sábado, 27 de julho de 2019

Resumo biográfico e literário de Eça de Queirós


Resumo biográfico e literário de Eça de Queirós

1845 — 25 de novembro: Nasce José Maria de Eça de Queirós, na Póvoa do Varzim e é logo separado de seus pais.
— 1 de Dezembro: É batizado em Vila do Conde.

1851 — Sai de Vila do Conde para a companhia de seus pais.

1858— 17 de julho: Exame de Instrução Primária no Porto.

1861 — Matricula-se no 1º ano da Faculdade de Direito da Universidade.

1866 — 23 de março: Publica-se na Gazeta de Portugal a estreia literária de Queirós, em Notas Marginais.
— 22 de junho: Forma-se em Direito, nemine discrepante, tendo sido seus contemporâneos em Coimbra Antero de Quental, Alberto Sampaio, Júlio Lourenço Pinto, Germano Meireles, J. C. Vieira de Castro, Antônio Azevedo Castelo Branco, José Falcão, Lobo de Moura, Santos Valente, Manuel de Arriaga, Rodrigo Veloso, Teófilo Braga, etc.
— 10 de Outubro: Eça de Queirós inscreve-se na Secretaria do Supremo Tribunal de Justiça como advogado.

1867 — 6 de janeiro: Sai o primeiro número do Distrito de Évora, bi-semanário que Eça de Queirós redige inteiramente.
— Agasto: Deixa a redação do citado jornal e regressa à Lisboa, continuando a colaboração literária na Gazeta de Portugal.
— 27 de setembro: Data da célebre carta de Castilho a Manuel Pinheiro Chagas, publicada com o Poema da mocidade, deste último escritor, carta que deu lugar ao panfleto Bom-senso e Bom-gosto, de Antero de Quental. — 22 de dezembro: Publica-se na Gazeta de Portugal o último folhetim de Eça de Queirós, intitulado Memórias de uma forca, o qual provoca risos gerais e uma troça do jornalista portuense Urbano Loureiro sob o título de Estreia fúnebre de Eça.
— Dezembro: Queirós abre banca de advogado na sua própria residência (Rossio, 26, 4º andar). Fins de dezembro: Forma-se o Cenáculo em casa de Jaime Batalha Reis.

1868 — Antero de Quental entra no Cenáculo.

1869 — Outubro ou novembro: Queirós parte com o conde de Resende para a viagem do Oriente.

1870— Primavera: Regresso a Lisboa.
— 30 de junho: Toma posse do cargo de administrador do concilio de Leiria.
— 24 de julho: Começa a publicar-se em folhetins no Diário de Notícias o Mistério da Estrada de Sintra, saindo o último folhetim em 27 de setembro do mesmo ano (a parte de Eça de Queirós foi toda escrita em Leiria). Fins de setembro: Presta provas públicas no concurso para cônsules, sendo classificado como primeiro de todos os concorrentes.

1871 — janeiro: O Diário de Notícias noticia que Eça de Queirós está escrevendo um romance intitulado História de um lindo corpo, o que o Sr. J. Batalha Reis confirma no seu prefácio das Prosas Bárbaras. Certo é que nesse mesmo ano é pelo menos esboçado O Crime do Padre Amaro.
— 5 maio: Carta de Queirós a Ramalho Ortigão, dizendo que As Farpas, que vão aparecer em breve, não são uma publicação republicana. As Farpas aparecem com efeito nesse mês, durante o qual são também inauguradas as conferências do Cassino, sendo Antero de Quental o primeiro conferente.
— 6 de junho: Decreto pelo qual Eça de Queirós é exonerado de administrador de Leiria.
— 12 de junho: Conferência de Queirós no Cassino.

1872 — 16 de março: É nomeado cônsul de La classe nas Antilhas Espanholas. Anteriormente vagara o consulado da Baía, tendo sido nomeado para ele outro concorrente, com preterição ilegal do primeiro classificado Eça de Queirós.
— 9 de novembro: Partida para Cuba.
—20 de dezembro: Queirós chega à Havana e toma posse do seu cargo.

1873 — Maio a novembro: Viaja pelas Américas Central e do Norte.

1874 — 29 de novembro: Transferência para o consulado de Newcastle, onde se familiarizou com a língua e a literatura inglesa.

1875 — Publicação de O Crime do Padre Amaro, na Revista Ocidental. — Morte do conde de Rezende, D. Luís de Castro Pamplona.

1876 — Publicação do O Crime do Padre Amaro em livro. Desde setembro deste ano a setembro de 1877 escreve Queirós em Newcastle o Primo Basílio.

1878 — 30 de julho: É colocado no consulado de Bristol. Publica-se o Primo Basílio. Em janeiro deste ano anunciam As Farpas o aparecimento de outros trabalhos de Queirós, as Cenas Portuguesas, volumes de 200 páginas, de que os três primeiros seriam A Capital, O milagre do Vale de Reriz, e O conspirador Matias.
— De outubro deste ano a outubro de 1879 remodela Queirós em Bristol O Crime do Padre Amaro. Publica-se na Renascença o seu artigo sobre Ramalho Ortigão.

1879 a 1883 — Escreve em Bristol A Capital, parte de A Relíquia e as Cartas de Inglaterra.

1880 — Julho: Publica-se no Diário de Portugal o Mandarim. O Diário Popular anuncia a publicação de Os Maias nas seus colunas. Terceira publicação do Crime do Padre Amaro, inteiramente remodelado.

1883 — Em 26 de abril elege a Academia Real das Ciências Eça de Queirós seu sócio correspondente.

1884 — Segunda edição do Mistério da Estrada de Sintra. Durante uma licença concluiu Eça de Queirós A Relíquia, começada em Bristol.

1886 — 10 de fevereiro: Casa-se na igreja de Cedofeita, do Porto, com D. Emília de Castro Pamplona, irmã do conde de Resende.
— 12 de junho: Data do Prefácio dos Azulejos, de Bernardo de Pindela, conde de Arnoso.

1887 — Publica-se em livro A Relíquia, que primeiro saíra em folhetins na Gazeta de Noticias, do Rio de Janeiro.

1888 — Publicam-se Os Maias, onde Eça de Queirós incorporara o texto de A Capital. —Polêmica com Manuel Pinheiro Chagas (Repórter de 27 de Abril e 8 de junho) a respeito da Relíquia e do concurso ao prêmio de D. Luís I. Desde julho deste ano a julho de 1889 prepara Queirós a publicação da Revista de Portugal. — Por decreto de 28 de Agosto é colocado no consulado de Paris.

1889 — Em 8 de fevereiro publica O Tempo, jornal político de Lisboa, dirigido por Carlos Lobo de Ávila, uma carta de Queirós intitulada Tomás de Alencar, Uma explicação, em resposta à sátira de Bulhão Pato, O grande Maia. Pato volta depois à carga com o Lázaro Cônsul, a que Eça de Queirós não respondeu. — Neste mesmo ano, tendo chegado a Lisboa em 24 de março, janta Eça de Queirós a 26, pela primeira vez, com os Vencidos da Vida, grupo de escritores, políticos e cortesãos, fundado em 1887, com grande indignação dos botequins e redações da época. —Em 3 de maio anuncia O Tempo a próxima publicação da Revista de Portugal, dizendo que esta inserirá na sua primeira série o novo romance de Queirós, As monjas de Ribajoia. Em 1889 e 1890 publica a Revista, em vez desta obra (que afinal nunca apareceu nem consta que chegasse a ser escrita) a Correspondência de Fradique Mendes. Por esses mesmos anos trabalha Eça de Queirós em Paris na Ilustre Casa de Ramires.

1890 a 1899 — período de grande atividade, durante o qual Eça de Queirós conclui e publica (1897) na Revista Moderna, de Paris, a Ilustre Casa de Ramires; continua a dirigir algum tempo a Revista de Portugal e a colaborar nela; escreve e manda para o Brasil (de 1893 a 1896) as Cartas Familiares, Bilhetes de Paris e Ecos de Paris; funda e dirige o Almanaque Enciclopédico ; trabalha no livro A Cidade e as Serras; compõe finalmente muitos dos Contos, dos artigos depois publicados nas Notas Contemporâneas, as Últimas Páginas, etc.

1900 — Em fins de maio chega a Lisboa; a 28 de Julho parte com Ramalho Ortigão para a Suíça; em 9 de Agosto, sentindo-se mal em Glion, recolhe a Paris e aí vem a falecer a 16, serenamente, pelas 4 e 30 da tarde.
— Setembro 17: Sepultados no cemitério do Alto de São João os despojos mortais de Eça de Queirós, que na véspera tinham chegado ao Tejo a bordo do transporte África, da Armada Real.

1901 — 30 de janeiro: Morre o pai do escritor, o Conselheiro José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, juiz do Supremo Tribunal de Justiça.
— 12 de junho: Lei votada em Cortes por proposta do Conde de Arnoso, pela qual é concedida à viúva e filhos de Eça de Queirós uma pensão anual.
1903 —9 de novembro: Inauguração do monumento de Queirós no Largo do Quintela, de Lisboa.

1906 — Outubro: Inauguração de uma lápide comemorativa na casa onde nasceu Queirós, na Póvoa de Varzim.

1912 — 30 de junho: Por lei votada no Congresso da República Portuguesa é retirada à família de Queirós, e transferida para a viúva de Rafael Bordalo Pinheiro, a pensão do Estado concedida em 1901.

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AGOSTINHO DE CAMPOS

Antologia Portuguesa (1922)

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