde o fechou numa caixa. No dia seguinte, de manhã, antes de ir para o serviço, disse aos meninos:

— Não me vão soltar o jabuti, ouviram? — e foi trabalhar.

O jabuti pôs-se a tocar a sua gaitinha lá dentro da caixa. Os meninos aproximaram-se, curiosos. Ele parou.

— Toque mais, jabuti — pediram os meninos. O jabuti respondeu:

— Vocês estão gostando da minha gaita. Imaginem se me vissem dançar...

Os meninos abriram a caixa para verem o jabuti dançar. O jabuti saiu e dançou pela sala.

Lé, lé, lé, lé...
Lé, ré, lé, ré...

Depois pediu para dar um pulinho ao quintal.

— Vá, jabuti, mas não fuja.

O jabuti foi ao quintal e fugiu para o mato.

— O jabuti fugiu! — gritaram os meninos. — Como será agora?

Um deles teve uma lembrança: botar na caixa uma pedra com a forma do jabuti, para enganar o pai.

Assim fizeram.

À tarde o pai voltou da roça e disse' "Ponham a panela no fogo e preparem-me o jabuti."

Os meninos obedeceram, pondo a pedra na panela. Quando chegou a hora do jantar, o homem sentou-se à mesa, lambendo os beiços. Mas ao botar o jabuti no prato, viu que era pedra.

— Vocês deixaram o jabuti fugir!

Os meninos disseram que não, mas nesse momento soou lá no mato a gaitinha do fugitivo:

Tim, tim, tim...
Olô, olô, olô...

O homem foi lá.

— Ó jabuti!

O jabuti respondeu: "Oi!" Por mais que o homem procurasse, não o achava.

— Vem cá, jabuti!

E o jabuti: "Oi!" Cada vez respondia dum lugar diferente, até que o homem danou e voltou para casa, muito desapontado.

***

— Só isso? — gritou Emília. — É pouco...

— Não, tem mais coisas — respondeu tia Nastácia. — Há uma porção de historinhas do jabuti, que é um danado de esperto. Ninguém logra ele.

— É verdade — disse dona Benta. — O jabuti, ou cágado, como o chamamos aqui no sul, é um animalzinho que muito impressiona a imaginação dos homens do mato — os índios; daí todo um ciclo de histórias do jabuti, onde ele aparece com umas espertezinhas muito curiosas.

— E é mesmo uma galanteza — disse Narizinho — sobretudo uns verdes, do tamanho duma bolacha Maria. Já vi dois em casa da mãe do Tônico.

— Mas são mesmo espertos como querem os índios ou é história? — indagou Pedrinho.

— O cágado parece que tem alguma inteligência e que faz mesmo umas coisinhas jeitosas. Além disso possui aquela casca onde esconde a cabeça e as pernas assim que se vê em apuros. Isso deu aos índios a ideia de esperteza.

— Arranje, vovó, arranje um jabuti para nós! — pediu a menina. — Deve ser tão interessante...

— Hei de arranjar, mas agora vamos ouvir outras histórias dele. Continue, Nastácia.

E tia Nastácia continuou.



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Notas:
Extraído da obra: Histórias de Tia Nastácia.
Transcrição e atualização ortográfica: Iba Mendes (2018)

12/18/2017

O jabuti e o homem (Conto), de Sílvio Romero






O jabuti e o homem

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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O jabuti meteu-se numa toca e pôs-se a tocar a sua gaita. As pessoas que iam passando escutaram.

Um homem disse: — Eu vou apanhar aquele jabuti.

Chegou à toca, chamou: — Ó jabuti!

O jabuti respondeu: — Oi!

O homem disse: — Vem cá, jabuti.

— Pois bem, aqui estou, eu vou já.

O jabuti saiu, o homem agarrou-o, levou-o para casa. Quando chegou à casa, meteu o jabuti dentro de uma caixa. Logo de manhãzinha, o homem disse a seus filhos:

— Agora não vão vocês soltar o jabuti. E foi-se para a roça.

O jabuti estava dentro da caixa tocando a sua gaita. Os meninos ouviram e vieram para escutar.

O jabuti calou-se.

Então os meninos disseram: — Toca mais, jabuti.

O jabuti respondeu: — Vocês acham muito bonito, como não seria se vocês me vissem dançar!

Os meninos abriram a caixa para verem o jabuti dançar. O jabuti dançou pelo quarto:

Lê, lê, lê, lê...
Lê, ré, lê, ré...

Depois pediu aos meninos para o deixarem ir mijar.

Os meninos disseram-lhe: — Vai, jabuti, mas não fujas.

O jabuti foi para trás da casa, correu e escondeu-se no meio do mato. Então os meninos disseram: — O jabuti fugiu!

Um deles disse: — Agora como há de ser? Como é que havemos de dar conta a nosso pai quando ele chegar? Vamos pintar uma pedra da cor do casco do jabuti, senão quando ele chegar nos dá pancada!

Assim fizeram. De tarde chegou o pai deles: — Ponham a panela no fogo, para tirarmos a casca do jabuti.

Eles disseram: — Já está no fogo.

O pai deitou a pedra pintada na panela pensando que era o jabuti.

Depois lhes disse: — Tragam vocês os pratos para comermos o jabuti.

Os meninos trouxeram.

O pai tirou o jabuti da panela, e quando o deitou no prato quebrou-o! O pai disse aos meninos: — Vocês deixaram o jabuti fugir?

Eles responderam: — Não, senhor.

Quando estavam dizendo isto, o jabuti tocou a sua gaita. Quando o homem ouviu, disse: — Eu vou apanhá-lo outra vez.

Foi e chamou: — Ó jabuti!

O jabuti respondeu: — Oi!

O homem foi pelo mato afora à procura dele. Chamou: — Vem, jabuti!

Ele chamava de uma banda, e o jabuti respondia-lhe de trás. O homem aborreceu-se, voltou para casa, e deixou-o.